HPP ou HPTP na produção de pet food: qual é a diferença?

Tecnologia emergente de processamento térmico por alta pressão combina pressão e calor para criar produtos estáveis em temperatura ambiente, com maior inativação microbiana.

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Processamento Ração Seca Segurança Alimentar

O setor de pet food pode estar prestes a passar por uma nova revolução tecnológica. Depois de décadas de uso do processamento por alta pressão (HPP) como método de preservação, uma inovação começa a ganhar espaço: o processamento térmico por alta pressão (HPTP).

Enquanto o HPP aplica pressão intensa para inativar microrganismos e enzimas de deterioração sem recorrer a altas temperaturas, garantindo maior vida útil aos produtos e preservando sabor, nutrientes e aparência, o HPTP surge como alternativa capaz de ampliar ainda mais a segurança e a estabilidade dos alimentos, segundo Ramses Bermudez, especialista de marketing da Hiperbaric.

O que é o processamento por alta pressão (HPP)

Segundo Bermudez, o HPP é uma tecnologia não térmica que aplica alta pressão (até 6.000 bar) para inativar patógenos relevantes em alimentos crus e cozidos para pets

Frequentemente chamado de método de “pasteurização a frio”, o HPP utiliza pressão em vez de calor para alcançar seus efeitos, tendo a água como meio de pressurização.

Essa tecnologia é aplicada após a embalagem, ou seja, os produtos são tratados já em sua embalagem final, o que ajuda a evitar contaminações após o processamento.

O processo envolve a colocação dos alimentos embalados em “cestos azuis”, que são então inseridos no recipiente de HPP. O tonel é inicialmente cheio com água, e intensificadores são empregados para introduzir mais água até que a pressão final desejada seja alcançada.

Uma vez alcançada a pressão, ela é mantida por um tempo específico, normalmente entre três a cinco minutos. Após esse período, a pressão é liberada e os produtos processados são retirados do recipiente.

“Os produtos submetidos ao HPP devem ser armazenados sob refrigeração para preservar o frescor e os atributos de qualidade, além de retardar o crescimento de microrganismos resistentes à pressão, como os esporos”, explica Bermudez.

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O que é o processamento térmico por alta pressão (HPTP)

Já o HPTP é uma tecnologia térmica que combina altas pressões, chegando também a 6.000 bar, com temperaturas de esterilização de até 121°C. Esse método foi desenvolvido para inativar esporos resistentes à pressão e criar produtos estáveis em temperatura ambiente.

Diferente do HPP tradicional, o HPTP requer duas etapas adicionais: um pré-aquecimento antes da aplicação da pressão e um resfriamento após o processo.

Além disso, enquanto o HPP utiliza os cestos azuis padrão, o HPTP requer o uso de recipientes isolados. Esses recipientes são pré-aquecidos antes de serem carregados no equipamento de pressurização. Ao incorporar calor ao processo, o HPTP alcança maior inativação microbiana que o HPP e, quando operado em temperaturas moderadas, também pode ser usado para produzir alimentos refrigerados estáveis com vida útil estendida.

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“A combinação do pré-aquecimento com o aumento abrupto de temperatura causado pelo aquecimento sem troca de calor com o ambiente externo resulta em tempos de processamento significativamente menores, além de reduzir a carga térmica sobre os produtos”, diz Bermudez.

A Commonwealth Scientific and Industrial Research Organization (CSIRO), agência nacional de ciência da Austrália, inventou a tecnologia do recipiente isolado, que foi refinada pela Hiperbaric para o desenvolvimento do HPTP. O recipiente é licenciado para uso exclusivo nos equipamentos HPP da Hiperbaric, observa Bermudez.

Embora esse sistema já tenha sido instalado em centros de pesquisa, ainda não chegou às instalações comerciais. Bermudez afirma que o objetivo da Hiperbaric com o HPTP é fornecer aos fabricantes de pet food um método para criar produtos estáveis em temperatura ambiente, combinando robusta inativação microbiana com menor carga térmica em comparação ao processo tradicional de retort para a esterilização térmica.

“Estamos atualmente trabalhando em estreita colaboração com um importante fabricante de pet food para implementar o HPTP em ambientes de produção. Um marco importante que definirá o caminho para sua disponibilidade em maior escala”, informa Bermudez. 

HPTP não é um passo prévio à liofilização

Bermudez destaca que é importante esclarecer que o HPTP não foi projetado para ser usado como etapa de eliminação microbiana antes da liofilização, cujo objetivo é oferecer alimentos seguros sem a necessidade de conservantes ou tratamento térmico.

Segundo o especialista, não há necessidade de aplicar um novo processo antes da liofilização já que o HPP é totalmente compatível. “Como ambos são métodos de preservação não térmicos, sua combinação permite que os fabricantes entreguem pet food premium, seguro e estável em temperatura ambiente, preservando os nutrientes e os benefícios naturais das dietas cruas”, diz Bermudez.

A categoria de produtos crus submetidos a HPP e depois liofilizados ilustra bem essa sinergia, afirma Bermudez. Normalmente, a produção começa com uma mistura formulada de ingredientes crus embalada em “chubs” (tubos plásticos). Esses pacotes passam pelo HPP sob pressões de até 6.000 bar por três a cinco minutos. Em seguida, o material é processado em ambiente controlado em formatos menores, prontos para consumo, antes da liofilização.

O HPP atua como a etapa validada de intervenção letal, alcançando uma redução de 99,999% de patógenos-chave, como Listeria monocytogenes, Salmonella spp. e E. coli.

“Essa etapa é particularmente crítica, dado o histórico de recalls no setor de pet food cru. A liofilização estende significativamente a vida útil, preservando a qualidade sensorial e nutricional do produto final”, explica Bermudez. 

HPP vs. HPTP

Ainda assim, de acordo com o especialista, o HPTP oferece vários benefícios distintos:

  • Estabilidade em temperatura ambiente: permite a produção de produtos totalmente estáveis fora da refrigeração.
  • Inativação de esporos: elimina esporos resistentes, que não são destruídos apenas com HPP.
  • Vida útil estendida: gera produtos de maior durabilidade.
  • Maior inativação microbiana: combina pressão e calor para uma barreira mais robusta contra patógenos.

Embora ambas as tecnologias sejam baseadas em alta pressão, HPP e HPTP não podem ser comparadas diretamente, pois possuem propósitos de mercado diferentes, ressalta Bermudez.

“O HPP é melhor comparado à pasteurização térmica tradicional. Enquanto o HPTP se aproxima mais dos métodos de esterilização, como o retort, mas com o benefício adicional de reduzir o impacto térmico na qualidade do produto”, explica. 

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