5 tendências que impulsionam a inovação do pet food em 2026

A demanda dos tutores por alimentos que atendam às necessidades específicas de saúde dos pets está crescendo mais rápido do que a capacidade da indústria de suprir essa demanda

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5 Tendências Em Pet Food Inovação

Cinco tendências estão remodelando o desenvolvimento global de alimentos para pets: bem-estar em múltiplas camadas, evolução das proteínas, humanização, alimentação baseada em ocasiões e transparência. 

A análise é da Ekaterina Tretyakova, consultora de insights de mercado da Innova Market Insights, apresentada durante um webinar recente da empresa. O Petfood Industry, versão em inglês do Petfood Forum Brasil, esteve no evento e trouxe mais detalhes: 

Tendência 1: alegações de bem-estar deixam lacunas

Segundo Tretyakova, a saúde intestinal lidera todos os posicionamentos de saúde em pet food, aparecendo em 31% dos lançamentos globais de novos produtos, seguida por saúde imunológica e saúde da pele, ambas com 22%. Alegações relacionadas à saúde oral aparecem em 12%.

Mas a demanda dos consumidores conta uma história diferente, observou ela. Entre as quatro principais áreas de benefícios à saúde buscadas pelos tutores, controle de peso e saúde oral aparecem entre as prioridades. Porém, apenas 5% dos novos lançamentos trazem alegações de controle de peso.

“Controle de peso e saúde oral estão realmente sub-representados entre as inovações. Vemos uma alta demanda dos consumidores por esses posicionamentos, o que significa que essa área destaca um potencial inexplorado”, disse Tretyakova.

O interesse por ingredientes relacionados à saúde intestinal também está aumentando, afirmou. Trinta e dois por cento dos tutores buscam ativamente fibras em alimentos para pets e 23% procuram probióticos.

“A alegação relacionada ao microbioma está emergindo como o posicionamento de crescimento mais rápido da categoria”, disse Tretyakova. A demanda representa como as tendências estão evoluindo e migrando dos alimentos e bebidas para humanos para o mercado pet.

Em relação às expectativas de clean label, 42% dos consumidores afirmam evitar corantes artificiais em alimentos para pets, 39% evitam aromas artificiais e 37% evitam conservantes.

Tendência 2: proteína se torna multifuncional

A proteína continua sendo o principal fator de compra da categoria em todo o globo: 49% dos tutores dizem que ela é o elemento que mais influencia suas escolhas. Mas seu posicionamento se expandiu muito além do suporte muscular. Entre os lançamentos de 2025 com alegação de alto teor proteico, 71% também apresentavam pelo menos uma alegação adicional de saúde. A maioria (64%) incluía alegações de saúde digestiva, enquanto quase metade associava proteína à saúde da pele.

“A proteína não está mais relacionada apenas ao desenvolvimento muscular: ela está cada vez mais conectada à saúde digestiva, imunidade, saúde da pele e bem-estar geral”, afirmou Tretyakova.

Formatos hipoalergênicos e de fácil digestão estão ganhando espaço ao lado das proteínas convencionais. Alegações “livres de alérgenos” cresceram de 8% para 13% dos novos lançamentos entre 2024 e 2025, com 23% dos tutores apontando alegações “livres de” entre os principais fatores de compra.

Fontes de proteínas alternativas ainda estão em estágio inicial, mas demonstram uma abertura dos consumidores superior ao nível de conhecimento sobre elas, disse Tretyakova. 36% dos tutores afirmaram que considerariam alimentar seus pets com carne cultivada, e 43% disseram considerar proteínas obtidas por fermentação microbiana.

“A educação será extremamente importante para as marcas que entrarem nesse espaço, porque os consumidores estão dispostos a experimentar, mesmo com o conhecimento limitado”, afirmou. 

Ingredientes ricos em ômega-3 apareceram em 18% dos lançamentos de 2025. Entre eles, 49% também apresentavam alegações de saúde da pele e 42% de saúde imunológica. 26% dos tutores afirmam estar tentando incluir mais óleo de peixe e ômegas 3/6/9 na dieta de seus pets.

Tendência 3: humanização remodela formatos

23% dos tutores afirmam que ingredientes de padrão “humano” (human-grade) estão entre as principais alegações que influenciam suas compras, explicou Tretyakova. Formatos air-dried, freeze-dried e assados estão crescendo, especialmente na América do Norte, onde 15% dos lançamentos de 2025 traziam uma dessas alegações. “Os consumidores associam frescor e processamento mínimo à maior qualidade”, disse Tretyakova. 

A personalização também está avançando além da espécie e da fase da vida, incluindo raça, porte, estilo de vida e sensibilidades. “35% dos tutores dizem que fórmulas personalizadas representam o atributo alimentar mais importante, e 20% afirmam que fórmulas voltadas ao estilo de vida — para pets ativos ou gatos indoor, por exemplo — estão entre as inovações que mais despertam interesse”, afirmou Tretyakova. Para ela, isso reflete exatamente o que já estamos observando na nutrição humana

Tendência 4: Alimentação baseada em ocasiões amplia pontos de contato

Quase 40% dos lançamentos de alimentos para pets em 2025 apresentavam embalagens resseláveis ou reutilizáveis, refletindo a demanda de 36% dos tutores globalmente que afirmam viajar com seus pets, disse Tretyakova.

Produtos posicionados em torno de momentos específicos do dia, como café da manhã, snacks pós-atividades, jantar, também estão se multiplicando. “Essa é uma mudança muito interessante, porque aumenta o número de pontos de interação diários entre marcas, pets e tutores”, afirmou Tretyakova. 74% dos tutores globalmente dizem gostar de comprar diferentes tipos de petiscos.

Produtos sazonais e edições limitadas ainda representam um nicho pequeno, mas em crescimento. Na América do Norte, 6% dos novos lançamentos se enquadram nessa categoria, com grandes marcas começando a testar esse formato. “Os consumidores já gostam de comprar produtos sazonais para si mesmos, e as marcas podem estender essa experiência emocional aos pets também”, disse Tretyakova.

Tendência 5: transparência como sinal de confiança

62% dos tutores globalmente afirmam preferir saber em qual país o alimento do pet foi produzido, e 14% dizem que o abastecimento sustentável está entre as inovações em pet food que mais despertam interesse.

“Os consumidores querem saber de onde vêm os ingredientes, bem como onde e como os produtos são fabricados, mas, principalmente, o abastecimento precisa parecer tangível e confiável”, afirmou Tretyakova.

Alegações de reciclabilidade agora aparecem em 26% dos novos lançamentos de pet food. Embalagens biodegradáveis e ingredientes upcycled estão crescendo a partir de uma base menor, especialmente na América do Norte e na Europa.

Tretyakova observou que as marcas enfrentam pressão crescente para migrar de discursos amplos sobre sustentabilidade para alegações concretas e mensuráveis. “Isso está se tornando cada vez mais importante à medida que as regulamentações sobre alegações ambientais continuam a se tornar mais rígidas globalmente, especialmente na União Europeia”, afirmou.

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