Centeio e triticale surgem como alternativas viáveis em rações secas para cães

Cereais podem oferecer benefícios funcionais e nutricionais em dietas caninas, especialmente à medida que a indústria reavalia formulações grain-free na era pós-DCM

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Tim Wall | Imagem gerada com ferramentas de IA

O centeio e o triticale, híbrido do cruzamento entre trigo e centeio, podem servir como alternativas viáveis ao trigo em alimentos extrusados para cães sem comprometer digestibilidade, qualidade fecal, parâmetros sanguíneos ou palatabilidade. 

A constatação é derivada de resultados de uma pesquisa publicada na revista BMC Veterinary Research, em que cães alimentados com dietas contendo 30% de centeio ou triticale apresentaram desempenho semelhante ao de cães alimentados com dietas à base de trigo na maioria das métricas de saúde e digestão. O estudo também identificou considerações específicas de formulação relacionadas ao perfil de fibras fermentáveis do centeio.

Pesquisadores da Universidade Selçuk, na Turquia, avaliaram 21 golden retrievers adultos utilizando dietas extrusadas formuladas com trigo, centeio ou triticale como principal fonte de grãos. A farinha de frango foi a fonte de proteína animal em todas as formulações. Dezoito cães completaram os testes de digestibilidade, enquanto 21 participaram das avaliações de palatabilidade.

As dietas foram formuladas com inclusão de 30% de trigo, centeio ou triticale. As dietas com centeio também continham níveis ligeiramente maiores de glúten de milho para manter teor proteico semelhante entre as formulações.

Em relação à digestibilidade, cães alimentados com dietas contendo centeio apresentaram digestibilidade significativamente maior de matéria seca e matéria orgânica em comparação aos cães alimentados com dietas à base de trigo ou triticale. A digestibilidade da proteína bruta não diferiu significativamente entre os tratamentos.

Os autores sugeriram que o processamento por extrusão pode ter contribuído para os resultados favoráveis ao reduzir fatores antinutricionais comumente associados ao centeio. Por outro lado, o estudo observou que variedades modernas de centeio podem conter níveis menores de arabinoxilanos solúveis, um tipo de fibra alimentar, e de inibidores enzimáticos em comparação com cultivares mais antigas.

A pesquisa pode ajudar a reduzir preocupações históricas sobre a inclusão de centeio em pet food. Tradicionalmente, o ingrediente foi pouco utilizado em dietas para animais de companhia devido a preocupações relacionadas à palatabilidade e a problemas de viscosidade em espécies monogástricas, como os cães, que são animais que possuem um estômago simples, composto por apenas uma câmara, dependendo fortemente de enzimas digestivas para a quebra de nutrientes. 


Com relação à preferência, os cães deste estudo não demonstraram diferenças significativas entre os três tipos de grãos. Os autores relataram índices de preferência de 33,81% para trigo, 34,76% para centeio e 31,27% para triticale.

Centeio como ingrediente funcional em alimentos para cães

À medida que a saúde intestinal continua sendo uma consideração importante para os tutores, a composição de fibras do centeio pode merecer atenção adicional, afirmaram os cientistas. O centeio contém níveis relativamente elevados de arabinoxilanos, frutanos e beta-glucanas, compostos associados à fermentação intestinal e à produção de ácidos graxos de cadeia curta.

Embora as concentrações fecais de ácidos graxos de cadeia curta não tenham diferido significativamente entre as dietas, as com centeio aumentaram numericamente as concentrações de butirato em comparação com trigo e triticale. O butirato é considerado uma importante fonte de energia para as células do cólon e está associado à saúde gastrointestinal e ao suporte do microbioma.

Os pesquisadores observaram concentrações de butirato de 11,46 mmol/kg de matéria seca no grupo com centeio, em comparação com 6,23 mmol/kg para trigo e 4,20 mmol/kg para triticale. A diferença não atingiu significância estatística, o que os autores atribuíram parcialmente ao tamanho reduzido da amostra.

Do ponto de vista da qualidade das fezes, formuladores podem precisar equilibrar os benefícios da fermentação com os efeitos sobre a umidade. O centeio reduziu a matéria seca fecal em comparação com o triticale, embora os escores de consistência fecal tenham permanecido semelhantes em todas as dietas. Os autores atribuíram a menor matéria seca fecal ao conteúdo de fibras fermentáveis do centeio e ao aumento da fermentação intestinal.

Nenhuma das fontes de grãos afetou negativamente os parâmetros sanguíneos avaliados, incluindo glicose, colesterol, triglicerídeos, nitrogênio ureico sanguíneo, creatinina ou enzimas hepáticas. Todos os valores permaneceram dentro das faixas de referência consideradas normais para cães adultos saudáveis.

Triticale em formulações para cães

O estudo também apresentou o triticale como um ingrediente ainda pouco explorado na nutrição canina. O híbrido apresentou desempenho semelhante ao trigo na maioria das categorias avaliadas. Os pesquisadores sugeriram que o grão pode oferecer aos formuladores uma opção economicamente viável e potencialmente mais sustentável, sem competir diretamente com a demanda alimentar humana no mesmo nível que o trigo.

Os autores alertaram que o estudo envolveu apenas uma raça ao longo de um período de alimentação de 56 dias e utilizou uma amostra relativamente pequena de seis cães por dieta nos testes de digestibilidade.

Os resultados fornecem evidências de que centeio e triticale podem oferecer benefícios funcionais e nutricionais em dietas caninas, especialmente enquanto a indústria continua reavaliando formulações grain-free e ingredientes alternativos.

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