Cordeiro de laboratório: levedura produz proteína para ração canina

Para formuladores de pet food, “cordeiro cultivado” vira mais uma opção de proteína no cardápio, desde que questões de formulação, custo, escala e regulação sejam resolvidas.

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Ração Canina Com Proteína Feita Em Laboratório

A agente Starling ficou traumatizada com os cordeiros levados ao abate no filme O Silêncio dos Inocentes. Para tutores igualmente preocupados com a pecuária tradicional, as alternativas à carne animal oferecem uma forma de fornecer tecidos musculares sem dilemas éticos. 

A proteína de cordeiro, produzida em laboratório por leveduras geneticamente modificadas, pode ser uma dessas alternativas. Em um experimento publicado na revista Animals, cientistas usaram fermentação de precisão para cultivar leveduras transgênicas em quantidade suficiente para criar uma “proteína de cordeiro cultivada em fermentação” e, em seguida, serviram alimentos contendo essa proteína a um grupo de cães.

No geral, os pesquisadores indicam que o ingrediente é seguro para uso em rações caninas

Proteína de cordeiro cultivada: um novo ingrediente sustentável para pet food

No estudo, 40 cães adultos saudáveis receberam dietas com proteína de ovo combinadas com 15%, 30% e 40% de proteína de cordeiro cultivada em fermentação durante 182 dias, além do grupo controle, que recebeu sem adição. Os cientistas avaliaram peso corporal, escore de condição corporal, composição corporal, ingestão de alimentos, bioquímica sanguínea, marcadores da urina e fecais/intestinais. 

Um ensaio paralelo de digestibilidade (14 dias de adaptação + 5 dias de coleta) foi conduzido com outro grupo de cães para medir a digestibilidade aparente e verdadeira de macronutrientes.

De modo geral, os cães toleraram bem o ingrediente: não foram observadas mudanças significativas em peso, proporção de massa magra/gordura, condição corporal ou ingestão alimentar. 

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Exames de sangue permaneceram em grande parte dentro dos valores de referência. Alguns componentes, como cloro, colesterol, homocisteína e taurina total, apresentaram níveis estatisticamente abaixo do esperado, mas ainda dentro dos limites normais. Parâmetros urinários e outros marcadores não apresentaram alterações relevantes. 

O pH fecal diminuiu, resultado condizente com maior presença de fibras fermentáveis, e as fezes ficaram levemente mais macias em maiores níveis de inclusão, contudo ainda aceitáveis na escala de Hill. A digestibilidade de proteína e matéria seca não foi afetada, mas a digestibilidade da gordura caiu moderadamente conforme o aumento da inclusão.

Os resultados sugerem que a proteína de cordeiro cultivada em fermentação pode atuar como uma nova fonte proteica em dietas para cães, ajudando a diversificar as opções de proteína sustentável e reduzir a dependência da pecuária convencional. Como os resíduos de levedura permanecem no ingrediente, os fabricantes também podem aproveitar os efeitos benéficos das fibras e dos beta-glucanos associados à levedura.

Para formuladores de pet food, o cordeiro produzido por fermentação de precisão pode se tornar mais uma proteína disponível, caso os desafios de formulação, custo, escala e regulamentação sejam superados.

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