
Uma pesquisa com mais de 8.800 tutores de pets em países de língua alemã sugere que a motivação para a busca de dietas alternativas com proteínas à base de plantas e insetos está mais relacionada à saúde do pet do que à sustentabilidade. A constatação é do trabalho de pesquisadores da Universidade de Medicina Veterinária de Hannover (Alemanha), publicado na revista Frontiers in Veterinary Science.
O estudo analisou respostas de tutores de cães e gatos sobre hábitos alimentares, preferências de ingredientes e atitudes em relação às proteínas alternativas. As dietas convencionais à base de carne continuam dominando as vendas de alimentos para animais de estimação, principalmente por causa da percepção de valor nutricional. De acordo com os resultados, 53,03% dos donos de cães ofereciam diariamente ração seca à base de carne, enquanto 80,72% dos donos de gatos forneciam diariamente alimentos úmidos à base de carne.
Produtos à base de plantas e insetos representaram uma parcela muito menor das rotinas regulares de alimentação. Ainda assim, essas alternativas são procuradas por consumidores mais jovens e tutores veganos.
O levantamento constatou que os tutores ainda associam fortemente carne à qualidade. Mais da metade dos donos de cães e mais de 70% dos donos de gatos disseram que o teor de carne está entre os indicadores mais importantes de qualidade dos alimentos pet. Muitos entrevistados também preferiam carne magra e produtos sem subprodutos de origem animal. O posicionamento “grain free” (sem grãos) continuou relevante, especialmente entre donos de cães.
Proteínas alternativas precisam de mais do que apelos de sustentabilidade
A principal mensagem que se pode tirar do trabalho é que as proteínas alternativas não podem depender apenas de mensagens ligadas à sustentabilidade para conquistar os tutores. A saúde do pet foi o principal motivo para a escolha do alimento, citada por cerca de 78% dos donos de cães e gatos. A sustentabilidade apareceu bem abaixo nesse ranking.
A pesquisa também revelou uma diferença significativa entre o interesse dos consumidores por nutrição e a dependência de orientação veterinária. Apenas 14,11% dos entrevistados afirmaram que recomendações veterinárias influenciavam suas decisões de compra, enquanto fontes online e recomendações de outros tutores tiveram peso maior.
Marcas que investem em educação digital, parcerias com influenciadores e conteúdos online baseados em ciência podem ter mais influência nas decisões de compra do que o endosso veterinário tradicional sozinho.
A abertura dos consumidores às proteínas alternativas variou bastante conforme o perfil demográfico. Tutores mais jovens, especialmente entre 21 e 30 anos, mostraram maior propensão a oferecer dietas à base de plantas ou insetos.
Como esperado, tutores veganos também tinham muito mais probabilidade de escolher alimentos veganos para seus cães. Segundo o estudo, 53,9% dos donos veganos de cães alimentavam seus animais com dieta vegana, em comparação com apenas 2,53% dos tutores onívoros.
Os gatos, por serem carnívoros obrigatórios, continuam sendo uma categoria mais desafiadora para proteínas alternativas. Apenas 10% dos donos veganos de gatos alimentavam seus felinos com dieta vegana. Os pesquisadores observaram que muitos entrevistados consideravam dietas veganas potencialmente prejudiciais para os felinos.
Por outro lado, proteínas de insetos foram geralmente percebidas como biologicamente mais apropriadas, possivelmente porque muitos donos de gatos já testemunharam seus animais caçando moscas dentro de casa.
Oportunidades para proteínas alternativas no mercado pet
Essa distinção pode criar uma oportunidade estratégica para fornecedores de proteína de insetos e fabricantes de alimentos pet. Embora as taxas reais de uso desses ingredientes ainda sejam baixas, a resistência dos consumidores foi significativamente menor do que a relacionada com dietas veganas.
A pesquisa sugere que proteínas de insetos podem se beneficiar de um alinhamento mais forte com a percepção dos consumidores sobre uma nutrição adequada à espécie. Além disso, o comportamento de compra de alimentos pet é cada vez mais influenciado por uma combinação de crenças nutricionais, valores éticos e fatores demográficos.


















