
Fabricantes de alimentos para pets buscam inovar seus produtos com fontes alternativas de proteína para cães e gatos. Rações feitas com carne cultivada, ou carne de laboratório, e proteína de insetos estão cada vez mais comuns. Mas, o que os consumidores acham disso?
No Petfood Forum 2025, evento realizado entre os dias 28 e 30 de abril em Kansas, nos Estados Unidos, novas percepções de consumidores foram apresentadas para orientar as estratégias de desenvolvimento de produtos e de marketing para empresas que querem apostar nessas tendências. Como palestrante, Nicole Hill, diretora executiva de Estratégia da Nextin Research by MarketPlace, empresa especializada em pesquisa de dados de consumo no setor pet, trouxe dados de estudos realizadas entre março e abril de 2025 sobre as atitudes dos tutores em relação a proteínas alternativas.
“Quando pensamos em quem estaria disposto a experimentar um alimento para pet à base de proteína alternativa, analisamos uma ampla gama de proteínas, de bisão e coelho a avestruz e jacaré, passando por carne cultivada e proteínas de insetos”, explicou Hill durante sua apresentação.
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Receptividade dos tutores de pets às proteínas alternativas
As pesquisas revelaram que aproximadamente 70% dos tutores de cães estariam dispostos a experimentar pelo menos uma proteína alternativa na alimentação de seus pets. Já no caso dos gatos a abertura à experimentação foi levemente menor. Aos caninos, alimentos com bisão, coelho e alce foram as três proteínas alternativas que mais despertaram interesse dos consumidores, enquanto tutores de felinos foram mais atraídos por coelho, bisão e codorna.
“Quando pensamos nas proteínas alternativas que os tutores estão dispostos a considerar, geralmente são proteínas com as quais eles já estão familiarizados na própria alimentação, ou que associam a algo desejável para seus pets,” observou Hill.
Perfis de consumidores por tipo de proteína
O levantamento identificou diferentes perfis de consumidores relacionados com cada tipo de proteína alternativa:
Entusiastas de proteína de inseto
Os tutores de cães interessados em proteínas derivadas de insetos (incluindo grilos e larvas de mosca soldado-negra) seguem o seguinte perfil:
- 64% têm cães jovens (entre 1 e 3 anos).
- 63% oferecem suplementos diariamente ou semanalmente.
- Tendem a ser homens com menos de 40 anos.
- Frequentemente também têm gatos.
“Isso indica que talvez valha a pena redirecionar campanhas para quem já consome suplementos, pois podem estar mais abertos à proteína de inseto. Também mostra que essas pessoas provavelmente estão mais interessadas e engajadas em aprender sobre os diferentes componentes que impactam a saúde e a nutrição dos seus pets”, sugeriu Hill.
Adeptos de carne cultivada
Dos tutores de cães dispostos a comprar alimentos com carne cultivada:
- 40% priorizam “ingredientes totalmente naturais”.
- São predominantemente moradores de áreas urbanas.
- Levam seus cães a todos os lugares.
- 42% pesquisaram sobre pré-, pró- ou pós-bióticos no último ano.
- Preferem o YouTube para informações sobre saúde animal.
“Se você me perguntasse antes deste estudo se ‘totalmente natural’ seria prioridade para quem compraria ração com carne cultivada, eu diria que provavelmente não. Eu assumiria que esse público seria mais receptivo a soluções baseadas em ciência. É por isso que fazemos pesquisa, não só para validar ideias, mas também para provar que estávamos errados”, admitiu Hill.
Segmento interessado em proteínas de peixes invasores
Algumas empresas de alimentos para animais de estimação estão usando espécies invasoras como fonte de proteína em seus produtos. Nos Estados Unidos, empresas como Wilder Harrier e Chippin desenvolveram linhas de alimentos para pets usando a carpa prateada, uma espécie asiática introduzida no país para combater algas nos anos 1970 e que hoje infesta os rios Illinois e Mississippi, colocando a indústria pesqueira da região em risco.
Na pesquisa, este é o perfil de tutores de cães interessados em proteínas de peixes invasores:
- Obtêm informações sobre pets principalmente pelo Instagram e Facebook.
- Valorizam marcas na hora de comprar.
- Tendem a oferecer três refeições por dia.
- Compram petiscos desidratados.
- São sensíveis a preços, apesar da motivação sustentável.
“Quando você pensa no pipeline de inovação e no que pode vir a seguir — sendo a estabilidade da cadeia de suprimentos uma preocupação constante — explorar algumas dessas proteínas locais pode ser uma opção interessante,” sugeriu Hill.
Preferências de formato para proteínas alternativas
O levantamento mostrou que tutores interessados em proteínas alternativas também buscam inovação nos formatos dos alimentos para seus pets.
“Aqueles mais inclinados a comprar alimentos para cães com proteína alternativa também são menos propensos a adquirir ração em formato seco. Isso pode indicar que estão dispostos a pagar mais. Provavelmente valorizam mais a experiência sensorial do pet” explicou Hill.
Esses consumidores demonstraram preferências mais fortes por alimentos úmidos, patês e adições caseiras às dietas dos pets.
Implicações para o marketing de pet food
De acordo com a pesquisa, fabricantes que desejam lançar com sucesso produtos com proteínas alternativas devem:
- Segmentar por uso de suplementos: forte correlação entre uso de suplementos e abertura às proteínas alternativas.
- Considerar o formato do alimento: adeptos de proteínas alternativas preferem formatos não tradicionais (não secos).
- Pensar em estratégia de canais: plataformas de vídeo como YouTube são fundamentais para alcançar adotantes de carne cultivada.
- Focar em regiões urbanas: aceitação de carne cultivada é desproporcionalmente maior entre moradores urbanos.
- Alinhar a mensagem: surpreendentemente, o posicionamento “100% natural” também ressoa com consumidores de carne cultivada.
“Quando estiver pensando, ‘onde investir em publicidade? Em quais canais anunciar?’, aqueles anúncios no YouTube antes dos vídeos podem ser uma ótima plataforma educativa para quem quer conscientizar e educar sobre proteínas alternativas, especialmente carne cultivada, na alimentação de cães,” destacou Hill.
Trajetória de crescimento
Hill acredita que as proteínas alternativas estão seguindo uma curva de conscientização e adoção semelhante à de outros ingredientes funcionais. Para ela, seja um ingrediente como um biótico ou uma proteína, a conscientização pode moldar a trajetória de um mercado.
“Há 15 anos, se você perguntasse a um consumidor o que é um pós-biótico, haveria pouquíssima consciência e quase nenhuma intenção de compra. Hoje, vemos o que chamamos de ‘salto dos bióticos’, em que o consumidor está mais alerta sobre o que são e os benefícios deles, o que impulsiona a categoria. Acredito que também vai acontecer com as proteínas alternativas”, observou Hill.
Nicole Hill é diretora executiva de estratégia na Nextin Research by MarketPlace, que conduziu a pesquisa entre março e abril de 2025. Sua sessão, “Proteínas alternativas e os tutores de pets de hoje: o que vem a seguir?”, foi realizada na terça-feira, 29 de abril, no Petfood Forum 2025 em Kansas, nos Estados Unidos.


















