
Em 2002, Adir Comunello, do interior de Santa Catarina e com ampla base de conhecimento no setor de agropecuária, apostou em um nicho de mercado que ainda não recebia muita atenção: pequenos pet shops que careciam de produtos de boa qualidade e a preços acessíveis.
Vinte e quatro anos depois, a aposta se pagou. Não só a Adimax construiu corpo ao oferecer produtos e serviços de qualidade para o que se tornou o maior canal de varejo do setor, como também possibilitou investimentos que hoje a colocam entre os líderes dos segmentos premium e super premium no país.
Atualmente, a empresa conta com sete fábricas. Além da matriz, em Salto de Pirapora, interior de São Paulo, são duas instalações em Minas Gerais e quatro distribuídas por Goiás, Pernambuco, Bahia e Paraná.
A grande aposta: serviços e produtos de qualidade para o pequeno varejista
O canal que impulsionou a Adimax no início dos anos 2000 continua sendo um dos mais relevantes do mercado pet brasileiro. Segundo a Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação (Abempet), pequenos e médios pet shops movimentam R$ 37,49 bilhões por ano e respondem por 48,1% de todo o varejo do setor.
Quando a empresa começou suas operações, porém, esse mercado recebia atenção limitada dos principais players do setor, composto principalmente por multinacionais. Enquanto as gigantes concentravam esforços em supermercados e grandes redes, a Adimax direcionou sua estratégia para um varejo pulverizado, formado por milhares de lojistas independentes espalhados pelo país.
A decisão ajudou a moldar a companhia. Ao longo dos anos, a empresa desenvolveu uma operação voltada para atender um grande volume de clientes, apoiada por uma relação próxima com o varejo e uma estrutura logística própria, que evoluiu para a Trans Adimax, uma empresa dedicada ao transporte e logística de produtos para animais de estimação.
“Esse era o verdadeiro diferencial da Adimax, um nível de serviço alto, proximidade do cliente e produto de qualidade que podia ser mais básico no começo, mas que atendia à necessidade daquele varejista de ter uma opção nutritiva, num preço acessível e com um bom atendimento”, conta Philip So, diretor comercial da empresa.
Expansão pulverizada em pequenos pet shops deu corpo à Adimax. Hoje, a empresa conta com sete fábricas próprias. Divulgação | Adimax
A estratégia permaneceu a mesma por anos, até que a companhia se tornou uma das principais empresas em volume de faturamento do Brasil. “Nesse momento, para que a empresa continuasse a crescer, a rota precisava mudar e o olhar se virou para o atendimento de um novo perfil de público”, afirma So.
Há cerca de sete anos, a companhia iniciou um movimento para ampliar sua atuação em categorias de maior valor agregado, acompanhando mudanças que começavam a ganhar força no mercado global, como a humanização e a premiumização dos pets.
O processo passou pela contratação de especialistas em nutrição animal, veterinários, mestres e doutores, além da ampliação dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento. A partir daí, a empresa começou a expandir um portfólio que hoje reúne desde alimentos econômicos até produtos super premium, além de petiscos, alimentos terapêuticos e soluções voltadas para necessidades específicas de cães e gatos.
Para So, esse movimento fez com que a Adimax assumisse o posto de uma das empresas mais inovadoras do Brasil, capazes de atender o mercado desde o alimento extrusado econômico até o super premium. “Em menos de uma década, a Adimax se converteu de uma empresa massiva, de produtos mais básicos, para uma empresa inovadora, que acompanha tendências e trabalha com um portfólio muito amplo e completo. Foi uma transformação enorme e que, na minha visão, é hoje um dos grandes diferenciais da companhia. Temos um portfólio muito bem aceito e com alta qualidade percebida por tutores, veterinários e formadores de opinião do mercado pet.”
Portfólio que dita tendências
Essa transformação também pode ser observada na evolução do portfólio da companhia. Hoje, a Adimax trabalha com marcas voltadas a diferentes canais e perfis de consumidores. No canal especializado, formado por pet shops, clínicas veterinárias e casas agropecuárias, a empresa atua com Fórmula Natural, Origens, Magnus, Capitão Dog e Gatan. Já os supermercados são atendidos pelas marcas Quality e Domus.
Entre elas, Magnus ocupa um papel importante na trajetória da companhia. Lançada nos primeiros anos de expansão da Adimax, a marca se tornou um dos principais vetores de crescimento do negócio e ajudou a consolidar sua presença nacional. Ao longo dos anos, a estratégia de divulgação incluiu ações nos pontos de venda, campanhas institucionais e investimentos em esportes.
Nos últimos anos, porém, o foco da empresa passou a se concentrar em Fórmula Natural, marca criada para atender a uma demanda crescente por produtos de maior valor agregado. “Com a evolução do mercado, fomos desenvolvendo produtos com qualidade nutricional superior, ingredientes diferenciados e benefícios voltados para a saúde dos animais”, afirma So.
A estratégia acompanha uma tendência observada em diferentes mercados. À medida que os animais de estimação passaram a ocupar um papel cada vez mais central nas famílias, atributos como ingredientes funcionais, naturalidade e benefícios específicos para a saúde ganharam relevância na decisão de compra dos tutores.
“Quando olhamos para a alimentação humana, vemos uma busca crescente por saudabilidade e ingredientes mais naturais. Essa mesma tendência aparece na alimentação pet. O consumidor procura alimentos com maior valor nutricional e ingredientes que atendam às necessidades específicas dos animais”, diz So.
Essa lógica orienta a evolução da linha Fórmula Natural que, nos últimos anos, ampliou a oferta de produtos livres de transgênicos, com antioxidantes naturais e ingredientes funcionais voltados para demandas como saúde intestinal, suporte articular, cuidados com pele e pelagem e saúde oral. Entre os lançamentos recentes estão snacks formulados com a alga Ascophyllum nodosum, ingrediente utilizado para auxiliar na redução da placa bacteriana e da formação de tártaro em cães.
“Toda a nossa estratégia de desenvolvimento está muito focada em Fórmula Natural. É a marca que hoje endereça as principais demandas que vemos surgir no mercado e onde estão as nossas maiores apostas para o futuro”, afirma.
Sustentabilidade social no DNA
E falando de futuro, pensar nos próximos passos da Adimax também significa pensar sobre propósito. Embora a empresa tenha ampliado sua presença industrial, investido em inovação e expandido seu portfólio, parte de sua identidade continua ligada a iniciativas sociais que remontam à visão de seu fundador.
O Centro de Treinamento de Cães de Serviço do Instituto Adimax é responsável pela formação do maior número de cães-guia entregues no Brasil.Divulgação | Adimax
Segundo So, o envolvimento com causas sociais sempre esteve presente na trajetória de Adir Comunello e acabou incorporado à cultura da organização. As ações são direcionadas principalmente para pessoas com deficiência, idosos em situação de vulnerabilidade e projetos de inclusão social.
“É algo muito pessoal do fundador e que ele faz permear pela organização. Existe um estímulo constante para que as pessoas identifiquem oportunidades reais de ajudar instituições, idosos carentes, pessoas com deficiência e projetos ligados ao esporte adaptado. É uma preocupação muito genuína e que acaba fazendo parte do negócio e das pessoas”, afirma.
Nos últimos anos, essas iniciativas passaram a ser reunidas sob uma mesma estrutura. O antigo Instituto Magnus evoluiu para o Instituto Adimax, responsável por concentrar programas sociais da companhia e ampliar seu alcance. Um dos principais pilares é o Centro de Treinamento de Cães de Serviço do Instituto Adimax, considerado o maior da América Latina e responsável pela formação do maior número de cães-guia entregues no Brasil.
A iniciativa também reúne programas como o Magnus Visita, que leva cães terapeutas a hospitais, asilos, orfanatos e escolas, além de projetos como Ração Solidária, que promove a arrecadação de rações para ONGs e protetores da causa animal, Nutrindo Amor, que incentiva a doação de fraldas geriátricas para casas de repouso por lojistas parceiros, e Carrinho Solidário, feito em conjunto com distribuidores e supermercados parceiros com o intuito o intuito de ajudar famílias de baixa renda por meio da doação de cestas básicas e arrecadação de alimentos.
Por meio do Instituto Adimax, a empresa apoia o time Magnus Futsal, de Sorocaba, e promove a inclusão social no esporte com iniciativas como o projeto Pequenos de Raça, que beneficia crianças e adolescentes de famílias carentes ensinando futebol e valores como disciplina e trabalho em equipe.Divulgação | Adimax
Embora as ações sociais façam parte da história da companhia há mais de uma década, a divulgação dessas iniciativas ganhou mais espaço recentemente. Segundo So, o objetivo é ampliar o conhecimento sobre os projetos e criar novas oportunidades de apoio por meio de parceiros, lojistas e da própria comunidade pet.
“Quando as pessoas visitam a empresa e conhecem o instituto, normalmente ficam impressionadas com a quantidade de ações realizadas e com o impacto que elas geram. Por muito tempo isso foi algo tratado de forma bastante discreta, mas entendemos que dar visibilidade ao trabalho também ajuda a ampliar seu alcance”, diz.
A agenda de responsabilidade da companhia também inclui iniciativas voltadas à sustentabilidade ambiental. Entre elas estão o uso de materiais recicláveis nas embalagens, ações de logística reversa e a adoção de energia renovável em todas as unidades produtivas. Há dez anos, a Adimax utiliza energia de fontes renováveis em sua operação. Desde 2016, a iniciativa evitou a emissão de mais de 19,6 mil toneladas de gases de efeito estufa, segundo dados da empresa. A iniciativa é reconhecida pela Enerbrax por meio do certificado de Redução de Emissão de Gases de Efeito Estufa.
Para So, tanto os projetos sociais quanto os investimentos ambientais refletem uma visão de longo prazo que acompanha o crescimento da companhia.
Próximos 5 anos: Adimax aposta em expansão geográfica da qualidade
Os próximos anos da companhia devem ser guiados pela expansão geográfica da marca, tanto no Brasil quanto no exterior. Segundo So, a empresa vê espaço para ampliar a distribuição de suas linhas de maior valor agregado em um momento em que mercados da América Latina passam por transformações semelhantes às observadas no Brasil, impulsionadas pela busca por produtos mais focados em saudabilidade e bem-estar animal.
“O grande motor de crescimento para os próximos anos continua sendo a Fórmula Natural. Existe muito trabalho pela frente para ampliar a distribuição e a disponibilidade da marca, tanto no mercado brasileiro quanto na exportação”, afirma.
Atualmente, a Adimax já exporta para a maior parte dos países da América do Sul e vem trabalhando para ampliar sua presença internacional. O avanço, porém, ocorre de forma gradual, apoiado na construção de parcerias comerciais e nos processos de registro de produtos e marcas em novos mercados.
“Hoje já temos cerca de 90% da América do Sul coberta pelas exportações. É um processo que exige tempo, mas estamos estruturando toda a base necessária para avançar de forma mais acelerada nos próximos anos, visando mercados da Europa e do Oriente Médio. A expectativa é de um crescimento expressivo da exportação nos próximos cinco anos”, diz.
A expansão internacional ocorre em um contexto diferente daquele que impulsionou o setor durante a pandemia. Após anos de crescimento acelerado, o mercado pet passou a apresentar um ritmo mais moderado, especialmente em volume.
Para So, esse cenário exigirá uma combinação entre disciplina operacional e capacidade de inovação. Entre os desafios estão as mudanças tributárias em curso no país e seus impactos sobre a cadeia de produção, assim como a necessidade de manter o crescimento em um mercado cada vez mais maduro.
“O desafio é entender como aproveitar as oportunidades de inovação, de novos lançamentos e de novos mercados para continuar crescendo. O mercado já não apresenta os mesmos índices de expansão de alguns anos atrás e, por isso, precisamos ser cada vez mais assertivos”, afirma.
A visão dialoga com uma frase frequentemente repetida por Adir Comunello dentro da companhia: é preciso ter “um pé no chão e um pé na lua”. A expressão resume a forma como a empresa projeta seu futuro, combinando ambição para buscar novas oportunidades de crescimento com atenção permanente aos desafios e às transformações do mercado.

















