Por que a obesidade em pets é um desafio para muitos tutores?

Nova pesquisa revela que  desinformação é o principal desafio para pets com peso saudável e destaca papel da indústria pet em ampliar a educação sobre tema.

Obesidade Em Cães E Gatos
Sherman Kwan|Unsplash

A obesidade em pets é uma preocupação crescente, afetando cerca de 60% dos cães e gatos no mundo, de acordo com pesquisa publicada na revista Frontiers in Veterinary Science. A condição é frequentemente potencializada pelo estilo de vida familiar de tutores que, cada vez mais, integram seus pets à rotina humana, e pode levar à complicações graves de saúde. O artigo destaca problemas ortopédicos, resistência à insulina, diabetes mellitus em gatos, inflamação crônica e até câncer como consequências. 

No entanto, quase como uma contradição à tendência de busca por alimentos saudáveis para os pets, um novo levantamento da fabricante de rações Royal Canin revela que muitos tutores ainda não entendem claramente o que caracteriza um peso saudável para seus animais. Além disso, não relacionam a alimentação e o excesso de peso à problemas de saúde. 

A pesquisa da Royal Canin, conduzida em março de 2025 pela empresa londrina Censuswide, entrevistou 14.016 tutores de cães e gatos e 1.750 profissionais veterinários no Reino Unido, França, China, Índia, México, Espanha, Portugal e Brasil. Entre os principais apontamentos, a desinformação entra como a maior barreira para o controle da obesidade em animais de estimação. 

O papel da desinformação na obesidade pet

17% dos tutores entrevistados apontaram a desinformação como um dos maiores entraves para manter seus pets em um peso saudável. Para os veterinários participantes, 29% concordam que informações imprecisas ou enganosas dificultam o diálogo com tutores sobre peso adequado e obesidade.

O estudo mostrou ainda que 19% dos tutores recorrem às redes sociais para obter informações sobre nutrição, peso saudável e obesidade em pets. O índice sobe para 55% entre a Geração Z.

Uma situação semelhante em relação ao conhecimento dos tutores sobre obesidade em pets já havia sido apontada em um estudo de 2024 da UK Pet Food.

A pesquisa, feita em parceria com o Kantar e a consultoria Soulor Consulting com 2.500 residências no Reino Unido, apontou que 77% dos tutores acreditavam que seus pets estavam com um peso saudável, apesar das taxas crescentes de obesidade na região. Apenas 4% reconheceram a necessidade de perda de peso em seus pets.

O que contribui para a obesidade em pets

Ao analisar os fatores que contribuem para a obesidade em animais de estimação, a pesquisa da Royal Canin aponta que 41% dos donos dão petiscos aos seus animais quando eles parecem tristes, entediados ou solitários. Fora isso, três em cada quatro alimentam seus animais com comida humana, mas um terço (31%) desses acreditam que isso não causa danos.

Saiba mais: Ração adequada é a chave para combater a obesidade em pets

Para os tutores, o que mais contribui para o excesso de peso em pets são:

  • Excesso de alimentação (39%)
  • Falta de exercício (36%)
  • Ração de baixa qualidade (17%)
  • Alimentação com comida humana (14%)
  • Desconhecimento dos donos sobre o sobrepeso de seus pets. (11%)

Na pesquisa britânica, os maiores contribuintes apontados para a obesidade em cães e gatos são a oferta em excesso de petiscos (29%), a normalização de pets acima do peso (28%), e o hábito de alimentação com sobras de comida humana (26%).

A indústria pet no combate à obesidade pet

Assim como a Royal Canin, outras empresas do setor estão intensificando pesquisas e iniciativas para oferecer mais informações e orientação aos tutores relacionadas ao peso e saúde de seus pets.

Em fevereiro deste ano, a Hill’s Pet Nutrition firmou parceria com a Association for Pet Obesity Prevention (APOP) para combater a obesidade em pets. A iniciativa tem foco em capacitar equipes veterinárias com ferramentas e informações que ajudem tutores a manter o peso saudável de seus animais.

Em outubro de 2024, a UK Pet Food lançou uma ferramenta interativa voltada a donos de cães, desenvolvida em colaboração com o psicólogo Professor Thomas Webb, especialista em hábitos comportamentais. O recurso inclui um quiz e orientações personalizadas para ajudar a corrigir hábitos de superalimentação e excesso de petiscos. A ferramenta foi divulgada junto ao relatório da entidade sobre a obesidade em pets no Reino Unido na última década.

No Brasil, a PremieRpet, através da sua plataforma exclusiva à profissionais veterinários, a PremieRvet, oferece suporte para orientação e acompanhamento nutricional de pets com excesso de peso. Na plataforma, veterinários podem calcular a necessidade energética para perda de peso, a taxa de perda de peso semanal, quantidade diária de alimento, além de estimar o tempo necessário para perda de peso de forma personalizada, a partir de informações do paciente, como espécie, sexo, peso e escore corporal.

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