Petfood Forum Brasil 2026 oferece dia de imersão em varejo, proteína e segurança alimentar

Veja destaques da edição 2026 do Petfood Forum Brasil, realizada durante a PET South America, em São Paulo

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Os seminários do Petfood Forum Brasil voltaram a reunir, em 2026, profissionais, especialistas e líderes da indústria de pet food para um dia de troca de conhecimento, networking e inteligência de mercado sobre um dos setores que mais crescem no país.

Realizado no dia 13 de agosto, das 10h às 17h, no Distrito Anhembi, em São Paulo, simultaneamente à programação da PET South America (PETSA), a principal feira de negócios da indústria pet da América Latina, o evento reuniu cinco sessões especializadas, com café da manhã de abertura, pausa para o almoço e happy hour de encerramento. A programação, com olhar voltado para a competitividade e o futuro da cadeia produtiva brasileira, abordou desde o papel do varejo independente e o panorama do mercado nacional até proteínas alternativas, segurança alimentar e o uso de probióticos em rações. 

Varejo independente é central para o mercado pet brasileiro

Abrindo a programação, Rodrigo Albuquerque, fundador e CEO da Petland Brasil, defendeu em sua palestra que os varejistas de bairro são a maior força da indústria pet do país. Segundo o executivo, investir em marca e em branding faz diferença competitiva, e o setor deve viver uma nova onda de fusões, aquisições e aberturas de capital assim que o cenário de juros e o ambiente de negócios melhorarem. Na avaliação de Albuquerque, isso ainda não aconteceu porque "o mercado inteiro está completamente investido e ninguém desinvestiu".

Rodrigo Albuquerque, CEO da Petlando, abriu a programação do Petfood Forum 2026Rodrigo Albuquerque, CEO da Petlando, abriu a programação do Petfood Forum 2026GN2 Conteúdo

Albuquerque também apresentou números sobre a digitalização do setor: o comércio online de produtos pet no Brasil saltou de 10% para 20% do faturamento em apenas três anos, o que, segundo ele, transforma cada vez mais a operação de pet food e pet supplies em uma disputa de preço e prazo de entrega. Essa pressão, somada à concorrência de marketplaces como Mercado Livre e Amazon, tem apertado as margens do setor e acelerado movimentos de consolidação, como a fusão entre PetZ e Cobasi.

Brasil é potência regional independente em pet food

Em seguida, Iván Franco, fundador da Triplethree International Market Research, apresentou o panorama do mercado brasileiro de alimentos para animais de estimação e sua posição no cenário global. Para Franco, o Brasil é a segunda maior potência mundial em pet food e se destaca por ser um mercado regional independente, com infraestrutura, acesso a grãos e proteína própria que dispensam importações, ao contrário de países como México, Colômbia e Equador, que dependem da importação de insumos e, por isso, priorizam produtos de menor custo.

O especialista citou que o país tem cerca de 2.500 produtos registrados no Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), com participação relevante do segmento super premium, diferentemente de boa parte da América Latina, onde o segmento econômico ainda predomina. 

Iván Franco coloca o Brasil como segundo maior mercado pet mundial.Iván Franco coloca o Brasil como segundo maior mercado pet mundial.GN2 Conteúdo

Segundo Franco, a indústria brasileira caminha para um cenário de valorização da nutrição funcional, de alimentos úmidos e da formalização do segmento de alimentação natural (Alimentação Crua Biologicamente Apropriada/BARF), hoje com 70 registros no Ministério, além de importar algumas marcas e SKUs premium europeus. 

Considerando apenas o volume consumido com cães e gatos, os cães respondem por cerca de 75%, mas o segmento dos felinos é o que mais cresce no Brasil e no mundo, com mais espaço para inovação em fórmulas voltadas a gatos castrados e em soluções culinárias.

Proteína microbiana: nova alternativa promete nutrição e funcionalidade

À tarde, Ally Motta, especialista sênior em produtos e aplicações da MicroHarvest, propôs um olhar sobre a proteína além da nutrição tradicional. Segundo Motta, a decisão do tutor hoje passa também pelo desejo de que o pet viva mais e melhor, o que impulsiona o mercado a evoluir de oferecer calorias para oferecer funcionalidade, de probióticos a fontes proteicas diferenciadas.

A especialista apresentou a proteína microbiana unicelular, ou proteína cultivada, como resposta à pressão por sustentabilidade sobre a cadeia de proteínas. Um dos entraves é a quantidade de proteína necessária para suprir a demanda, tanto de humanos quanto de animais. Por exemplo, Motta citou que 18 milhões de toneladas de peixe são retiradas dos oceanos por ano, sendo grande parte para alimentar outros peixes de criação. Além disso, ela alerta que a demanda por proteína deve dobrar até 2050. 

Segundo Motta, a proteína microbiana produzida a partir de bactérias aparece como uma solução nesse cenário, pois permite gerar cerca de uma tonelada em 24 horas em pouco espaço, com menos água e terra do que as proteínas convencionais. 

Ally Motta, da Microharvest, aponta a proteína microbiana como alternativa sustentável para as demandas da alimentação petAlly Motta, da Microharvest, aponta a proteína microbiana como alternativa sustentável para as demandas da alimentação petGN2 Conteúdo

Além disso, a proteína cultivada mantém os benefícios esperados para a alimentação pet. Em sua apresentação, Motta destacou estudos que apontam que a proteína alcança 89% de digestibilidade aparente em cães, acima da média considerada alta na nutrição animal, de 85%. 

Outros destaques foram ganhos em eficiência de extrusão, redução do uso de energia, melhor expansão do grão, maior estabilidade térmica e capacidade de emulsificação em alimentos úmidos, assim como 100% de aceitação nos testes, sem episódios de rejeição alimentar.

Segurança alimentar sob a ótica da exportação

Em seguida, Franklin Guarisma, diretor de segurança e estratégias alimentares da Global Food Safety International, tratou da aplicação prática da Lei de Modernização da Segurança Alimentar (FSMA/FDA) para fábricas brasileiras que exportam para os Estados Unidos e para a União Europeia. Segundo o especialista, a complexidade crescente das formulações exige planos de controle preventivo fundamentados na norma 21 CFR Part 507, com a supervisão de um profissional qualificado (PCQI).

Guarisma chamou a atenção para o conceito de "perigo razoavelmente previsível", que considera não só a saúde do animal, mas também a do tutor. Como exemplo, citou o caso da Salmonella, bactéria patogênica para humanos, mas que pode ser assintomática em pets. 

Franklin Guarisma reforça os requisitos para a adequação à normas de mercados como os Estados Unidos e a UE para exportadores e os benefícios gerais para a produção.Franklin Guarisma reforça os requisitos para a adequação à normas de mercados como os Estados Unidos e a UE para exportadores e os benefícios gerais para a produção. GN2 Conteúdo

Assim, um cão que ingere uma ração contaminada pode não apresentar sintomas, mas uma criança ou um adulto que manuseia o alimento pode adoecer. Para ele, o trecho pós-letalidade das fábricas, entre o tratamento térmico e o envase, é o ponto mais vulnerável à recontaminação e o principal gatilho de recalls e alertas de importação que afetam a reputação das empresas no mercado internacional.

Probióticos: de diferencial estético a demanda por funcionalidade

Encerrando a programação, Ananda Portella Félix, professora e pesquisadora em nutrição de animais de estimação na Universidade Federal do Paraná, apresentou o panorama do uso de probióticos em pet food, mercado que deve chegar a US$ 3,09 bilhões (cerca de R$ 16,9 bilhões) até 2033. Segundo a pesquisadora, os probióticos e prebióticos deixaram de ser um diferencial estético para se tornarem uma demanda por funcionalidade e longevidade. Ainda assim, segundo os dados que foram apresentados pela pesquisadora, fatores como teor de fibra e digestibilidade das proteínas têm impacto biológico maior sobre a saúde digestiva do que a simples adição de micro-organismos.

Ananda Felix ressalta que os benefícios dos bióticos na alimentação pet são relevantes, mas fibras e digestibilidade da proteína ainda trazem mais impacto biológico.Ananda Felix ressalta que os benefícios dos bióticos na alimentação pet são relevantes, mas fibras e digestibilidade da proteína ainda trazem mais impacto biológico.GN2 Conteúdo

Ananda também destacou o desafio tecnológico da resistência térmica dos probióticos durante a extrusão, apontando leveduras como a Saccharomyces cerevisiae e bactérias esporuladas do gênero Bacillus como alternativas mais robustas ao calor. Entre as tendências para o setor no Brasil, ela citou simbióticos, micro-organismos voltados à saúde oral e de pele, a regulação dos eixos intestino-cérebro e intestino-rim, além de avanços em encapsulamento de bioativos e liofilização, o que deve abrir espaço para produtos super premium e terapêuticos.

Um programa pensado para toda a cadeia de pet food

O Petfood Forum 2026 reforçou, mais uma vez, a importância da inovação, da eficiência produtiva e da sustentabilidade como pilares para o avanço do setor, destacando o papel do investimento em pesquisa, tecnologia e dados de mercado no desenvolvimento de novos produtos e na tomada de decisão da indústria brasileira de pet food.

Vem aí! Nos próximos meses, serão divulgados detalhes sobre o Petfood Forum Brasil 2027.

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