Saúde intestinal virou básico, e tutores buscam por alimentos multifuncionais

Humanização faz com que tutores busquem produtos que proporcionem benefícios para diversas áreas da saúde dos pets, impulsionando soluções nutricionais sistêmicas.

Alimentos Multifuncionais

Nos últimos anos, tutores têm entendido que a alimentação é parte essencial para a saúde preventiva de seus animais. Esse entendimento é um dos motivos para que o mercado de probióticos esteja em alta, com estimativa de atingir US$ 3,09 bilhões (~ R$ 16,9 bilhões) até 2033. No entanto, eles estão cada vez mais exigentes e os benefícios que abriram as portas dos bióticos no pet food, como melhora na saúde digestiva, viraram o “básico”. 

“Tutores já partem do pressuposto de que a maioria dos alimentos deve oferecer algum benefício para a saúde digestiva: é o ‘tem que ter’. Essa percepção é sustentada por pesquisas internas com mais de mil tutores nos Estados Unidos, que mostram a busca por mais em menos, ou seja, múltiplos benefícios em um único produto”, afirma Isabella Alvarenga, gerente de Serviços Técnicos em Saúde Animal na IFF, em entrevista ao Petfood Forum Brasil. 

Tutores querem multifunção e multiformato

O multifuncional virou o verdadeiro diferencial. De acordo com Alvarenga, tutores estão atentos a produtos que, além de boa digestão, proporcionam benefícios para a saúde dos rins, saúde das articulações ou saúde do sistema imunológico. Além disso, consumidores demonstram interesse em formulações que auxiliem na ansiedade, envelhecimento saudável e saúde da pele. 

No Brasil, a pesquisa e a indústria também estão se movimentando para atender essa nova demanda. Segundo Danilo Souza, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da MBRF Pet, esforços recentes no desenvolvimento de ingredientes funcionais, incluindo a categoria dos bióticos, estão evoluindo para abordar uma nutrição funcional sistêmica à medida que o entendimento sobre a saúde dos pets se aproxima da humana. 

"Um dos principais impulsionadores do consumo no Brasil é, sem dúvida, a forma como os pets estão assumindo o papel de membros da família, o que naturalmente eleva a expectativa de longevidade e qualidade de vida”, diz Souza. 

Isso acompanha uma transferência de conceitos da nutrição humana, como microbiota, imunidade e bem-estar, para o universo pet, o que se reflete nos desejos de consumo dos tutores.“O consumidor demonstra um interesse cada vez maior por estratégias nutricionais que contribuam para a manutenção da saúde ao longo da vida do animal, e não mais apenas pela solução de problemas clínicos pontuais”, ressalta. 

Além de beneficiar a saúde pet como um todo, Alvarenga aponta que a conveniência e a palatabilidade também são atributos que impactam na decisão de compra dos tutores. “A preferência é por formatos, como pós, toppers e petiscos, que se encaixem na rotina e  também agradem aos pets. Isso é algo muito ligado à humanização e à vontade de proporcionar uma vida mais saudável enquanto fortalece o vínculo tutor-pet”, declara.

Desafios

Ainda que a demanda por ingredientes funcionais exista, o mercado enfrenta obstáculos como o conhecimento limitado dos consumidores sobre o papel dos bióticos na saúde dos pets e as incertezas regulatórias em torno de rotulagem e alegações funcionais.

O nível de familiaridade de parte dos tutores e até de alguns profissionais com conceitos como a diferenciação entre pró, pré e pós-bióticos, microbiota e metabólitos é um dos principais desafios. Comunicar a ciência por trás dos bióticos de forma clara e acessível aos tutores é uma dificuldade frequente. “Especialmente porque os benefícios, muitas vezes, atuam ao longo do tempo. Então não é o uso de um suplemento, ou um petisco funcional, que vai trazer alguma melhora na saúde. E isso precisa ficar claro para o tutor”, afirma Alvarenga.

Outro entrave é que empresas com forte base científica desenvolvem produtos excelentes, mas não conseguem vendê-los devido às restrições nas alegações de marketing. Souza explica que parte dos bióticos estudados atualmente ainda está em processo de consolidação quanto ao seu enquadramento e uso em alimentos para pets. Por isso, a comunicação dos benefícios fisiológicos pode enfrentar desafios para se manter dentro dos limites regulatórios, evitando caracterizações que possam ser interpretadas como alegações terapêuticas.

O indicado, segundo Souza, é “utilizar uma linguagem simples associada a benefícios práticos, como ‘intestino equilibrado’, ‘imunidade fortalecida’, traduzindo a ciência de forma acessível sem perder o respaldo técnico, mantendo credibilidade científica e relevância prática na rotina do pet e do tutor.”

Preço determina compra, mas boa comunicação aumenta o ticket

O custo de desenvolvimento de alimentos e suplementos multifuncionais também é um impeditivo. Segundo Alvarenga, a inclusão de bióticos nas formulações gera um alto custo inicial, com o pedido mínimo podendo chegar às dezenas de milhares de dólares. 

No entanto, Souza aponta que o investimento pode ser inteligente quando acompanhado de um posicionamento que traga segurança e percepção de valor para os tutores.

“Tutores de perfil premium e super premium são tutores que valorizam e têm disposição para investir em alimentos quando percebem benefícios claros para o bem-estar e a qualidade de vida do pet”, diz. 

É importante que as empresas trabalhem com respaldo científico no desenvolvimento dos seus produtos, mas que também passem a segurança necessária para os tutores, comunicando de forma transparente o papel nutricional desses ingredientes.

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