
Tutores de pets estão fazendo perguntas mais difíceis sobre os suplementos que compram e, cada vez mais, apenas comprovações científicas são suficientes. Esse foi o tema central de um webinar realizado pela Kingdom, desenvolvedora e fabricante de ingredientes funcionais naturais.
Intitulado "From Proof to Purchase: How Clinically-Validated Postbiotics Pay Off for Pet Brands" (Da Prova à Compra: Como Pós-bióticos Clinicamente Validados Compensam para Marcas de Pets), o webinar contou com a participação de Kendall Dabaghi, cofundador e CEO da Kingdom, e Adrian Kerester, vice-presidente de crescimento da empresa.
O que é um pós-biótico?
Dabaghi estruturou a categoria de bióticos com uma analogia simples: probióticos são microrganismos vivos, as "fábricas" que produzem compostos benéficos para cães e gatos. Prebióticos são o que essas fábricas consomem para crescer. Pós-bióticos são os compostos benéficos que as fábricas criam.
Como os pós-bióticos são o produto final, em vez de um organismo vivo, eles não exigem os mesmos cuidados de manuseio que os probióticos, disse Dabaghi. Eles são estáveis em prateleira, mais fáceis de formular e podem ser entregues diretamente a uma parte específica do corpo, como a cavidade oral ou o intestino, gerando resultados mais consistentes do que culturas vivas, que geralmente apresentam variabilidade nas contagens de unidades formadoras de colônias (UFC).
Essa estabilidade e flexibilidade de formulação, combinadas com uma onda de interesse do consumidor, tornaram os pós-bióticos o segmento de crescimento mais rápido no mercado de bióticos para pets, de acordo com dados citados pelos palestrantes da pesquisa da MarketPlace apresentada na conferência NASC de 2026.
Tutores querem e podem pagar por resultados comprovados
A história mais importante, segundo Kerester, é o que os tutores de pets estão exigindo antes de confiar em uma alegação. "Os tutores de pets buscam benefícios comprovados e estão dispostos a pagar mais por eles", disse, acrescentando que os consumidores estão fazendo suas próprias pesquisas e gravitando em torno de produtos respaldados por estudos clínicos, em vez de apenas discursos de marketing.
O lado negativo de pular essa etapa, de acordo com Kerester, é que produtos que fazem alegações não comprovadas tendem a gerar rotatividade de clientes (churn), avaliações negativas e propaganda boca a boca negativa. Esses resultados custam caro para marcas que acabam precisando reformular produtos ou perdendo clientes fiéis.
O lado positivo segue na direção oposta: produtos respaldados por comprovação clínica podem exigir preços premium, impulsionar compras recorrentes e gerar um boca a boca positivo.
Dabaghi citou uma pesquisa de mercado mostrando que cerca de 75% dos compradores de produtos para pets buscam alegações comprovadas, sendo a comprovação clínica o tipo mais desejado. Mais da metade dos consumidores disse que pagaria um valor adicional por um produto que apresentasse um benefício clinicamente comprovado associado a ele.
Essa mudança explica por que tantas marcas estão se mobilizando para colocar "pós-biótico" na embalagem, mas Kerester alertou que o rótulo por si só não diz muito aos tutores de pets. "Um grande número de marcas está começando a colocar pós-biótico no rótulo. Isso é muito empolgante, mas também não diz nada sobre a eficácia por trás disso”, disse.
A oportunidade dos pós-bióticos
Essa distinção — entre um ingrediente pós-biótico comum e um clinicamente validado — foi o foco central dos palestrantes. Dabaghi observou que um pós-biótico genérico pode ser feito fermentando uma cepa e secando-a por atomização (spray-drying), o que tecnicamente qualifica o produto para receber o rótulo. "Mas, sem evidências clínicas, não é muito útil colocar isso no seu produto, porque ele pode não estar fazendo nada", explicou.
Dabaghi apontou alegações específicas e bem documentadas como o diferencial entre pós-bióticos genéricos e validados. Como exemplo do tipo de especificidade a que se referia, ele descreveu um ingrediente estudado por seu efeito na qualidade das fezes ao longo de um período de 28 dias. Em oposição a termos vagos como "auxilia na digestão", vale mais dizer que o ingrediente comprovadamente melhora a qualidade fecal em até um mês.
Dabaghi também apresentou uma lista de verificação para avaliar se um pós-biótico é comprovadamente eficaz. "Um pós-biótico validado clinicamente terá passado por um ensaio clínico randomizado, duplo-cego, controlado por placebo, com uma análise de poder estatístico clara, desfechos primários e secundários pré-especificados e um plano de análise pré-especificado, em vez de mineração de dados após o fato", disse ele, que ressalta que os resultados também devem se sustentar sob revisão por pares.
Kerester adicionou mais um critério que frequentemente fica fora de tais listas: a espécie. "É importante saber se o estudo foi realizado na população-alvo (cães e gatos) em comparação com outras espécies, humanos, animais de produção, etc.", disse ela.
O retorno: retenção e força de marca
O retorno para as marcas se reflete na retenção de clientes, disse Kerester. Como os tutores de pets conseguem perceber o benefício dentro da janela típica de recompra de 28 dias, eles têm mais probabilidade de comprar novamente, deixar avaliações favoráveis e recomendar o produto. Um ciclo que Kerester descreveu como um volante (flywheel) que também reduz os custos de aquisição de clientes e aumenta o valor do tempo de vida do cliente (lifetime value).
A conclusão para os formuladores, de acordo com ambos os palestrantes: uma alegação de pós-biótico por si só não é mais suficiente para diferenciar um produto. O que cada vez mais separa os líderes da categoria do restante é se a ciência por trás de um ingrediente é capaz de sobreviver à revisão por pares e se o benefício resultante é algo que o tutor de um pet realmente consegue perceber.


















