
Um novo estudo global encomendado pela Royal Canin revela que milhões de cães e gatos adotados durante a pandemia de covid-19 estão entrando na meia-idade, uma fase da vida que a medicina veterinária considera cada vez mais crítica para a promoção da saúde a longo prazo. No entanto, muitos tutores ainda não estão preparados para lidar com esse momento.
A pesquisa, realizada pela Censuswide em março de 2026 com 19.012 tutores de animais de estimação, mostrou que mais de um terço dos entrevistados (38%) acredita que não há nada que possa ser feito em relação ao envelhecimento dos pets. Além disso, pouco mais de dois em cada cinco participantes (44%) afirmaram que só passam a pensar no envelhecimento quando surgem problemas de saúde. O dado mais relevante, porém, mostra um comportamento esquivo da questão: mais da metade (55%) evita falar ou refletir sobre o tema porque considera o assunto triste.
Ao mesmo tempo, os tutores demonstram forte vínculo emocional com seus animais: 74% compram presentes para comemorar datas especiais, como aniversários; 52% celebram o aniversário do pet todos os anos; e quase um terço (30%) afirma gastar mais com presentes de aniversário para o animal do que para os próprios filhos.
Segundo especialistas em medicina veterinária, essa discrepância entre o apego emocional e a adoção de comportamentos preventivos é particularmente preocupante agora que muitos animais adquiridos durante a pandemia estão alcançando entre seis e sete anos de idade. Esse período marca o início de alterações biológicas relacionadas ao envelhecimento, que podem ocorrer em nível celular antes mesmo do aparecimento de sinais clínicos visíveis.
Apesar disso, quase um terço dos tutores (31%) afirmou adiar medidas preventivas porque acredita que o animal “parece estar bem”.
Saúde ao longo da vida ganha destaque
Novas pesquisas científicas apresentadas durante o Royal Canin Veterinary Symposium 2026 destacam o conceito de healthspan, termo utilizado para descrever o período da vida em que o animal permanece saudável antes do desenvolvimento de doenças crônicas e incapacidades associadas ao envelhecimento.
Segundo os pesquisadores, fatores como nutrição adequada, controle do peso corporal, prática de exercícios físicos e acompanhamento veterinário regular podem influenciar diretamente a forma como cães e gatos envelhecem.
O levantamento também mostrou que um em cada quatro tutores (25%) desconhece que o risco de doenças, como diabetes e obesidade, aumenta com o avanço da idade dos animais.
“Hoje sabemos que o processo de envelhecimento dos pets começa muito antes do que a maioria das pessoas imagina, frequentemente durante a meia-idade, quando cães e gatos ainda aparentam estar saudáveis e cheios de energia”, afirmou a médica-veterinária Tanya Schoeman, especialista em medicina veterinária e saúde felina da Royal Canin. Para ela, essa fase representa uma oportunidade valiosa para adotar medidas simples e preventivas capazes de favorecer o bem-estar a longo prazo.
Schoeman acrescenta que, tanto como veterinária quanto como tutora, compreende a dificuldade de muitos proprietários em lidar com o envelhecimento dos animais. “É natural concentrarmos nossa atenção no presente quando nossos pets parecem saudáveis, e pensar em seu envelhecimento pode ser angustiante”, afirmou.
No entanto, iniciar as conversas e os exames preventivos mais cedo, além de observar pequenas mudanças, pode contribuir não apenas para uma vida mais longa, mas também para uma vida mais saudável e com melhor qualidade à medida que eles envelhecem.”
Entre as medidas recomendadas pela especialista estão a realização periódica de consultas veterinárias, o diálogo proativo com o médico-veterinário sobre envelhecimento saudável e a atenção a alterações discretas no comportamento, na mobilidade ou nos níveis de energia dos animais.
















