América Latina: recuperação econômica e humanização dos pets aceleram importação de pet food premium dos EUA

A região importou US$ 162 milhões em alimentos para cães e gatos norte-americanos em 2024, um aumento de 11% em relação a 2023

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Tim Wall | Imagem gerada com ferramentas de IA

A América Latina representa o terceiro maior mercado para as exportações de alimentos para cães e gatos dos Estados Unidos, segundo um relatório do Serviço Agrícola Estrangeiro (FAS, na sigla em inglês) do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, também na sigla inglesa). A região vem se consolidando como uma região de oportunidades para os exportadores norte-americanos de pet food, à medida que as condições econômicas melhoram e os consumidores passam a dar mais importância à nutrição dos animais de estimação.

A região importou US$ 162 milhões (R$ 832,68 milhões) em alimentos para cães e gatos dos Estados Unidos em 2024, um aumento de 11% em relação a 2023. A melhora das condições econômicas, incluindo inflação mais baixa, redução das taxas de juros, preços favoráveis das commodities e aumento do turismo, está ampliando os gastos discricionários e sustentando um maior investimento em cuidados com os pets.

O cenário acompanha um crescimento histórico de importações na região. Em 2023, a América Latina importou US$ 259 milhões (R$ 1,33 bilhão) em alimentos para cães e gatos, alta de 75% em comparação com 2020. Os Estados Unidos respondem por 40% das importações provenientes de fora da região, consolidando-se como principal fornecedor, à frente da União Europeia.

A urbanização continua moldando o mercado. Com 82% da população vivendo em áreas urbanas, os consumidores demonstram preferência crescente por cães de pequeno porte e gatos, mais adequados à vida em apartamentos. A posse de gatos aumentou 8%, enquanto as compras de alimentos para felinos cresceram 7%.

A premiumização também está ganhando força. Citando dados da Euromonitor, o relatório do FAS destaca que 74% dos tutores de pets na América Latina consideram seus animais membros da família, o maior índice entre todas as regiões do mundo. Como resultado, os consumidores estão mais atentos à qualidade dos ingredientes e buscam produtos mais saudáveis, naturais e sustentáveis. Embora os alimentos secos continuem sendo o formato predominante, as compras de alimentos úmidos estão em expansão.

Mercados latino-americanos em crescimento

Entre os mercados individuais, Brasil, Peru e República Dominicana se destacam como áreas de crescimento.

O Brasil possui a terceira maior população de pets do mundo e ainda apresenta amplo potencial de expansão, já que muitos tutores ainda não utilizam alimentos industrializados para seus animais. As exportações norte-americanas para o Brasil alcançaram US$ 9 milhões (R$ 46,26 milhões) em 2024, valor quatro vezes superior ao registrado em 2020, garantindo aos Estados Unidos uma participação de 30% no mercado. Embora os consumidores permaneçam sensíveis aos preços, a demanda por produtos premium está aumentando à medida que a inflação recua e o cenário econômico melhora.

O Peru importou US$ 48 milhões (R$ 246,72 milhões) em alimentos para cães e gatos em 2024, um aumento de 11% em relação ao ano anterior. Os Estados Unidos forneceram US$ 9 milhões (R$ 46,26 milhões) e tiveram 21% de participação de mercado. O aumento da adoção de gatos e a maior conscientização sobre a saúde dos pets estão impulsionando a demanda por produtos premium e gourmet. A Euromonitor projeta que o setor de cuidados para pets no Peru alcance US$ 730 milhões (R$ 3,75 bilhões) em vendas.

A República Dominicana importou US$ 22 milhões (R$ 113,08 milhões) em 2024. Os Estados Unidos mantiveram 38% de participação de mercado, com exportações totalizando US$ 8 milhões (R$ 41,12 milhões). Embora as exportações norte-americanas tenham recuado 8% no período, o país continua sendo o principal fornecedor. O mercado dominicano de pet food deve crescer 12% ao ano e adicionar US$ 29 milhões (R$ 149,06 milhões) em valor até 2029.

Acordos comerciais e barreiras ao comércio de pet food

Os acordos comerciais continuam favorecendo a competitividade dos Estados Unidos. O país possui tratados de livre comércio com Chile, Colômbia, Peru, República Dominicana, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua, permitindo que a maioria dos produtos entre nesses mercados sem tarifas. Atualmente, Colômbia e Chile estão entre os 10 principais destinos globais das exportações norte-americanas de alimentos para pets.

No entanto, ainda existem barreiras em alguns mercados. O Brasil aplica uma tarifa de 51% sobre alimentos para cães e gatos provenientes dos Estados Unidos, uma vez que o pet food é classificado como produto supérfluo. Além disso, produtos que contenham mais de 1% de ingredientes geneticamente modificados devem exibir a identificação de “transgênico” e informar o gene doador, o que cria desafios de rastreabilidade para fabricantes que utilizam ingredientes à base de milho e soja.

O FAS conclui que a combinação entre recuperação econômica, humanização dos pets e crescente interesse por nutrição premium posiciona a América Latina para uma expansão contínua. Segundo o relatório, o mercado ainda oferece um potencial significativo de crescimento para os exportadores norte-americanos.

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