5 tendências em pet food que estão liderando a inovação

Em muitos aspectos, a inovação em pet food está à frente das tendências da alimentação humana.

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Inovações Em Alimentação Lideradas Por Pet Food
Tim Wall | Imagem gerada por ferramenta de IA

Cachorro comer comida humana não é novidade; humanos “consumirem” tendências da alimentação pet é. Kevin Ryan, fundador e CEO da Malachite Strategy and Research, contou a novidade durante sua palestra principal no Petfood Forum 2026, nos Estados Unidos: as pessoas estão deixando os pets liderarem as tendências alimentares.

“A tigela do pet é a tela incontestada para as crenças alimentares emergentes do tutor”, disse Ryan.

Segundo ele, algumas tendências de saúde e bem-estar surgem primeiro no pet food porque as barreiras à adoção são menores do que no caso de crianças ou dos próprios adultos. Crianças são seletivas e influenciadas socialmente, enquanto adultos têm hábitos consolidados e restrições pessoais que dificultam mudanças. Já os pets oferecem um ambiente de menor risco, onde os tutores podem projetar e testar suas próprias crenças em evolução. 

Apesar da humanização, ainda é menos provável que alguém seja julgado por oferecer ao pet um produto da moda — mesmo que não tradicional ou pouco comprovado — do que ao próprio filho.

Ryan destacou cinco tendências que estão influenciando o desenvolvimento de pet food e, em muitos casos, chegando ao mercado antes da alimentação humana.

Tendência 1: premiumização do processamento “limpo”

A primeira tendência, chamada de clean processing premium, redefine como os consumidores avaliam o processamento. Em vez de rejeitá-lo completamente, os tutores passam a exigir o que Ryan descreve como “processamento justificado”. “Processe apenas o suficiente e depois pare, para o meu benefício como consumidor”, contextualizou.

Essa mudança pressiona os sistemas tradicionais baseados em extrusão, que Ryan classificou como “vulneráveis”, ao mesmo tempo em que valoriza formatos capazes de comunicar suavidade, transparência e tempo. Entre as estratégias, está destacar métodos de processamento mais lentos, quantificar a integridade dos ingredientes e reforçar a rastreabilidade.

“O crescimento dos alimentos frescos não é apenas porque são frescos. Uma das razões pelas quais as pessoas gostam deles é a percepção de que são menos processados, mais suaves”, disse. 

Tendência 2: saúde ao longo da vida + precisão metabólica

A segunda tendência vai além da longevidade e foca no conceito de healthspan, ou seja, prolongar o período de vida com saúde, retardando o declínio.

“Quero morrer jogando tênis aos 80 anos. Não quero um declínio longo e lento. É disso que se trata o healthspan”, explicou Ryan. 

Ferramentas emergentes como wearables, dados metabólicos e tecnologias avançadas de ingredientes estão viabilizando essa mudança. Embora, nesse caso, o setor humano ainda esteja à frente no uso de dispositivos vestíveis.

Para desenvolvedores de pet food, isso redefine a nutrição por fase de vida. “‘Sênior’ é um conceito equivocado”, afirmou Ryan, sugerindo uma abordagem de otimização contínua em vez de segmentação por idade.

Tendência 3: microbioma 2.0

A terceira tendência propõe uma abordagem mais integrada à saúde intestinal. Décadas atrás, o pet food foi pioneiro na adoção de probióticos, mas, segundo Ryan, a inovação desacelerou enquanto a alimentação humana avançou. “O pet food chegou primeiro. Depois parou”, disse.

Ainda existem três lacunas: educação do consumidor, tradução da pesquisa científica em produtos e expansão além da saúde digestiva. A literatura científica já demonstra diferenças no microbioma entre raças, mas essas descobertas ainda não foram amplamente incorporadas às formulações comerciais.

As oportunidades futuras incluem interações entre proteína e microbioma, formulações focadas em prebióticos e aplicações de pós-bióticos voltadas à resiliência, não apenas à digestão.

Tendência 4: a economia do bem-estar emocional

A quarta tendência reflete o crescente foco dos consumidores na saúde mental e emocional, estendido aos pets por meio do que Ryan chama de “transferência de empatia”. 

“Eu lido com ansiedade. E meu pet? Por que ele não pode ter algo assim?”, questionou. Isso está transformando produtos calmantes de uso pontual, como durante tempestades ou fogos de artifício, em soluções de nutrição diária.

Ryan destacou três estratégias de formulação: protocolos diários de resiliência com ingredientes funcionais, “arquitetura por períodos do dia” alinhada aos ritmos circadianos e formatos que incentivem uma alimentação mais lenta e relaxante. “Não se trata mais de um momento específico, mas de uma experiência diária do sistema nervoso”, explicou.

Ingredientes como L-teanina, triptofano e ashwagandha, comuns em alimentos funcionais para humanos, estão sendo cada vez mais considerados para pets. No entanto, nomes científicos complexos podem gerar desconfiança em consumidores que buscam rótulos simples.

Isso cria um paradoxo: consumidores querem listas de ingredientes simples, mas também buscam compostos com eficácia comprovada, ainda que não sejam percebidos como “químicos”.

Muitos desses ingredientes, porém, têm origem natural ou histórico de uso humano. “Veja a ashwagandha”, disse Ryan, destacando seu uso secular. Mesmo a L-teanina, que pode ser extraída de folhas de chá, é frequentemente produzida por fermentação microbiana.

Ainda assim, Ryan alerta que ingredientes novos ou mais processados exigem maior transparência e narrativa clara. “A ideia é que [o ingrediente] não seja uma ‘caixa-preta’. Só o fato de poder investigar já faz com que as pessoas sintam que não há nada a esconder.”

Ele citou o exemplo de uma empresa que incluiu QR codes nas embalagens para acesso a dados de origem. Poucos consumidores escanearam, o que, segundo ele, indica confiança na transparência da marca.

Tendência 5: o algoritmo alimenta o pet

A quinta tendência é a personalização orientada por dados. Diante da sobrecarga de informações, a tecnologia surge como camada de decisão para os tutores. “Essa responsabilidade nos leva à ideia de perguntar à IA, recorrer à tecnologia”, disse Ryan.

Modelos de assinatura, já consolidados no setor, oferecem base para sistemas mais avançados focados em cada animal. Ryan aponta possibilidades como “gêmeos digitais” de pets: representações virtuais capazes de simular preferências e necessidades nutricionais.

Esses modelos poderiam realizar milhares de testes simulados para identificar a formulação ideal. Para os animais reais, a IA poderia integrar dados de wearables e sensores que monitoram indicadores de saúde, como a qualidade das fezes. “Um sistema que aprende, se adapta e reporta”, descreveu, destacando o potencial da IA para ajustar continuamente as formulações com base em dados individuais.

O pet food está evoluindo de um produto estático para um sistema dinâmico de nutrição, alinhado às expectativas dos tutores. Seja por meio de transparência no processamento, integração do microbioma, bem-estar emocional ou personalização algorítmica, a inovação no setor está, em muitos aspectos, liderando as tendências da alimentação humana.

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