
Brasil e México podem dominar a indústria latino-americana de alimentos para pets, mas já não explicam sozinhos para onde o setor está caminhando.
Um grupo mais amplo de mercados está se desenvolvendo por meio de diferentes combinações de produção local, importações, expansão do varejo e especialização por categorias. Argentina, Chile e Colômbia continuam sendo importantes polos de produção, enquanto Peru e Equador fortalecem sua capacidade industrial doméstica. Em mercados menores da América do Sul e em toda a parte latina da América Central e do Caribe, o crescimento segue trajetórias industriais cada vez mais distintas.
Mercados menores seguem diferentes trajetórias industriais
A visão tradicional de que os mercados menores da América Latina dependem majoritariamente de importações está se tornando ultrapassada.
A Guatemala, por exemplo, desponta com uma importante base de produção local e abastece mercados vizinhos da América Central. A Costa Rica combina produção doméstica com uma estrutura varejista relativamente sofisticada e uma demanda crescente por produtos premium e especializados. O Uruguai continua sendo um mercado de alto consumo, com forte penetração de alimentos para pets, embora as importações ainda representem uma parcela significativa da oferta.
O Paraguai, por sua vez, desenvolveu um setor de produção nacional expressivo, apoiado por fabricantes locais e empresas brasileiras. A Bolívia vem se expandindo rapidamente a partir de uma base de consumo menor, com crescimento concentrado em alimentos secos de baixo custo e em um número limitado de fabricantes dominantes. A República Dominicana apresenta outro modelo, no qual produção local, marcas próprias do varejo e canais modernos coexistem com importações regionais e de empresas multinacionais.
De acordo com a Pet Food Intelligence Platform, da Triplethree International, essas diferenças mostram que o tamanho do mercado, por si só, já não é suficiente para avaliar oportunidades. Estrutura industrial, concentração do varejo, marcas locais, fluxos comerciais e capacidade produtiva precisam ser analisados em conjunto.
Alimentos para gatos tornam-se o principal motor de crescimento da região
Em grande parte da região, o volume de vendas de alimentos para gatos cresce mais rapidamente do que o de alimentos para cães.
Essa tendência é observada tanto nos principais mercados quanto nos menores. À medida que a população de gatos aumenta e os hábitos de compra se tornam mais sofisticados, os alimentos para felinos ganham relevância nos portfólios da região. O crescimento é impulsionado pela maior demanda por alimentos úmidos, petiscos, nutrição premium e produtos formulados para necessidades específicas de saúde e diferentes fases da vida.
Embora a categoria ainda represente um volume menor em termos absolutos, sua expansão mais acelerada cria oportunidades nos segmentos de alimentos úmidos, petiscos, nutrição premium e formulações especializadas.
Acessibilidade ainda impulsiona volume
O segmento premium continua crescendo no Brasil, México, Chile, Costa Rica e nos principais centros urbanos da região. No entanto, a premiumização na América Latina está longe de ser uniforme.
Na Guatemala, Bolívia, Paraguai, República Dominicana e em diversos mercados andinos, a maior parte do crescimento em volume ainda vem de alimentos secos das categorias econômica e padrão. Preço, disponibilidade e distribuição continuam sendo fatores decisivos, especialmente no varejo tradicional.
A próxima fase de crescimento da América Latina, portanto, não seguirá um único modelo. Ela será impulsionada por grandes polos industriais, fabricantes regionais cada vez mais fortes e mercados menores que desenvolvem combinações próprias de produção local, importações, marcas próprias e especialização por categorias. Para as empresas que avaliam oportunidades na região, a prioridade deve ser identificar qual estrutura de mercado melhor se adapta ao seu portfólio, à arquitetura de preços e às capacidades de acesso ao mercado, em vez de adotar uma estratégia regional única.
















