4 em cada 10 adultos nos Estados Unidos escolheriam ter pets em vez de filhos

Preferência por animais de estimação é maior entre as gerações mais jovens, que passam por sacrifícios financeiros para arcar com o aumento dos custos de vida

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Lisa Cleaver | Imagem gerada com ferramenta de IA

Uma nova pesquisa da Harris Poll revela que 40% dos americanos escolheriam ter um animal de estimação em vez de um filho no futuro, sinalizando uma mudança nas prioridades familiares que traz implicações para a indústria de alimentos para pets.

O relatório State of Pets, divulgado em julho, entrevistou 2.070 adultos nos Estados Unidos, incluindo 1.625 tutores de animais de estimação, entre os dias 24 e 26 de abril. O estudo explorou como os pets estão se tornando uma parte cada vez maior da vida dos americanos, desde a forma como as pessoas enxergam a família e os relacionamentos até como gastam dinheiro, planejam o orçamento e tomam decisões sobre estilo de vida, abordando mudanças geracionais, comportamento do consumidor, dinâmica familiar e a evolução das prioridades de vida.

Entre os resultados, quando obrigados a escolher entre ter um pet ou um filho no futuro, 40% dos entrevistados escolheram pets, 39% disseram ambos e 21% escolheram filhos. Entre os que já são tutores de animais de estimação, 83% afirmaram que seus pets são como seus próprios filhos.

Para Libby Rodney, diretora de estratégia e futurista da The Harris Poll, a parentalidade de pets tornou-se uma verdadeira identidade econômica e familiar. "Quando perguntados sobre o que prefeririam ter no futuro, mais americanos agora escolhem pets em vez de filhos, e os tutores mais jovens estão reduzindo gastos com refeições prontas, férias e até consultas médicas para gastar mais com seus animais. Isso não é apenas um sentimento. É uma geração decidindo que o pet é o único dependente que realmente consegue sustentar."

A Geração Z lidera o movimento

A tendência foi mais pronunciada entre as gerações mais jovens. Mais da metade (55%) dos entrevistados da Geração Z e dos Millennials disseram que já consideraram construir uma vida em torno dos pets em vez de terem filhos, e 54% afirmaram que deixariam uma herança para seus animais de estimação, se pudessem, segundo a pesquisa.

Os entrevistados que preferem pets a filhos citaram diversos motivos, incluindo não estarem na fase de vida adequada para criar uma criança (45%), os pets serem mais fáceis de cuidar do que filhos (35%) e representarem um peso financeiro menor (32%).

A posse de animais de estimação continua crescendo. A pesquisa constatou que 77% dos americanos possuem pelo menos um pet, alta de três pontos percentuais em relação a 2024. Os cães continuam sendo os animais mais comuns, presentes em 60% dos lares, seguidos pelos gatos, com 45%.

Pressão dos custos aumenta entre os tutores mais jovens

A pesquisa também constatou que o aumento dos custos está mudando a forma como os tutores, especialmente os mais jovens, distribuem seus gastos. Mais da metade (54%) dos entrevistados da Geração Z e dos Millennials afirmou preocupar-se com o impacto do custo de vida sobre sua capacidade de oferecer cuidados de qualidade aos seus animais.

Os tutores mais jovens relataram gastar mais do que as gerações anteriores em praticamente todas as categorias relacionadas aos cuidados com os pets, incluindo seguros, banho e tosa, treinamento e produtos de bem-estar.

Para compensar esses custos, muitos disseram estar fazendo concessões financeiras pessoais, incluindo cozinhar mais em casa em vez de pedir comida pronta (56% no total; 61% entre Geração Z e Millennials), trocar as marcas de alimentos que compram para si por opções mais baratas (41%) e reduzir gastos com itens de conforto pessoal (39%).

Quase três em cada dez (29%) tutores da Geração Z e dos Millennials disseram estar endividados em razão das despesas relacionadas aos pets, em comparação com 14% dos tutores da Geração X e dos Baby Boomers, segundo a pesquisa.

Apesar da pressão financeira, os tutores mais jovens relataram gastos maiores em categorias como seguro para pets (61%, contra 22%), treinamento (36%, contra 9%) e roupas para animais (52%, contra 22%) em comparação com as gerações mais velhas. 77% dos tutores da Geração Z e dos Millennials disseram manter um orçamento separado para seus animais de estimação, contra 56% dos integrantes da Geração X e dos Baby Boomers.

Pets com IA ficam aquém dos animais reais

A pesquisa também avaliou a disposição para aceitar animais de estimação baseados em inteligência artificial como substitutos da companhia de um pet real. 86% dos tutores afirmaram que pets com IA jamais poderiam substituir o vínculo emocional que têm com um animal de estimação de verdade.

Cresce o apoio a políticas voltadas aos tutores de pets

A pesquisa identificou forte apoio entre os tutores a políticas destinadas a reduzir o custo da criação de animais de estimação.68% disseram que os tutores deveriam receber incentivos fiscais para despesas como alimentação e cuidados veterinários, de forma semelhante às deduções relacionadas aos filhos, e 69% afirmaram que registrariam seus pets como dependentes legais, se isso fosse possível.

Outras medidas que, segundo os entrevistados, deveriam estar disponíveis para apoiar os tutores incluem deduções fiscais para quem possui animais de estimação (42%), controle ou limite para taxas e depósitos cobrados por imóveis que aceitam pets (37%) e a possibilidade de utilizar recursos de contas destinadas a despesas médicas para pagar tratamentos veterinários (36%).

Quase metade (44%) dos tutores afirmaram que o custo de vida faz com que se preocupem se conseguirão continuar proporcionando aos seus animais de estimação a qualidade de vida que acreditam que eles merecem, segundo a pesquisa.

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