Imposto de importação da UE pode transformar o e-commerce de alimentos para pets

Novo imposto aduaneiro da União Europeia sobre encomendas de baixo valor deve transformar mais logística do comércio eletrônico do que afetar vendas convencionais de alimentos para pets

The EU's new €3 import tax on low-value shipments starting July 2026 is reshaping pet food e-commerce by reducing price advantages for direct sellers from outside the bloc, accelerating a shift toward larger orders, EU warehousing, and local distribution networks rather than significantly disrupting the overall European pet food market.

  • The EU introduced a temporary €3 tariff on shipments under €150, replacing the previous tax-free threshold that had favored non-EU sellers since July 1, 2026.
  • Low-value imports surged to 5.8 billion parcels in 2025, up 26% annually, with platforms like Temu and Shein driving growth primarily from China.
  • Pet food experts expect limited market-wide impact because most European pet food is already EU-manufactured or imported through compliant channels with health and safety controls.
  • Larger sellers are adapting by consolidating orders, establishing EU warehouses, and partnering with local distributors rather than abandoning the European market.
  • The tax will primarily affect low-cost individual treats and supplements, while having minimal impact on premium products, multipacks, and conventional wet or frozen pet foods.

O novo imposto aduaneiro de €3 (R$ 18,12) da União Europeia (UE) sobre importações de baixo valor pode reduzir a vantagem de preço de vendedores de fora do bloco que comercializam petiscos, suplementos e outros produtos leves para pets, mas dificilmente terá impacto significativo no mercado europeu de alimentos para pets como um todo. Em vez disso, a medida pode acelerar uma mudança em direção a pedidos online maiores, ao armazenamento na UE e a operações de distribuição locais, à medida que vendedores estrangeiros se adaptam às novas regras.

A UE introduziu, em 1º de julho de 2026, um imposto aduaneiro temporário de €3 (R$ 18,12) sobre remessas de baixo valor, inferiores a €150 (R$ 906), substituindo a isenção anterior de imposto de importação para esses envios.

A reforma foi impulsionada principalmente pelo rápido crescimento das importações via comércio eletrônico, especialmente da China. As autoridades da UE argumentaram que a antiga isenção para remessas de até €150 dava aos vendedores online de fora do bloco uma vantagem sobre os varejistas europeus.

Em 2025, 5,8 bilhões de encomendas de baixo valor entraram na UE, um aumento de 26% em relação ao ano anterior, com plataformas como Temu e Shein impulsionando boa parte desse crescimento.

Os alimentos para pets estavam entre os produtos importados por meio desse canal de comércio eletrônico de baixo valor, especialmente itens leves, como petiscos, suplementos e outros produtos para animais vendidos diretamente aos consumidores, embora o volume exato desse tipo de comércio ainda seja desconhecido.

Taxa de importações de baixo valor dificilmente será um divisor de águas

Para a indústria europeia de alimentos para pets, o novo imposto dificilmente será um divisor de águas, segundo especialistas.

“A grande maioria dos alimentos para pets fornecidos aos tutores europeus é fabricada dentro da UE ou importada em conformidade com os requisitos aplicáveis do bloco”, afirmou a assessoria de imprensa da Federação Europeia da Indústria de Alimentos para Animais de Estimação (FEDIAF), à Petfood Industry.

“Diante dos controles sanitários e fitossanitários, das obrigações de certificação e das verificações de fronteira que já se aplicam aos produtos de origem animal, a FEDIAF não espera que o novo imposto sobre importações de baixo valor tenha um impacto significativo no setor de alimentos para pets como um todo”, acrescentou a entidade.

Ao mesmo tempo, a FEDIAF demonstrou apoio ao princípio que fundamenta a medida.

“Os alimentos para pets comercializados no mercado da UE devem atender a elevados padrões de segurança, rastreabilidade e proteção ao consumidor, independentemente de onde sejam produzidos”, acrescentou a FEDIAF. Medidas que apoiem a aplicação consistente desses requisitos e ajudem a garantir condições de concorrência equilibradas para todos os operadores são, portanto, desenvolvimentos positivos, segundo a entidade. 

A FEDIAF não está sozinha no apoio à medida. Diversas outras organizações do setor e do comércio também receberam bem a reforma como uma forma de enfrentar os desafios de competitividade e fiscalização provocados pelo rápido crescimento das importações de baixo valor.

A Associação Europeia de Agenciamento, Transporte, Logística e Serviços Aduaneiros (CLECAT) apoia a decisão da UE de introduzir uma tarifa aduaneira fixa sobre importações de baixo valor realizadas por meio do comércio eletrônico, afirmou Nicolette van der Jagt, diretora-geral da CLECAT, à Petfood Industry.

“O crescimento muito rápido das remessas de baixo valor que entram na UE criou desafios significativos para as autoridades aduaneiras e para as empresas europeias que operam de forma regular, e acreditamos que medidas que contribuam para condições de concorrência mais equilibradas e para um maior cumprimento das regras da UE são justificadas”, acrescentou van der Jagt.

Cadeia de suprimentos se adapta

A medida inevitavelmente afetará alguns modelos de negócio de comércio eletrônico existentes, incluindo aqueles que dependem fortemente de remessas diretas de baixo valor provenientes de países terceiros, como as importações de alimentos para pets da China, segundo van der Jagt.

“Esperamos que a indústria e suas cadeias de suprimentos se adaptem, por exemplo, por meio de mudanças nos modelos de fornecimento, consolidação ou distribuição”, acrescentou van der Jagt.

O imposto aduaneiro adicional poderia eliminar boa parte da vantagem de preço de petiscos ou suplementos individuais de baixo custo, segundo Nandini Roy Choudhury, analista sênior da Future Market Insights, consultoria de inteligência de mercado, à Petfood Industry.

Ao mesmo tempo, Choudhury acrescentou que o efeito será menor sobre cestas de compras maiores, produtos premium e produtos diferenciados, nos quais os consumidores buscam funcionalidade, e não simplesmente o menor preçoPara analistas, a concorrência de vendedores diretos ao consumidor (direct-to-consumer, ou DTC) de fora da UE ainda é relativamente limitada no mercado convencional europeu de alimentos para pets.

Choudhury estima que as importações diretas de baixo valor representem uma parcela de um dígito baixo do mercado geral de alimentos para pets da UE. “O mercado ainda é dominado por fabricantes da UE, marcas multinacionais com produção europeia, supermercados e varejistas especializados consolidados, como Zooplus e Fressnapf”, afirmou. 

A Future Market Insights espera que a reforma tenha maior probabilidade de alterar o modelo operacional de grandes vendedores de fora da UE do que de fazê-los abandonar o mercado europeu. Marcas maiores e vendedores em marketplaces podem se adaptar consolidando pedidos em remessas de maior valor e estabelecendo armazéns ou centros de distribuição dentro da UE.

Outras alternativas incluem abastecer marketplaces europeus por meio de importadores da UE, aumentar os valores mínimos de pedido, promover multipacks ou substituir o envio direto de encomendas por importações em grandes volumes e distribuição local.

Alimentos secos convencionais, alimentos úmidos, alimentos frescos ou congelados e dietas veterinárias devem sofrer impacto direto limitado, segundo Choudhury. “Esses segmentos já são protegidos pela economia associada ao peso, pela distribuição europeia estabelecida, pelos requisitos regulatórios e pela maior sensibilidade dos consumidores em relação à segurança e à confiabilidade nutricional.”

Página 1 de 5
Próxima Página