
A nutrição constitui um pilar essencial para as indústrias de alimentos para animais de estimação, com sua relevância transcendendo meras tendências. Contudo, apesar de tutores e veterinários compartilharem o propósito de assegurar uma dieta completa e equilibrada para o bem-estar animal, a colaboração entre eles nem sempre é isenta de conflitos, gerando atrito no setor.
Uma nova pesquisa publicada no Journal of the American Veterinary Medical Association aponta que o problema se deve especialmente por falhas na comunicação e no entendimento da nutrição animal
O estudo de 2021 coletou depoimentos de 18 veterinários nos estados de Maryland, Michigan, Virgínia, Washington D.C. e Virgínia Ocidental, nos Estados Unidos. Esses depoimentos foram organizados em cinco grupos focais, conduzidos via Zoom. A análise subsequente revelou quatro barreiras primárias na comunicação sobre nutrição.
Tempo para consultas e capacitações
Veterinários entrevistados identificaram a limitação de tempo por consulta como um dos principais desafios para uma comunicação clara sobre nutrição. As consultas são curtas e geralmente focam em problemas de saúde específicos dos animais. A pesquisa revelou que muitos participantes enfrentam dificuldades em dedicar tempo ao estudo e atualização em nutrição.
Desinformação e excesso de informações
Para os entrevistados, a internet é uma fonte maior de desinformação do que de fatos para os tutores. Os veterinários participantes observaram que sites não confiáveis são mais acessíveis e até mais atraentes para os tutores do que fontes científicas com respaldo veterinário.
“Qualquer busca sobre nutrição pet resultava em páginas de blogs, sites e outras plataformas em que, segundo os participantes, pessoas não profissionais ofereciam suas opiniões e conselhos", consta no estudo.
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Relutância dos tutores em aceitar novas informações
Mesmo quando conseguiam falar sobre nutrição com os tutores, os veterinários enfrentavam resistência por causa da desinformação prévia.
Segundo a pesquisa, os participantes relataram que muitos tutores chegavam com ideias formadas, muitas vezes baseadas em informações de criadores, vendedores de pet shops ou da internet e apresentavam resistência em ouvir uma avaliação contraditória. Alguns não acreditavam que o peso do animal fosse um problema de saúde, por exemplo.
Além disso, tutores costumam se apegar à ideia de que o tutor é quem melhor entende sobre a saúde do pet, e que os veterinários estavam desinformados ou eram influenciados por patrocínios da indústria de ração.
Confiança dos veterinários em seus conhecimentos e habilidades de comunicação
A habilidade dos veterinários em comunicar os tutores sobre nutrição também foi apontada como um obstáculo.
Os participantes concordaram ao afirmar que suas formações universitárias iniciais, sem considerar especializações, tinham pouca ênfase em nutrição e em seus impactos na saúde. Mesmo os que se sentissem bem informados sobre nutrição, relataram ter recebido pouca formação sobre como comunicar esse conhecimento de forma eficaz aos tutores.
“Independentemente do nível de instrução, os participantes concordaram que tinham baixa confiança ao abordar esse assunto com os tutores e tinham dificuldade em convencê-los sobre o valor dos alimentos recomendados, especialmente quando a sugestão envolvia a mudança de alimentação para um animal saudável”, diz o artigo que menciona a falta de fontes confiáveis que corroborem tais recomendações como um dos agravantes para esse cenário.
Soluções para as barreiras de comunicação com tutores
Além de identificar os problemas, os grupos focais também discutiram possíveis soluções. Os veterinários sugeriram melhorar a formação em comunicação e nutrição nas universidades em programas de pós-graduação.
Para os tutores, foram sugeridos materiais escritos em linguagem simples e de fácil compreensão. Muitos participantes já haviam desenvolvido seus próprios materiais para distribuição durante as consultas ou para envio aos lares dos tutores. Além dos próprios veterinários, a pesquisa indica que técnicos e equipes de apoio também deveriam ser treinados para discutir nutrição com os tutores, garantindo que a informação transmitida fosse consistente.
“Investigar e desenvolver boas práticas para integrar a nutrição à rotina das clínicas veterinárias é essencial para fortalecer seu papel nas consultas, e mais pesquisas com veterinários, técnicos, equipes de apoio e tutores são necessárias para criar soluções práticas que superem as barreiras de comunicação na medicina veterinária”, conclui a pesquisa.


















