Mercado de suplementos para gatos enxerga oportunidade com aumento de gateiros

Segundo Packaged Facts, vendas de produtos para gatos terão alta acelerada na maioria das categorias nos próximos cinco anos

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O mercado de suplementos para gatos nos Estados Unidos representa uma oportunidade significativa e ainda pouco explorada pelos fabricantes. A constatação acompanha dados de uma nova pesquisa de consumo apresentada por Shannon Landry, diretora de pesquisa da Packaged Facts Pet, durante a edição de 2026 do NASC Annual Conference, realizada no Arizona, nos Estados Unidos.

Com base em uma pesquisa realizada entre janeiro e fevereiro deste ano, com aproximadamente 1.500 tutores de animais de estimação, Landry descreveu um mercado em transformação: enquanto a posse de gatos permanece estável, a de cães vem diminuindo, e os tutores de felinos estão cada vez mais envolvidos com a saúde e o bem-estar de seus animais.

A Packaged Facts projeta que as vendas de produtos para gatos crescerão mais rapidamente do que as de produtos para cães na maioria das categorias nos próximos cinco anos.

Um mercado em transformação: de latidos para miados

De aproximadamente US$ 156 bilhões (R$ 809,6 bilhões) em vendas totais de produtos e serviços para pets nos Estados Unidos, os gatos respondem por cerca de US$ 46 bilhões (R$ 238,7 bilhões), enquanto os cães representam US$ 104 bilhões (R$ 539,8 bilhões). Apenas na categoria de alimentos e petiscos, as vendas para gatos alcançam cerca de US$ 22 bilhões (R$ 114,2 bilhões), frente a US$ 46 bilhões (R$ 238,7 bilhões) para cães.

No entanto, essa diferença pode diminuir, já que a trajetória atual favorece os felinos. “Após o aumento impulsionado pela pandemia, a população de cães passou a apresentar queda”, afirmou Landry. 

Dados da MRI Simmons, que pesquisa aproximadamente 50 mil domicílios, confirmam essa tendência, explicou a pesquisadora. Entre 2019 e 2025, a participação dos lares com gatos acompanhou de perto o crescimento total dos domicílios norte-americanos, enquanto a dos lares com cães diminuiu.

Diversos fatores estruturais explicam essa mudança. Tutores mais velhos estão deixando gradualmente de ter cães, enquanto os gatos se mostram menores, mais fáceis de manejar e mais adequados a espaços reduzidos. Ao mesmo tempo, potenciais tutores mais jovens enfrentam desafios relacionados ao custo da moradia, tornando a posse de cães menos viável. Dados da Packaged Facts mostram que os inquilinos têm muito mais probabilidade de possuir gatos do que cães.

A mudança também aparece nos dados de adoção. Em 2019, os lares com filhotes de gato representavam cerca de 66% do total de lares com filhotes de cachorro. Em 2025, esse índice chegou a 99%, praticamente uma proporção de um para um.

“Com menos filhotes de cachorro, haverá menos cães no futuro. Esse é mais um motivo para que a população felina seja um importante foco de atenção”, disse Landry.

Gateiros estão engajados, mas se sentem negligenciados

Apesar da oportunidade de mercado, muitos tutores de gatos acreditam que a indústria não acompanha suas necessidades. Quando a Packaged Facts perguntou se os gatos são tratados como “cidadãos de segunda classe”, uma parcela crescente dos entrevistados concordou com a afirmação, sentimento que se intensificou ao longo das sucessivas pesquisas.

“Os tutores de gatos sentem que quem desenvolve, fabrica e comercializa esses produtos não está tratando os gatos da forma como acreditam que eles deveriam ser tratados”, afirmou Landry.

Essa percepção convive com um forte vínculo emocional. Dados da Packaged Facts mostram que 91% dos tutores consideram seus gatos parte da família e 86% afirmam que eles ocupam papel central na vida doméstica. Além disso, 81% mantêm os gatos nas áreas de convivência ou alimentação da casa, 60% criam seus gatos exclusivamente dentro de casa e 56% compartilham a cama com eles.

“Quanto mais tempo os tutores passam com seus gatos, maior a probabilidade de perceberem questões relacionadas à saúde e ao bem-estar. Exatamente o momento em que os suplementos para pets podem desempenhar um papel importante”, explicou Landry. 

O que os tutores de gato procuram nos produtos

Quando questionados sobre os fatores que influenciam suas decisões de compra, 72% dos tutores de gatos afirmaram buscar produtos que melhorem a saúde e o bem-estar dos animais, 70% desejam proporcionar mais conforto à vida dos felinos e 51% são motivados pelo desejo de agradar ou mimar seus pets.

Atualmente, cerca de 20% dos tutores compram suplementos para gatos. A principal influência nessa decisão é a recomendação dos médicos-veterinários. O dado é relevante considerando que os tutores de gatos costumam visitar menos o veterinário do que os tutores de cães. Isso ocorre tanto porque os gatos são especialistas em esconder problemas de saúde quanto porque as consultas costumam ser mais estressantes para eles.

Segundo Landry, o formato de suplemento mais popular entre os tutores de gatos é o soft chew (petisco mastigável macio). As principais finalidades de compra incluem saúde geral, probióticos e suporte à saúde de animais que vivem exclusivamente em ambientes internos.

Oportunidades de crescimento para as marcas

Landry destacou diversas áreas promissoras para fabricantes interessados em expandir sua atuação no mercado felino.

Longevidade saudável

Mais da metade dos lares com gatos possui pelo menos um animal com mais de sete anos de idade. À medida que esses animais envelhecem, os tutores buscarão cada vez mais produtos que contribuam para uma vida mais longa, mas também para uma melhor qualidade de vida, preservando níveis de atividade e capacidade cognitiva.

Controle da ansiedade

Mais de um terço dos tutores relatou que seus gatos apresentam ansiedade, enquanto cerca de um quarto mencionou problemas comportamentais potencialmente relacionados a esse quadro.

“Essa é outra área em que os tutores podem estar procurando soluções sem necessariamente encontrá-las”, observou Landry.

Propostas de valor mais claras

Os consumidores vêm reduzindo gastos considerados não essenciais, e mais da metade busca ativamente descontos ou promoções para suplementos.

“É fundamental mostrar aos tutores que os suplementos não são um item supérfluo, mas uma parte essencial da rotina de saúde e bem-estar dos animais. Eles querem saber se o dinheiro investido realmente trará benefícios para seus pets”, disse Landry, que ressalta que a transparência sobre ingredientes e comprovação de eficácia são elementos centrais para construir essa percepção de valor.

Omnichannel e vendas diretas ao consumidor

As gerações mais jovens, especialmente a Geração Z e os millennials, preferem encontrar produtos e serviços para pets em um único ambiente, tendência que Landry chamou de “omnimercado”. Paralelamente, clínicas veterinárias vêm ampliando sua atuação no varejo, enquanto serviços pet passam a ser incorporados aos ambientes de lojas físicas.

Ela disse que quem comercializa suplementos para pets não pode se concentrar apenas em um canal de vendas. “É preciso acompanhar todos os movimentos que estão acontecendo ao redor.”

Cerca de 40% dos tutores realizaram compras diretamente de marcas (direct-to-consumer ou DTC) nos últimos 12 meses. Embora os suplementos ainda fiquem atrás dos alimentos para pets nesse canal, isso representa uma oportunidade para empresas dispostas a investir em infraestrutura de vendas diretas.

Da mesma forma, programas de assinatura e compras recorrentes automáticas (autoship), que garantem vendas repetidas, continuam sendo canais pouco explorados pelas marcas de suplementos.

Perspectivas para os próximos anos

Nos próximos cinco anos, a Packaged Facts projeta que as vendas de produtos para gatos crescerão mais rapidamente do que as de produtos para cães na maioria das categorias.

O principal risco para essa tendência seria uma mudança no cenário macroeconômico que tornasse a posse de cães facilitada, como uma melhora na oferta de moradias com preços mais acessíveis, por exemplo.

“Existe uma demanda reprimida por cães entre pessoas que atualmente não possuem um”, observou Landry. “Se os fatores econômicos que hoje limitam a posse de cães diminuírem, as vendas voltadas a esse segmento poderão se recuperar.”

Ainda assim, segundo a pesquisadora, a posse de gatos tem se mostrado estruturalmente estável independentemente das condições econômicas, o que sugere que a tendência possui bases sólidas de longo prazo.

Para fabricantes de suplementos que historicamente investiram pouco no segmento felino, a mensagem de Landry foi direta: o mercado de gatos deixou de ser uma consideração secundária.

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