Humanização, IA e sustentabilidade redesenham o mercado latino-americano de pet food

Relatório projeta crescimento de 44% para o mercado regional até 2035 e destaca movimentos que devem transformar a indústria nos próximos anos

Mercado Latino Americano Pet Food
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Depois de apontar que o mercado latino-americano de pet food deve movimentar quase R$ 95 bilhões até 2035, a Claight Expert Market Research identifica uma série de transformações que devem redefinir a competitividade da indústria na próxima década. Além do crescimento da demanda, o estudo mostra que fabricantes aceleram investimentos em inovação, digitalização, sustentabilidade e produtos de maior valor agregado.

Tendências: relatório destaca estreia do Petfood Forum Brasil como exemplo de desenvolvimento do setor

Entre os principais desenvolvimentos recentes destacados pelo relatório está a estreia do Petfood Forum Brasil, iniciativa criada para ampliar a presença da principal plataforma global de conteúdo da indústria em um dos maiores mercados pet do mundo.

Segundo o relatório, a produção de conteúdo local e uma newsletter dedicada aos profissionais da indústria brasileira refletem a importância crescente da América Latina para o mercado global de pet food.

A movimentação da indústria também aparece nos investimentos anunciados por empresas globais.

O relatório cita o aporte de CHF 200 milhões (R$ 1,27 bilhão) da Nestlé Purina para ampliar sua fábrica em Silao, no México, que passará a contar com uma terceira linha de alimentos úmidos e uma quarta linha de alimentos secos, tornando-se a maior unidade de produção de pet food da América Latina.

No Brasil, a Symrise Pet Food inaugurou em Chapecó (SC) sua maior fábrica global de palatabilizantes para alimentos destinados a cães e gatos, fortalecendo o papel do país como fornecedor estratégico de ingredientes para a indústria.

Outro movimento destacado é a parceria entre a Kimberly-Clark México e o fabricante Grupo Nutec, parte da estratégia da empresa de higiene para ampliar sua atuação no mercado pet.

Nutrição personalizada ganha espaço

A humanização dos animais e a premiumização continuam como aceleradores da demanda por benefícios nutricionais. O relatório exemplifica o cenário com movimentações de marcas como GranPlus e Equilíbrio, que ampliaram a oferta de dietas gourmet e personalizadas, acompanhando tendências da alimentação humana, incluindo formulações inspiradas em dietas cetogênicas e vegetarianas.

Na Colômbia, a startup MascotaLab é outro exemplo. A empresa desenvolve alimentos customizados a partir de testes genéticos e análises da saúde intestinal dos animais. Ao mesmo tempo, cresce a oferta de formulações voltadas à saúde digestiva, pele, articulações e envelhecimento saudável, incorporando ingredientes como probióticos, colágeno e compostos botânicos.

Regulamentação justifica inovação em tecnologia

O avanço regulatório também influencia o desenvolvimento do mercado. O relatório destaca a legislação argentina voltada à rotulagem nutricional de alimentos para pets, que exige maior transparência na divulgação de nutrientes e alergênicos.

Como consequência, fabricantes passaram a investir em ferramentas digitais de rastreabilidade, incluindo QR Codes e tecnologias para monitoramento da cadeia de suprimentos, facilitando tanto o acesso à informação quanto a adequação regulatória.

Comércio eletrônico evolui para modelo de serviços

Segundo o estudo, o comércio eletrônico regional deixa de competir apenas por conveniência e passa a oferecer soluções de relacionamento contínuo.

Empresas como a mexicana PetNGo e a brasileira Zee.Dog já operam modelos de assinatura integrados à inteligência artificial, capazes de prever reposições, recomendar ajustes nutricionais e personalizar a experiência de compra dos consumidores.

Sustentabilidade amplia diferenciação

A sustentabilidade também se consolida como uma das principais frentes de inovação da indústria.

Entre os exemplos citados pelo relatório está a Jiminy, responsável pelo lançamento de alimentos para cães formulados com proteína de larvas de mosca-soldado-negra. O estudo também destaca o avanço de embalagens compostáveis, estações de refil em cidades como Bogotá e Buenos Aires e iniciativas voltadas à rotulagem de carbono e logística de baixa emissão.

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