
Com o pé no freio, o setor pet brasileiro fechou o ano de 2025 com o pior resultado desde 2019. De acordo com dados da Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação (Abempet), o faturamento do ano foi de R$ 77,96 bilhões, um crescimento de apenas 3,45%.
Segundo a entidade, o aumento tímido é um reflexo do cenário econômico e tributário enfrentado no país. Após obter em 2024 o menor ganho desde a pandemia de covid-19, com alta de 9,6% em relação a 2023, a inflação, o câmbio e a desaceleração do consumo alcançaram o setor e influenciam para os números aquém da expectativa inicial, que era de, ao menos, chegar aos R$ 78 bilhões.
“O setor pet segue sólido, mas os resultados de 2025 refletem os desafios econômicos e o peso da alta tributação sobre os produtos e serviços do setor”, comenta Caio Villela, CEO da Abempet. No caso do câmbio, o valor do dólar influencia o preço de ingredientes básicos de produtos como o pet food, encarecendo a produção e diminuindo margens.
Produção de pet food se recupera
Com relação à produção de alimentos para pet, a Abempet aponta uma leve alta após a redução de 0,6% em relação a 2023. Em 2025, a produção cresceu 0,12%, o que faz com que o volume se mantenha na casa das 4 milhões de toneladas. A quantidade, no entanto, ainda está longe de atingir o potencial do parque industrial brasileiro, que tem capacidade para superar as 9 milhões de toneladas.
Segundo a entidade, o crescimento tímido reflete as dificuldades do maior setor do mercado pet em enfrentar os desafios de câmbio, tributários e de consumo. “Calculamos que, para 2026, se o cenário tributário e o câmbio permanecerem como estão, o crescimento será igualmente tímido”, prevê Villela.
Pet food responde por 53% das vendas no setor
A venda de alimentos industrializados para animais de estimação encerrou 2025 com R$ 41,42 bilhões, o que representa 53,1% do total do setor. Em seguida, vem a venda de animais por criadores, representando R$ 8,5 bilhões, ou 11% do faturamento do mercado. Logo depois, aparecem os produtos veterinários (pet vet), que representam R$ 8,2 bilhões (10,6%), e os serviços veterinários com R$ 8,18 bilhões (10,5%).
Pequenos e médios são metade do varejo pet brasileiro
Em relação aos canais de acesso, pet shops pequenos e médios permanecem como quase metade de todo o movimento do varejo, movimentando R$ 37,49 bilhões. Em segundo lugar estão as clínicas e hospitais veterinários, que representam cerca de 17,5% do faturamento (R$ 13,64 bilhões). Completando o pódio, as cadeias de mega stores pet têm uma fatia de 9,6%, faturando R$ 7,48 bilhões.
Dentro do segmento de e-commerce, o varejo especializado mantém a frente e segue sendo o segmento que mais vende. Os pet shops virtuais representam 37,1% do faturamento, com R$ 2,34 bilhões, seguidos pelas lojas virtuais das mega stores, com R$ 2,07 bilhão (32,8%) e pelas lojas virtuais de pequenos e médios pet shops, com R$ 1,27 bilhão (20,1%).
“Apesar da relevância crescente do digital, este crescimento mais tímido é uma preocupação. O consumidor está mais criterioso, o que reforça a necessidade de estratégias eficientes para manter a competitividade. A Abempet segue acompanhando esse cenário e reforça a importância de um ambiente tributário mais equilibrado para garantir o avanço sustentável da indústria pet”, declara Villela.
Reforma tributária: a maior pedra no sapato do setor
Para Abempet, o tratamento tributário que o setor pet tem experienciado não é compatível com a sua essencialidade. Segundo estudo econômico apresentado pela entidade em 2024, a redução da carga tributária poderia elevar a produção industrial para até 9 milhões de toneladas anuais, impulsionar o consumo pelas famílias brasileiras e gerar um aumento estimado de até 210% na arrecadação de tributos.
Essas projeções consideram que a medida criaria um ciclo virtuoso: menor tributação gera maior acesso aos produtos, o que aumenta o consumo e, por fim, expande a arrecadação. "O setor pet não é consumo supérfluo. O reconhecimento da sua essencialidade é uma discussão de política pública. As medidas públicas precisam ser coerentes: estimular o cuidado, não encarecê-lo. 2026 é o ano do reconhecimento; 2027, o momento da revisão justa da Reforma Tributária", diz José Edson Galvão de França, presidente do Conselho Gestor da Abempet.

















