
Tutores têm buscado cada vez mais alimentos que ofereçam benefícios à saúde e bem-estar de seus animais de estimação para além da nutrição básica. Nesse cenário, rações que possam fortalecer as defesas naturais dos pets entram no radar dos consumidores.
Ainda que muitas rações caninas divulguem benefícios para o sistema imune dos pets, o entendimento sobre como ingredientes afetam a função imunológica deles ainda é limitado. Pesquisadores da Universidade do Porto, em Portugal, em artigo publicado na revista Veterinary Sciences em 2024, revisaram 27 estudos científicos publicados investigando os efeitos de ingredientes funcionais, como vitaminas, minerais e fitonutrientes, na capacidade dos cães de combater infecções.
“Embora a suplementação de vitaminas seja frequentemente apontada como benéfica para a função imunológica, apenas dois estudos mostraram efeitos leves das vitaminas C e E. As poucas pesquisas sobre minerais sugerem que fontes orgânicas promovem melhor resposta imunológica. Estudos que avaliaram a inclusão de diferentes fitonutrientes indicam que esses compostos podem exercer efeitos imunomoduladores e anti-inflamatórios”, escreveram na publicação.
Apesar dos possíveis benefícios desses para o sistema imunológico dos cães, os cientistas destacam várias questões que dificultam afirmações conclusivas. Uma delas é a escassez de estudos sobre o tema. Além disso, muitos dos estudos revisados foram conduzidos com cães jovens e saudáveis, o que pode não refletir a realidade em diferentes fases da vida dos animais.
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“Embora estudos com filhotes e cães idosos sugiram melhora da imunidade com a suplementação de aditivos funcionais (como selênio orgânico, curcumina, ácidos gálico e tânico e betacaroteno), há uma carência significativa de evidências sobre o impacto desses compostos no sistema imunológico desses animais”, afirmam os pesquisadores.
A revisão identificou que estudos com cães idosos indicam uma redução da imunidade celular, com diminuição dos linfócitos CD4 — um tipo de glóbulo branco também conhecido como células T — no sangue e menor resposta dos linfócitos a estímulos por mitógenos. Por outro lado, filhotes estão mais suscetíveis a doenças infecciosas, pois seu sistema imunológico ainda está em maturação.
Outra limitação das pesquisas existentes é a curta duração dos estudos, o que impede a avaliação de efeitos a longo prazo. Além disso, cães domésticos variam muito em tamanho e genética (de Chihuahuas a Dogues Alemães) enquanto muitos estudos usam apenas uma raça ou grupos geneticamente similares.
Influência de vitaminas, minerais e fitonutrientes no sistema imunológico dos cães
Na meta-análise, os autores destacaram que as vitaminas podem desempenhar um papel fundamental na regulação imunológica. Vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K) e hidrossolúveis (complexos B e C) contribuem para diversas funções fisiológicas. Por exemplo, a vitamina C, sintetizada no fígado dos cães, e a vitamina E, com propriedades antioxidantes potentes, protegem as células imunológicas do estresse oxidativo. Essas vitaminas também auxiliam na função dos linfócitos T e na regulação de mediadores inflamatórios. Os estudos disponíveis sugerem que pelo menos duas vitaminas apresentam efeitos observáveis na resposta imune dos cães.
- Vitamina E e inflamação: a suplementação com altas doses de vitamina E reduziu marcadores inflamatórios em cães com osteoartrite, melhorando a saúde das articulações.
- Sinergia entre vitaminas E e C: a suplementação combinada em baixas doses aumentou a contagem de células CD4+ e a atividade dos linfócitos, mas doses excessivas de vitamina C apresentaram efeitos inibidores.
Macrominerais e microminerais (ou minerais traço) sustentam processos fisiológicos e metabólicos, incluindo a imunidade. As pesquisas destacam sua biodisponibilidade e o potencial de modulação imunológica:
- Zinco: a suplementação com zinco orgânico melhorou a diferenciação de células T (CD4+) em comparação com fontes inorgânicas. A maior biodisponibilidade pode tornar as formas orgânicas preferíveis.
- Selênio: fontes orgânicas de selênio, como a selenohomolantionina, melhoraram a resposta a vacinas e a produção de citocinas. Quelatos de selênio também modulam a expressão de genes relacionados à imunidade.
- Frutoborato de cálcio (CFB): uma fonte de boro, o CFB reduziu marcadores inflamatórios em cães com osteoartrite e melhorou a mobilidade.
- Propionato de cromo: a suplementação aumentou marcadores inflamatórios e de imunoglobulina, mas estudos mais robustos são necessários para confirmar os benefícios.
Fitonutrientes como carotenoides e polifenóis apresentam propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. Estudos encontraram evidências desses efeitos:
- Carotenoides: luteína e betacaroteno aumentaram a imunidade celular e humoral, sendo que o betacaroteno demonstrou benefícios em cães idosos ao melhorar a resposta das células T. A astaxantina aumentou a atividade de células NK e reduziu danos oxidativos.
- Polifenóis: polifenóis do chá verde e a curcumina reduziram citocinas pró-inflamatórias e contribuíram para a saúde intestinal de cães com obesidade e problemas musculoesqueléticos.
Outros fitonutrientes: proantocianidinas da semente de uva reduziram marcadores inflamatórios em cães com doença inflamatória intestinal (DII). Ácido gálico e taninos aliviaram inflamações causadas por estresse e desequilíbrios intestinais.


















