Palatabilidade de proteínas sustentáveis depende do processamento e da formulação

Quando formuladas e processadas adequadamente, proteínas alternativas também podem oferecer as características sensoriais que estimulam cães e gatos a consumirem o alimento de forma consistente

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Tim Wall | Imagem gerada por ferramentas de IA

Resumo

  • O processamento pesa mais do que o ingrediente: hidrolisados proteicos, fermentação e outras técnicas de processamento aumentam significativamente a palatabilidade de proteínas alternativas em alimentos para pets.
  • Principais métodos utilizados: fermentação com Aspergillus oryzae e Candida utilis, hidrólise de proteínas de peixe e frango, além do processamento térmico por retorta aplicado a proteínas de insetos.
  • Mecanismos químicos: o processamento gera peptídeos responsáveis pelo sabor, aminoácidos livres e compostos voláteis que intensificam aromas e sabores naturalmente preferidos por cães e gatos.
  • Fontes alternativas com resultados promissores: larvas de mosca-soldado-negra, proteína de grilo, soja fermentada, ingredientes à base de leveduras e proteína de lentilha-d'água apresentaram boa palatabilidade quando processados adequadamente.
  • Benefício duplo: proteínas alternativas bem formuladas contribuem para metas de sustentabilidade e também favorecem a saúde dos pets, melhorando a digestibilidade e mantendo a absorção de nutrientes.

À medida que a indústria de alimentos para pets amplia o uso de fontes alternativas de proteína com menor impacto ambiental do que as carnes tradicionais, surge uma questão fundamental: os animais realmente irão consumi-las? Uma revisão da literatura científica indica que a resposta depende menos do ingrediente em si e mais da forma como ele é formulado e processado.

"Alimentos para pets contendo proteínas alternativas podem alcançar boa palatabilidade quando são processados e formulados adequadamente, conciliando sustentabilidade e aceitação pelos animais", escreveu Scott McGrane, PhD, do Waltham Petcare Science Institute, centro de pesquisa da Mars Petcare, em artigo publicado na revista Advances in Small Animal Care.

A revisão analisou os seguintes ingredientes:

  • Proteína de lentilha-d'água (duckweed);
  • Farelo de soja fermentado com Aspergillus oryzae;
  • Amido de ervilha fermentado com Candida utilis;
  • Saccharomyces cerevisiae desidratada;
  • Produto de fermentação de Saccharomyces cerevisiae;
  • Larvas de mosca-soldado-negra (Black Soldier Fly);
  • Hidrolisado de proteína de grilo;
  • Hidrolisados de proteína de peixe;
  • Hidrolisados de proteína de fígado de frango;
  • Pó de fígado de frango hidrolisado e seco por atomização (spray drying).

Fatores químicos por trás da palatabilidade das proteínas alternativas

Os hidrolisados proteicos parecem desempenhar um papel central nesse processo. Segundo resultados publicados na revista Food Reviews International, proteínas hidrolisadas fornecem peptídeos, aminoácidos livres e compostos voláteis que intensificam tanto o sabor quanto o aroma, além de melhorar a funcionalidade dos ingredientes.

A revisão destaca que esses hidrolisados ajudam formulações à base de proteínas alternativas a reproduzir melhor as características sensoriais de sabor umami naturalmente preferidas por cães e gatos.

A fermentação pode oferecer benefícios semelhantes. De acordo com estudo publicado no Journal of Animal Science, alimentos para cães contendo farelo de soja fermentado com Aspergillus oryzae mantiveram boa digestibilidade e palatabilidade, demonstrando que proteínas vegetais podem apresentar bom desempenho quando o processamento melhora suas características sensoriais.

Da mesma forma, pesquisa publicada no Journal of Animal Physiology and Animal Nutrition mostrou que a fermentação do amido de ervilha com Candida utilis influenciou positivamente a resposta de palatabilidade em cães e gatos, evidenciando que o processamento pode afetar a aceitação do ingrediente independentemente de sua origem.

Proteínas de insetos também apresentaram resultados promissores. Segundo pesquisa publicada no Journal of Animal Science, gatos consumiram prontamente dietas contendo larvas de mosca-soldado-negra após processamento por retorta, mantendo níveis adequados de digestibilidade dos nutrientes.

Outro estudo, publicado na revista Veterinary World, mostrou que o hidrolisado de proteína de grilo contribuiu tanto para a palatabilidade quanto para a estabilidade do produto em dietas para cães.

Ingredientes à base de leveduras continuam despertando interesse tanto como fonte proteica quanto como intensificadores naturais de sabor. Pesquisa publicada na revista Translational Animal Science mostrou que dietas extrusadas contendo Saccharomyces cerevisiae desidratada mantiveram boa aceitação tanto por cães quanto por gatos.

Posteriormente, um estudo publicado na revista Animals constatou que um produto de fermentação de Saccharomyces cerevisiae manteve boa palatabilidade e ainda promoveu benefícios à saúde intestinal e a marcadores imunológicos em gatos.

Segundo a revisão, todas essas pesquisas convergem para uma mesma conclusão: a aceitação de um ingrediente não depende apenas de sua origem. A formação de compostos aromáticos durante o processamento, a produção de peptídeos responsáveis pelo sabor, a textura e a formulação completa do alimento determinam, em conjunto, se um ingrediente inovador será aceito pelos animais.

À medida que os fabricantes buscam reduzir o impacto ambiental de seus produtos e diversificar as fontes de proteína, a literatura científica indica que as proteínas alternativas não precisam se apoiar apenas em seus atributos de sustentabilidade. Quando formuladas e processadas de forma adequada, elas também podem oferecer as características sensoriais capazes de fazer cães e gatos voltarem ao comedouro.

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