
Os humanos normalizaram o uso de suplementos e outros produtos consumíveis para lidar com a própria ansiedade. Por isso, não é surpresa que tutores passaram a buscar esse mesmo tipo de benefício em alimentos, petiscos e suplementos para pets. Ao mesmo tempo, prebióticos, postbióticos e probióticos continuam populares no mercado de pet food.
Unindo essas duas tendências, Erik Eckhardt, cientista principal da dsm-firmenich, empresa química suíço-holandesa que atua no segmento de nutrição animal, apresentou dados sobre como os postbióticos podem auxiliar no controle do estresse canino por meio do eixo intestino-cérebro. O debate aconteceu durante sua apresentação no Petfood Forum 2026, realizado em abril, nos Estados Unidos.
A pesquisa destacada por Eckhardt teve como foco os postbióticos, categoria de ingredientes que vem ganhando atenção devido à sua estabilidade e benefícios funcionais. O ingrediente estudado, LB Fermentate HF, é um cofermentado tratado termicamente das bactérias Limosilactobacillus fermentum e Lactobacillus delbrueckii. Como os microrganismos presentes em um postbiótico não estão vivos, o ingrediente apresenta maior estabilidade em condições de processamento, como extrusão e esterilização térmica, em comparação com um probiótico.
Eixo intestino-cérebro fornece justificativa biológica
O eixo intestino-cérebro conecta a saúde intestinal às respostas neurológicas. Eckhardt destacou essa relação ao afirmar que “é uma ligação direta, literalmente, entre o intestino e o cérebro”.
A apresentação explicou que a disfunção da barreira intestinal pode levar à sinalização inflamatória e a respostas de estresse, enquanto o fortalecimento dessa barreira pode ajudar a reduzir esses efeitos.
Dados pré-clínicos obtidos em modelos celulares, organoides e animais sugerem que o postbiótico contribui para a integridade da barreira intestinal e para o equilíbrio do microbioma, fornecendo base para avaliar resultados relacionados ao estresse em cães.
Estudo com cães mostra efeitos fisiológicos mensuráveis
Um estudo randomizado, cego e controlado por placebo, realizado com 24 cães adultos da raça beagle, avaliou o impacto do ingrediente durante um desafio simulado de tempestade com trovões.
Eckhardt relatou uma redução significativa na reatividade da frequência cardíaca entre os cães suplementados. As respostas de cortisol apresentaram tendência de redução, mas não alcançaram significância estatística, enquanto os escores comportamentais não diferiram entre os grupos tratado e controle.
Além dos marcadores de estresse, o estudo identificou benefícios gastrointestinais. Os cães que receberam o postbiótico apresentaram melhora nos escores fecais durante uma transição alimentar e maior estabilidade do microbioma em comparação com o grupo controle.
“Observamos menor queda nos aminoácidos pós-estresse, assim como em DHA e triptofano, indicando menor demanda metabólica durante o estresse”, afirmou Eckhardt.
Os resultados sugerem que os postbióticos podem contribuir para o efeito calmante de forma indireta, por meio da modulação da saúde intestinal, e não necessariamente por alterações comportamentais diretas.


















