
Resumo
- Brasil concentra 82% da receita das 10 maiores empresas: as cinco primeiras posições do ranking são ocupadas por fabricantes brasileiros.
- Receita combinada chega a R$ 15,13 bilhões: as dez empresas somaram US$ 2,978 bilhões (cerca de R$ 15,13 bilhões) em faturamento em 2025, dos quais as empresas brasileiras responderam por aproximadamente US$ 2,441 bilhões (R$ 12,40 bilhões).
- Localização estratégica faz a diferença: no Brasil, os principais fabricantes estão concentrados nos estados de São Paulo e Paraná, conectando regiões produtoras de insumos agropecuários aos mercados consumidores e à infraestrutura logística.
- Argentina, Chile e Paraguai completam o ranking: os países aparecem com uma ou duas empresas, todas localizadas próximas a importantes regiões agrícolas.
- Cadeias do agronegócio determinam a competitividade: a localização das fábricas acompanha as principais áreas de produção de grãos, pecuária e processamento de alimentos da América do Sul.
As empresas brasileiras de alimentos para pets dominaram o ranking dos dez maiores faturamentos em pet food da América do Sul em 2025. Fabricantes nacionais ocuparam as cinco primeiras posições no banco de dados Top Companies, da Petfood Industry, representando 82% do faturamento total entre os ranqueados. Empresas da Argentina, Chile e Paraguai completam a lista.
Juntas, as companhias registraram receita anual de US$ 2,978 bilhões (cerca de R$ 15,13 bilhões), dos quais US$ 2,441 bilhões (R$ 12,40 bilhões) são atribuídos às brasileiras.
O ranking da Petfood Industry considera o faturamento anual autodeclarado pelas fabricantes por meio dos formulários enviados para a composição do banco de dados Top Companies 2026, elaborado anualmente pela publicação. Confira a classificação completa:
- 1º: Premier Pet (Brasil)
- 2º: BRF Pet SA (Brasil)
- 3º: Special Dog (Brasil)
- 4º: Adimax Indústria e Comércio de Alimentos Ltda. (Brasil)
- 5º: Total Alimentos SA (Brasil)
- 6º: Petfood Saladillo (Argentina)
- 7º: Empresas Carozzi (Chile)
- 8º: Champion Pet Care (Chile)
- 9º: Vitalcan (Argentina)
- 10º: Industrias Trociuk (Paraguai)
Brasil conecta produção de pet food ao agronegócio e ao mercado consumidor
A liderança brasileira no ranking acompanha a posição do país como um dos maiores mercados pet do mundo, a maior economia da América do Sul e um dos maiores produtores agrícolas do mundo. A indústria nacional de pet food também se beneficia da ampla oferta doméstica de milho, soja e ingredientes de origem animal.
Além disso, a localização de grande parte dos fabricantes líderes demonstra a forte conexão entre as cadeias de suprimento do agronegócio e os grandes mercados consumidores do Sudeste.
A PremieRpet, primeira colocada, mantém seu complexo industrial original em Dourado, no interior de São Paulo. O complexo reúne três fábricas dedicadas à produção de alimentos secos, biscoitos e alimentos úmidos para pets, além do centro de desenvolvimento nutricional e do laboratório da empresa. A PremieRpet também instalou um complexo industrial em Porto Amazonas (PR).
Essas unidades posicionam a produção em dois dos principais estados brasileiros na agricultura e na indústria de alimentos. O Paraná é um dos maiores produtores de soja e milho do país, enquanto São Paulo combina produção agrícola com a maior concentração nacional de consumidores, infraestrutura logística e empresas do setor alimentício.
A BRF Pet, na segunda colocação, também reflete a integração entre a indústria de alimentos para pets e a cadeia brasileira de proteínas animais.
São Paulo concentra um polo industrial de pet food
A Special Dog Company, terceira colocada no ranking regional, representa outro exemplo da concentração da produção de alimentos para pets no interior paulista.
A empresa foi fundada em Santa Cruz do Rio Pardo, em 2001, onde permanece sediada. Sua localização proporciona acesso à economia agrícola do oeste paulista e do Paraná, mantendo, ao mesmo tempo, conexão rodoviária com os grandes mercados metropolitanos do Sudeste.
A Special Dog registrou diversos avanços ao longo de 2025. A empresa lançou a linha Bionatural e apresentou os novos produtos durante um evento da indústria brasileira de nutrição animal. Seu relatório de sustentabilidade de 2025 também mostrou a continuidade dos investimentos em gestão de resíduos. A empresa informou uma taxa geral de reciclagem de 99,1% dos resíduos gerados no ano e de 99,98% quando considerados apenas os materiais recicláveis.
A Special Dog também informou que apoiou 45 iniciativas de bem-estar animal por meio do programa Bem Nutrir em 2025, doando mais de 110 toneladas de alimentos para pets, beneficiando mais de 8 mil animais.
A Adimax, quarta colocada, possui uma presença industrial ainda mais ampla. A empresa iniciou sua produção em Salto de Pirapora (SP), mas atualmente mantém fábricas em São Paulo, Paraná, Bahia, Pernambuco, Minas Gerais e Goiás.
Essa rede conecta a produção de alimentos para pets a algumas das principais regiões agrícolas do Brasil, ao mesmo tempo em que aproxima as fábricas dos maiores mercados consumidores do Sudeste, Sul, Nordeste e Centro-Oeste. A Adimax também opera uma empresa própria de transporte e logística, criada para distribuir produtos entre suas fábricas e os pontos de venda.
A Total Alimentos, quinta colocada, completa o domínio brasileiro entre as cinco maiores empresas do ranking.
Argentina alia produção agropecuária e acesso aos mercados de exportação
A Argentina aparece no ranking com duas empresas: Petfood Saladillo, na sexta posição, e Vitalcan, na nona posição.
A Petfood Saladillo está localizada na cidade de Saladillo, na província de Buenos Aires, inserida na região agrícola dos Pampas argentinos. Essa localização conecta diretamente a empresa a uma das maiores áreas produtoras de grãos e de pecuária da América do Sul.
A empresa informa capacidade anual superior a 130 mil toneladas e opera cinco unidades que abrangem produção de alimentos para pets, armazenamento de grãos, processamento de soja, fabricação de aromas e produção de snacks úmidos e semiumidos. Além de fabricar suas próprias marcas, a companhia também produz alimentos para outras empresas.
Sua localização também facilita o acesso à infraestrutura rodoviária e de exportação da Argentina, além do mercado consumidor da região metropolitana de Buenos Aires.
As condições climáticas trouxeram desafios à região em 2025. O governo argentino decretou situação de emergência ou desastre agropecuário em áreas afetadas da província de Buenos Aires, incluindo Saladillo, após enchentes registradas ao longo do ano. A medida evidencia que a proximidade com a produção agrícola, embora favoreça o abastecimento de matérias-primas, também pode expor fabricantes de alimentos e seus fornecedores aos impactos de eventos climáticos regionais.
Empresas chilenas conectam produção ao principal corredor econômico do país
O Chile contribuiu com duas empresas no ranking: Empresas Carozzi e Champion Pet Care.
As Empresas Carozzi é uma fabricante diversificada de alimentos, cujo portfólio inclui as marcas de alimentos para pets Master Dog e Master Cat. Suas operações estão concentradas no principal corredor econômico chileno, onde se localizam grande parte da população, da indústria de alimentos, da agricultura e da infraestrutura logística do país.
O segmento de pet food foi um dos focos de investimento da Carozzi em 2025. A empresa informou que a nova linha de produção de alimentos úmidos para pets em sua unidade de Lontué permitiu conquistar mais de 30% do mercado chileno de alimentos úmidos para animais de companhia durante o ano. Lontué está localizada na região de Maule, importante polo agrícola e de processamento de alimentos ao sul de Santiago.
A Carozzi também anunciou investimentos de US$ 36 milhões (aproximadamente R$ 183 milhões) em seu centro industrial de Nos, na região metropolitana de Santiago, destinados à ampliação da capacidade de distribuição e à construção de um centro de distribuição de alimentos congelados. Embora o projeto não seja específico para pet food, ele ilustra a infraestrutura logística que sustenta as operações da empresa.
A empresa também passou por uma mudança societária em 2025, quando a sul-africana Tiger Brands concordou em vender sua participação de 24,4% nas Empresas Carozzi de volta à companhia. A transação consolidou o controle da companhia sob sua controladora chilena.
Paraguai amplia a presença do ranking em importante região produtora de grãos
A Industrias Trociuk ficou na décima posição, tornando o Paraguai o quarto país representado no ranking.
A presença da empresa acrescenta uma nova dimensão agrícola ao mapa regional. A Trociuk está associada ao departamento de Itapúa, uma das principais regiões agrícolas do Paraguai. A economia local inclui forte produção de grãos, especialmente milho, formando uma base agrícola relevante para a fabricação de rações e alimentos para pets.
Itapúa também ocupa posição estratégica próxima às fronteiras com a Argentina e o Brasil. Essa localização insere os fabricantes em uma ampla rede agrícola e comercial que conecta o sul do Brasil, o leste paraguaio e o nordeste argentino.
O mapa da indústria de pet food acompanha a geografia econômica da América do Sul
As dez maiores empresas sul-americanas de pet food demonstram uma estreita relação entre a localização das fábricas e a geografia econômica da região. As cinco empresas brasileiras mais bem colocadas operam em um país que reúne grande disponibilidade de commodities agrícolas e proteínas animais com o maior mercado consumidor da América do Sul.
As empresas argentinas estão posicionadas dentro ou próximas da economia agrícola dos Pampas e do mercado consumidor de Buenos Aires. Os fabricantes chilenos se beneficiam do principal corredor industrial, agrícola e populacional do país, enquanto a presença paraguaia conecta a produção de alimentos para pets a uma importante região produtora de grãos e a uma rede de comércio transfronteiriço.
O resultado é uma indústria de alimentos para pets concentrada não apenas nas maiores cidades do continente, mas também distribuída ao longo de uma ampla rede formada por regiões agrícolas, polos de processamento de alimentos, rodovias, infraestrutura de distribuição e corredores de exportação. Para os maiores fabricantes sul-americanos de pet food, acesso às matérias-primas e proximidade dos consumidores continuam sendo fatores indissociáveis para a competitividade.


















