
Um grupo de cientistas identificou Salmonella e outras bactérias resistentes a antimicrobianos em petiscos mastigáveis para cães importados e comercializados nos Estados Unidos.
Pesquisadores da Universidade Estadual de Ohio, da Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA) e dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) analisaram 505 petiscos para animais de estimação adquiridos em supermercados, lojas de produtos para pets e agropecuárias, além de varejistas online, ao longo de um período de 16 meses.
A pesquisa, publicada na revista científica Preventive Veterinary Medicine, encontrou quatro amostras positivas para Salmonella, todas provenientes de petiscos de orelha suína originários do Brasil. Também foram detectadas diversas espécies bacterianas portadoras de resistência a antibióticos considerados criticamente importantes para a medicina humana, incluindo colistina e carbapenêmicos.
Produtos brasileiros importados apresentaram maior risco
Segundo o estudo, os petiscos provenientes da América do Norte apresentaram menor prevalência de contaminação em comparação com produtos originários de outras regiões. Nenhuma amostra positiva para Salmonella foi encontrada entre os produtos norte-americanos.
Os pesquisadores isolaram três bactérias resistentes à colistina em petiscos de orelha suína importados do Brasil. Os três microrganismos — Klebsiella pneumoniae, Escherichia coli e Enterobacter hormaechei — carregavam o gene móvel de resistência mcr-1.18, que permite às bactérias resistirem ao tratamento com colistina e pode ser transferido entre diferentes espécies bacterianas.
Além disso, os pesquisadores identificaram uma cepa de Escherichia coli resistente a carbapenêmicos em um produto do tipo bully stick rotulado como originário de múltiplos países. Os carbapenêmicos constituem outra classe de antibióticos de último recurso utilizada para tratar infecções graves em humanos.
Processamento e embalagem continuam sendo fatores críticos
Os pesquisadores observaram que a contaminação pode ocorrer em toda a cadeia de produção e consumo, incluindo transporte, armazenamento e exposição no varejo.
O estudo destacou que petiscos vendidos a granel, sem embalagem individual, eram comuns em lojas de produtos para pets e agropecuárias, enquanto os produtos vendidos em supermercados geralmente eram embalados individualmente ou acondicionados em sacos lacrados.
Os petiscos adquiridos em supermercados apresentaram prevalência significativamente menor de bactérias resistentes a antimicrobianos criticamente importantes. A taxa de resistência foi de 4% entre os produtos comprados em supermercados, em comparação com 24% nos estabelecimentos especializados em pets e agropecuária e 21% nas compras online.
Os autores afirmaram que os resultados reforçam as recomendações do CDC e do FDA para a adoção de métodos de descontaminação, como irradiação ou tratamento térmico por forno, seguidos de embalagem individual, com o objetivo de reduzir o risco de contaminação cruzada.
Embora a prevalência geral de Salmonella observada no estudo tenha sido relativamente baixa, de 0,79%, a presença de microrganismos resistentes a antimicrobianos ressalta a importância de controles preventivos e programas de verificação de fornecedores.
“São necessárias ações de conscientização e extensão para aumentar o conhecimento sobre os riscos associados a petiscos contaminados e destacar a importância da higiene das mãos durante a alimentação e interação com os animais de estimação”, concluíram os pesquisadores.


















