
Uma grande maioria — 77% — dos consumidores globais concordam que levar um estilo de vida sustentável significa aproveitar as coisas boas da vida, em vez de se privar delas. Essa é uma boa notícia para empresas e defensores da sustentabilidade, incluindo marcas de ração e petiscos que comercializam produtos mais ecológicos.
Por outro lado, uma notícia não tão boa é que a percepção desses consumidores de que produtos sustentáveis em certas categorias são melhores (presumidamente do que os convencionais) está diminuindo. E, na maioria das regiões do mundo, menos pessoas estão comprando produtos sustentáveis.
Essas constatações foram destaques divulgados no relatório “Healthy & Sustainable Living Report 2024”, da GlobeScan — uma empresa global de consultoria e insights especializada em sustentabilidade (além de confiança e engajamento). Embora a pesquisa e o relatório não pareçam incluir rações ou cuidados com pets entre as categorias analisadas, eles ainda oferecem boas informações sobre o que os consumidores ao redor do mundo pensam e sentem em relação à sustentabilidade.
Mudanças nos comportamentos de compra sustentável
Realizada entre julho e agosto de 2024, com 30 mil consumidores de 31 países, a pesquisa é conduzida anualmente pela GlobeScan. O novo relatório compara dados de 2024 com as mesmas perguntas e métricas de 2022.
Entre os destaques, 60% dos consumidores na África e Oriente Médio disseram ter comprado um produto sustentável no último mês. A região é a única que demonstra um aumento nesse tipo de consumo na comparação com 51% em 2022. Nas demais regiões analisadas, todas apresentaram quedas? Ásia-Pacífico registrou 53% em 2024 frente a 55% em 2022; Europa, 46% frente a 53%; América Latina, 45% versus 51%; e América do Norte, 42% versus 43%. Algumas dessas quedas foram sutis, mas outras foram significativas, como na Europa e América Latina.
Além disso, com relação às categorias de produto incluídas na pesquisa — que vão de automóveis a produtos de limpeza, eletrônicos, móveis e até serviços financeiros/bancários — a percepção de que produtos sustentáveis são melhores caiu. Na categoria mais próxima da alimentação pet, que inclui alimentos embalados, snacks e bebidas, 57% dos consumidores em 2022 afirmavam que os produtos sustentáveis eram melhores; em 2024, esse número caiu para 49%. Queda semelhante foi registrada em produtos de cuidados pessoais: de 57% para 50%.
O relatório dá algumas pistas sobre os motivos para essas mudanças. “O interesse, o engajamento e os comportamentos relacionados ao estilo de vida sustentável estão diminuindo em algumas partes do mundo. Em parte, isso se dá pela redução da comunicação sobre sustentabilidade das marcas devido a regulamentações contra greenwashing e à crise do custo de vida”, diz o texto.
A eterna questão do custo dos produtos sustentáveis
Não é surpresa que preocupações com os custos dos produtos sustentáveis apareçam no relatório, embora seja curioso que não haja dados sobre atitudes como a disposição dos consumidores em pagar mais por produtos sustentáveis — ou por categorias específicas. (Será que a pesquisa não incluiu esse tipo de pergunta?)
Já vimos dados sobre isso no setor pet. O estudo alemão “Haustier-Studie 2024/2025” da Takefive-media, divulgado pela Interzoo, mostrou que menos da metade (48%) dos quase 2 mil tutores de pets alemães entrevistados estão dispostos a pagar mais por produtos sustentáveis. Ainda assim, esse número é bem maior do que o encontrado pela Euromonitor International em uma pesquisa global com tutores de pets no início de 2024, na qual apenas de 12% a 16% disseram estar dispostos a pagar mais por alimentos pet que sejam ambientalmente responsáveis, produzidos de forma sustentável, com origem local ou com certificação de comércio justo.
Para 44% dos tutores de pets alemães entrevistados pela Takefive-media, o preço continua sendo o critério mais importante de compra, embora 40% deem importância crescente à sustentabilidade nos alimentos para seus pets.
Sustentabilidade: insights para fabricantes de ração e petiscos
Apesar da queda na percepção e nas compras de produtos sustentáveis entre os consumidores entrevistados pela GlobeScan, a porcentagem dos que dizem se sentir fortemente afetados pelas mudanças climáticas aumentou de forma constante desde 2020: de 31% naquele ano para 45% em 2024.
Isso vem influenciando os hábitos diários dos consumidores. Segundo o relatório, 46% das pessoas afetadas pelas mudanças climáticas dizem estar evitando o desperdício de alimentos, 34% estão usando menos água, 27% estão mudando seus critérios de escolha de produtos e 22% estão mudando o tipo de alimento que consomem, entre outras ações e hábitos.
Esse cenário cria uma oportunidade para as marcas desenvolverem e oferecerem novos produtos e serviços, aconselha a GlobeScan. “Compreender como os consumidores estão mudando seus comportamentos diários por causa das mudanças climáticas terá implicações estratégicas para as marcas e abrirá novas oportunidades para o design e a inovação de produtos e serviços focados em adaptação”, diz o relatório. Como isso poderia se aplicar à alimentação e aos petiscos para pets?
Comportamento das famílias: um dado relevante para o setor pet
Outro achado que merece atenção das marcas de ração e petiscos: o comportamento de consumo das famílias. De acordo com a pesquisa da GlobeScan, famílias jovens com filhos estão liderando a agenda da vida sustentável, enquanto consumidores jovens sem filhos estão se desconectando desse tema.
Pessoas com filhos relatam maior propensão a adotar comportamentos de compra sustentáveis, como evitar produtos prejudiciais ao meio ambiente (56% vs. 47% de quem não tem filhos), comprar de marcas/empresas responsáveis (53% vs. 41%), adquirir produtos naturais/orgânicos (49% vs. 38%) e optar por embalagens retornáveis/reutilizáveis/refis (45% vs. 38%).
Esses dados, no entanto, podem sofrer alterações ao considerar tutores de pets mais jovens ou o crescente número de pessoas que consideram seus animais como filhos. De qualquer forma, a sustentabilidade é um item que merece atenção das marcas e pode representar um diferencial para determinados públicos.

















