Mercado de suplementos global para pets deve crescer dois dígitos ao ano

Especialistas apontam tendências como humanização, domínio do e-commerce e novos ingredientes como forças-chave que devem moldar categoria em 2026 e além.

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Suplementos E Petiscos Funcionais Para Pets
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O mercado de suplementos para pets está crescendo rapidamente. Impulsionado pelo fortalecimento do vínculo entre tutores e seus animais, pela mudança em direção a uma gestão mais proativa da saúde e pela ampliação dos formatos de produtos, o segmento se tornou um dos mais dinâmicos da indústria pet.

Somente nos Estados Unidos, o mercado é estimado entre US$ 4 bilhões (R$ 20,4 bilhões) e US$ 5 bilhões (R$ 25,5 bilhões), dependendo da definição da categoria. Ainda que, no país, o segmento demonstre sinais de desaceleração, Lauren DeVestern, sócia da L.E.K. Consulting, afirma que esse número pode ser conservador. “Se considerarmos uma visão mais abrangente, incluindo produtos ingeríveis, tópicos, mastigáveis dentais e itens relacionados ao bem-estar, acreditamos que o valor se aproxima de US$5 bilhões (R$25,5 bilhões) apenas nos Estados Unidos. E com um crescimento a taxas de dois dígitos ao ano”, disse. 

Humanização e saúde preventiva impulsionam busca por suplementos

O principal motor desse crescimento é conhecido: a humanização dos pets. No entanto, especialistas destacam que essa tendência evoluiu para algo mais sofisticado do que a simples antropomorfização.

“A humanização do cuidado com pets está entrando em uma nova fase, marcada por maior interesse em saúde preventiva, na qual os suplementos desempenham um papel fundamental”, afirmou Nicole Hill, vice-presidente de Estratégia e Inovação da Nextin Research by MarketPlace.

A equipe de Hill entrevistou 1.201 tutores de cães nos Estados Unidos em março de 2025 e identificou que compradores de suplementos são consumidores de alto valor. Isso porque eles têm maior propensão a adquirir alimentos premium, valorizam sustentabilidade e compram em múltiplos canais, tanto físicos quanto digitais.

DeVestern reforça essa mudança do modelo reativo para o preventivo, destacando que cerca de 75% a 80% dos humanos atualmente consomem multivitamínicos ou suplementos e estão replicando esse comportamento com seus pets.

“Com os pets, normalmente é mais reativo: você vê o cão com coceira e oferece algo para isso”, explicou. “Agora, à medida que humanos passam a consumir mais multivitamínicos, estão adotando o mesmo hábito para seus animais. Os multivitamínicos estão se tornando preventivos, não apenas reativos.”

Suplementos ampliam condições de saúde abordadas

À medida que a categoria cresce, também se amplia o leque de condições tratadas. Shannon Landry, diretora de pesquisa da Packaged Facts Pet, afirma que os suplementos mais procurados hoje incluem suporte para quadris, articulações e mobilidade e probióticos para cães e, para os gatos, probióticos e fórmulas para pets indoor estão entre os mais buscados.

Nicole Hill identifica uma segmentação clara das oportunidades, alinhada ao que ocorre na saúde humana: a transição do tratamento reativo para o suporte sistêmico da saúde.

Ela explica que saúde da pele e pelagem, bem-estar diário e saúde articular continuam sendo as principais demandas, impulsionando volume, mas com menor espaço para crescimento. “Já categorias intermediárias, como calmantes, saúde imunológica, alergias sazonais e saúde intestinal, estão crescendo acima da média e ainda têm espaço para expansão”, acrescentou. 

Segundo Hill, áreas como controle de peso e saúde cognitiva apresentam sinais iniciais de alto crescimento e ainda estão em desenvolvimento.“Este é um momento decisivo para marcas que investem em estudos clínicos, criando base para credibilidade e diferenciação no longo prazo”, disse.

A saúde bucal também vem ganhando relevância. DeVestern observa que a maioria dos tutores não escova os dentes de seus pets, e os suplementos ajudam a preencher essa lacuna.“Os tutores sentem que fazer algo é melhor do que não fazer nada. Os suplementos contribuem nesse sentido”, disse.

Domínio do e-commerce, com presença física relevante

Os canais online transformaram a forma como os suplementos chegam aos consumidores, tendência que deve continuar. Segundo Landry, cerca de 70% das vendas já ocorrem online, movimento acelerado durante a pandemia de COVID-19.

Além de plataformas como Amazon e Chewy, consumidores também compram em sites de varejistas físicos e lojas próprias de fabricantes, atraídos pela variedade e facilidade de comparação.

“Nossas pesquisas mostram que uma parcela significativa dos consumidores pesquisa avaliações online, compara preços e consulta redes sociais antes de comprar”, afirmou Landry.

Os dados da Nextin reforçam o cenário multicanal: 91% dos compradores de suplementos para cães compram online, mas a maioria também frequenta lojas físicas.“Para as marcas, estar presente apenas em um canal, seja online ou físico, pode significar perda de participação de mercado”, explicou Hill.

Ingredientes e formatos em destaque

O interesse por ingredientes segue tendências da saúde humana. Entre os destaques estão bióticos, colágeno, adaptógenos e cogumelos funcionais.

Os cogumelos funcionais, em particular, ganham atenção: consumidores de suplementos para cães têm 1,6 vez mais probabilidade de associar positivamente esses ingredientes em comparação à média. Colágeno e L-teanina também estão em ascensão.

Produtos segmentados por fase da vida, especialmente para pets idosos, também apresentam crescimento.

Em termos de formato, os mastigáveis macios (soft chews) seguem dominantes, assim como comprimidos mastigáveis. No entanto, há crescimento em formatos próximos à alimentação, como:

  • Toppers em forma de molho
  • Suplementos líquidos tipo caldo
  • Pós palatáveis para adicionar à ração

Ryan Cargo, COO do National Animal Supplement Council (NASC), alerta que esses formatos podem gerar desafios regulatórios, dependendo da classificação do produto.

“Um suplemento alimentar nesse formato geralmente é permitido, mas um suplemento de saúde pode não ser”, explicou.

Petiscos “funcionais”

O termo “funcional” enfrenta desafios regulatórios.“Petiscos funcionais não se enquadram claramente na regulamentação atual, pois precisam ser classificados como suplemento ou petisco, mas não ambos”, afirmou Cargo. Apesar de popular entre consumidores, o termo pode levar à suspensão de vendas.

Hill também aponta que a confusão entre suplementos e petiscos funcionais representa um desafio de educação do consumidor. Além de um risco para as marcas.

“Consumidores ainda têm dificuldade em diferenciar suplementos de petiscos ‘funcionais’, o que cria oportunidades, mas também riscos. Educação é essencial para proteger a categoria, disse. 

Ela destaca que fabricantes que investirem em comprovação científica, conformidade regulatória e transparência terão vantagem competitiva.

Perspectivas

Os especialistas são otimistas quanto ao futuro do segmento, ainda que identifiquem diferentes vetores de crescimento.

Hill destaca o surgimento do que a Nextin chama de “Trifecta do Bem-Estar”: 11% dos tutores que compram simultaneamente suplementos, produtos dentais e petiscos funcionais. “Esse grupo, embora pequeno, tem impacto desproporcional: compra mais categorias, busca mais benefícios e utiliza mais canais de compra”, explicou.

Para DeVestern, o potencial de crescimento é estrutural e abrangente. “Estamos bastante otimistas com o mercado de suplementos para pets. Esperamos crescimento de dois dígitos. Não apenas as marcas crescerão, mas toda a cadeia (fabricantes e fornecedores) será impactada”, afirmou. Ela diz que a penetração aumentará, assim como o gasto e o volume por animal.

À medida que o setor segue padrões da saúde humana, a questão deixa de ser se as empresas devem investir em suplementos para pets e passa a ser com que rapidez e estratégia farão isso.

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