Proposta acadêmica busca unificar nomes das dietas cruas para pets

Grupo de pesquisadores propôs um novo termo a alimentos crus para pets com objetivo de unificar terminologia e entendimento regulatório desse segmento em crescimento.

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Alimentos Crus Para Pets
Tim Wall | Imagem gerada com ferramentas de IA

Nos últimos anos, uma verdadeira “sopa de letrinhas” de tendências vem ganhando popularidade entre tutores que buscam opções minimamente processadas e naturais para seus animais. As dietas conhecidas como RMBDs (Raw Meat-Based Diets, ou dietas à base de carne crua), BARFs (Biologically Appropriate Raw Foods, ou alimentos crus biologicamente apropriados) e RAPs (Raw Animal Products, ou produtos animais crus) são variações de um mesmo conceito: incluir carne crua, órgãos, ossos e, em alguns casos, vegetais ou grãos pouco processados na alimentação pet. 

No entanto, as definições inconsistentes e a falta de clareza regulatória têm gerado confusão entre tutores, fabricantes e autoridades.

Por isso, pesquisadores trazem uma nova sugestão na tentativa de unificar a categoria. No artigo publicado na revista Frontiers in Veterinary Science que trouxe uma revisão da literatura científica disponível sobre dietas cruas para pets, pesquisadores sugerem o termo RAMP: Raw and Minimally Processed. Em tradução livre o termo sugerido significa “Cru e Minimamente Processado”.

“Conciliar essas definições criará uma base melhor para comunicação, pesquisa, regulamentação e comércio entre os diferentes atores da indústria pet food”, afirmaram os autores do estudo, ligados à Universidade Estadual do Kansas, nos Estados Unidos, e à fornecedora de ingredientes norte-americana Balchem.

Os cientistas destacam que a demanda por alimentos crus para pets tem sido impulsionada, em grande parte, pela humanização dos animais de estimação, ou seja, o comportamento dos tutores de tratá-los como membros da família. Essa mudança cultural reflete uma tendência mais ampla de alimentação humana, que valoriza produtos naturais, integrais e com rótulos limpos. 

Apesar da crescente popularidade, as dietas cruas continuam controversas entre veterinários e autoridades de saúde pública, devido aos riscos de contaminação por bactérias patogênicas como Salmonella e E. coli.

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As definições regulatórias atuais agravam a confusão. Por exemplo, a Association of American Feed Control Officials (AAFCO), organização sem fins lucrativos que estabelece padrões para rações animais e alimentos para animais de estimação nos Estados Unidos, define “cru” como um alimento não aquecido, em seu estado natural, mas admite o uso de alguns métodos não térmicos de controle de patógenos, como processamento por alta pressão (HPP), fermentação e uso de acidulantes alimentares dentro da terminologia. Já o termo “fresco”, segundo a AAFCO, exclui produtos submetidos a qualquer forma de conservação além da refrigeração, como o congelamento ou o uso de aditivos, o que aumenta ainda mais a confusão no mercado.

Os pesquisadores acreditam que a nova designação RAMP ajuda a preencher essas lacunas, ao enfatizar que alimentos crus para pets podem incluir processamentos não térmicos necessários para a segurança, sem contradizer o propósito de manter uma imagem natural. A inclusão do termo “minimamente processado” também favorece a transparência sobre as intervenções realizadas, alinhando-se às expectativas dos consumidores por simplicidade e ingredientes naturais.

Pesquisas citadas na revisão indicam que consumidores de alimentos crus para pets tendem a desconfiar dos rótulos comerciais e preferem dietas que consideram mais saudáveis e sob seu controle direto. Muitos entrevistados mencionaram preocupações com a saúde e transparência de ingredientes como os principais motivos para abandonar as dietas secas ou enlatadas tradicionais.

Por outro lado, a revisão também destaca preocupações acadêmicas e regulatórias. Dietas cruas caseiras podem carecer de equilíbrio nutricional, e algumas formulações não atendem aos perfis de nutrientes estabelecidos. Por isso, a segurança e eficácia dessas dietas continuam sendo temas de investigação científica ativa.

Com a proposta do termo RAMP, os autores buscam melhorar a comunicação entre fabricantes de ração, pesquisadores, órgãos reguladores e consumidores. Uma definição padronizada poderia facilitar o desenvolvimento de produtos, a rotulagem e a revisão regulatória, além de ajudar os tutores a tomar decisões mais informadas, afirmam os pesquisadores.

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