
Os gatos não receberam tanta atenção em pesquisas quanto os cães, especialmente no que diz respeito aos bióticos e sua influência na saúde intestinal. No entanto, à medida que a população de gatos de estimação cresce globalmente e se aproxima da de cães, estudar a digestão dos felinos torna-se cada vez mais importante para as empresas de pet food.
Um estudo publicado no periódico Animals examinou os efeitos de uma combinação de pós-biótico e prebiótico para gatos domésticos em transição de dietas. A pesquisa foi patrocinada pela ADM, fornecedora de ingredientes para rações pet, e contou com a colaboração de pesquisadores do Centro de Pesquisa em Nutrição de Animais de Estimação da Universidade Agrícola da China.
“A ADM tem investido no estudo dos potenciais benefícios de ingredientes funcionais para gatos assim como para cães. Assim, podemos oferecer soluções específicas para cada espécie com alegações de saúde cientificamente comprovadas ao mercado de cuidados com pets”, disse Peter Jüsten, vice-presidente global de Pesquisa e Desenvolvimento em Saúde e Bem-estar da ADM, à Petfood Industry.
Segundo Jüsten, o estudo é inovador não apenas por focar em gatos, mas também pela avaliação de um pós-biótico em combinação com uma fibra dietética solúvel. “Os pós-bióticos ainda são relativamente novos na indústria de nutrição pet, e têm um potencial fantástico para manter a estabilidade e a funcionalidade em uma ampla variedade de formatos de produtos para animais de estimação”.
Bióticos podem melhorar saúde intestinal de gatos domésticos
Bióticos podem oferecer uma solução para um problema comum entre gatos e seus donos. Qualquer pessoa que já tentou uma nova dieta ou comeu um alimento ao qual não estava acostumada sabe o que mudanças alimentares abruptas podem causar à digestão. O mesmo ocorre com os gatos — uma nova ração pode levar a distúrbios gastrointestinais, afetando o equilíbrio da microbiota e a integridade da barreira intestinal.
No experimento, os cientistas da Universidade Agrícola da China usaram o Bifidobacterium longum CECT-7347, um pós-biótico tratado termicamente, combinado com o prebiótico Fibersol-2, uma fibra dietética solúvel.
O composto foi administrado para 12 gatos adultos durante a transição de uma dieta com baixo teor de proteína (LPF) para uma dieta com maior teor proteico (HPF). Os resultados forneceram evidências de que essa combinação de aditivos funcionais pode reduzir os efeitos negativos das mudanças alimentares, ao mesmo tempo em que apoia a homeostase intestinal e a função imunológica.
Durante 14 dias, um grupo controle de gatos recebeu uma dieta LPF (33% de proteína), enquanto o outro grupo consumiu a mesma dieta suplementada com 0,16% de B. longum CECT-7347 e Fibersol-2. Em seguida, ambos os grupos passaram para uma dieta HPF (40% de proteína). O grupo experimental continuou recebendo a suplementação. Os pesquisadores coletaram amostras de sangue e fezes em vários intervalos para avaliar inflamação intestinal, composição da microbiota e função da barreira intestinal.
Efeitos da suplementação com pós-biótico e prebiótico na digestão dos gatos
Durante a transição de dieta, ambos os grupos apresentaram aumento nos níveis de lipopolissacarídeos (LPS) no sangue, um possível indicativo de comprometimento da barreira intestinal. No entanto, os gatos que receberam o suplemento mostraram níveis significativamente mais baixos de LPS ao longo do estudo.
Os pesquisadores sugerem que o aditivo funcional contribuiu para essa melhora ao modular a composição da microbiota intestinal e reduzir a atividade de bactérias Gram-negativas (mais resistentes), que podem elevar os níveis de LPS.
A análise dos microrganismos nas fezes dos gatos revelou que o grupo tratado manteve uma microbiota intestinal mais estável. Bactérias benéficas como Blautia, conhecidas por produzir ácidos orgânicos que regulam o pH e promovem a saúde intestinal, estavam em maior abundância no grupo suplementado. Além disso, esse grupo apresentou pH fecal mais baixo, provavelmente devido ao aumento de Blautia e à consequente menor produção de ácido lático.
Enquanto isso, o grupo de controle teve aumento de Parasutterella, um gênero bacteriano associado à inflamação e à síndrome do intestino irritável. Já o grupo tratado exibiu níveis mais altos de Lachnospiraceae e Actinobacteria, ambos associados à homeostase intestinal e à saúde geral.
“O Bifidobacterium longum CECT 7347 tratado termicamente, também chamado de PRIOME Gut Health, e o Fibersol-2, ou Pet Fibersol, foram considerados seguros e bem tolerados por gatos quando suplementados na quantidade diária fornecida no estudo, sem registro de eventos adversos decorrentes da suplementação alimentar”, disse Jüsten.
O vice-presidente também reforça que ambos os ingredientes são aceitos por órgãos reguladores como a Associação Americana de Controle de Ração Animal (AAFCO), que permite o uso para incorporação em alimentos e suplementos para pets na América do Norte. Eles também são permitidos pela Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA) e classificados como material alimentar no Reino Unido e União Europeia.
Outro benefício dos pós-bióticos apontados pelo estudo é que eles podem ser mais fáceis de incorporar nas formulações dos fabricantes de pet food enquanto mantêm sua funcionalidade. Como os pós-bióticos já foram termicamente inativados, as altas temperaturas e pressões utilizadas no processamento de alimentos para pets têm menos impacto sobre eles do que sobre seus “primos” vivos, os probióticos.
Segundo Jüsten, tanto o pós-biótico PRIOME Gut Health quanto o Pet Fibersol mantêm estabilidade e funcionalidade quando submetidos às condições severas de fabricação comuns na indústria de alimentos para pets, como extrusão e processamento térmico, o que possibilita a incorporação desses ingredientes em uma variedade de formatos finais que agradem aos gatos.
Como a combinação de pós-biótico e fibra prebiótica resistem ao processamento, os suplementos podem ser incorporados em rações secas, petiscos ou alimentos úmidos. “Isso é particularmente relevante quando se trata de suplementos e petiscos, já que gatos são notoriamente exigentes com a alimentação”, ressalta Jüsten. Além disso, produtos elaborados com essas misturas podem ajudar gatos em transição para novas dietas.
















