
O novo relatório da Research and Markets, uma das líderes globais em produtos de informação empresarial no mercado, indica que o mercado global de alimentos orgânicos e naturais irá superar US$ 57,2 bilhões em valor até 2033. A projeção representa um crescimento de 82% com relação à 2024, em que o segmento foi avaliado em US$ 31,42 bilhões.
A valorização do mercado de orgânicos e naturais, segundo o relatório, acompanha tendências como a maior preocupação dos tutores com a saúde dos pets e a crescente disponibilidade de certificações orgânicas dos produtos. Além disso, a transformação do varejo, com destaque para a expansão das vendas online, também está contribuindo para a expansão do mercado.
O que impulsiona os alimentos orgânicos para pets?
Os alimentos orgânicos e naturais para pets emergem como uma tendência relevante na indústria, refletindo a crescente demanda por opções mais saudáveis e nutritivas. Só o segmento orgânico está projetado para aumentar de US$ 2,54 bilhões em 2024 para US$ 5,65 bilhões em 2033, com uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 9,29%.
O mercado global é impulsionado, principalmente, pela mudança nas preferências dos consumidores e a crescente conscientização sobre a saúde animal. Segundo analisa Lívia Rodrigues Salcedo, coordenadora interna no MBA em Mercado Pet da Universidade de São Paulo (USP), os tutores têm reconhecido cada vez mais a importância de fornecer uma nutrição que se aproxime da dieta natural dos animais e que contribua para o seu bem-estar geral. “O aumento de pets idosos, alergias, questões com obesidade animal e até maior conscientização sobre saúde digestiva impulsionam a busca por alimentos com ingredientes funcionais, livres de aditivos artificiais, conservantes e cargas sintéticas.”
Essa tendência é acompanhada da crescente humanização dos pets. Vistos cada vez mais como parte da família, os tutores passam a se preocupar com a transparência e sustentabilidade na origem dos alimentos e ingredientes conhecidos e confiáveis.
Esses comportamentos dos consumidores também são explicações para as principais tendências de produtos. Por exemplo, produtos com canabidiol (CBD), permitidos nos Estados Unidos e em alguns países europeus, são uma tendência que surfam nas preocupações com a saúde dos pets. Além disso, há maior atração para embalagens recicláveis e reaproveitamento criativo de materiais naturais, como petiscos feitos com chifres de alce caídos naturalmente, mostrando engajamento ambiental e uma forma de conectar o consumo pet à economia circular.
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Insights para o mercado brasileiro
Para Lívia Salcedo, marcas brasileiras têm grande oportunidade de crescimento no segmento de alimentos naturais e orgânicos. “Marcas locais podem se adaptar às preferências por rótulos limpos, ingredientes conhecidos e saudáveis”, afirma.
A busca por sustentabilidade também é uma tendência importante. Segundo ela, consumidores estão mais conscientes, e investir em embalagens com materiais recicláveis ou biodegradáveis pode ser um diferencial competitivo. Além disso, produtos com reaproveitamento ético podem ganhar espaço. “Mesmo que o chifre de alce não seja viável aqui, abre espaço para pesquisa e desenvolvimento de soluções locais, como cascas de frutas desidratadas, subprodutos da indústria alimentícia, entre outros.”
Com relação aos produtos com CBD, ainda que o uso da substância seja restrito no Brasil, ela avalia que há oportunidade futura, e as empresas devem monitorar o tema junto à Anvisa e ao MAPA para se posicionarem no mercado.
Por fim, Lívia reforça que os produtos inovadores devem ser acompanhados por uma boa história. “Há uma valorização do storytelling e da origem dos ingredientes por parte dos consumidores. Por isso, o marketing precisa fortalecer valores como naturalidade, rastreabilidade e responsabilidade ambiental.”

















