
O mais recente Dog & Cat Report 2025 da American Pet Products Association (APPA), realizado a partir de informações de tutores de cães e gatos dos Estados Unidos — maior mercado global onde os pets estão presentes em 94 milhões de lares —, revela quatro tendências principais que estão redesenhando os rumos da indústria de pet food.
Com dados coletados no último trimestre de 2024, o relatório destaca como o comportamento do consumidor e mudanças geracionais vêm impulsionando a demanda por nutrição premium, suplementos funcionais e produtos voltados ao bem-estar, apesar de um cenário de pressão econômica no país.
“O novo relatório confirma o que muitos já percebiam no setor: a forma de ter um pet está evoluindo: cães e gatos estão cada vez mais integrados à vida das pessoas. Desde a prioridade dada à nutrição até o aumento das casas com múltiplos gatos, os tutores de hoje estão redefinindo o que significa cuidar de um animal de estimação. Essas informações refletem não apenas o vínculo humano-animal, mas também os caminhos que o mercado deve seguir”, declarou Peter Scott, presidente e CEO da APPA, em comunicado sobre o levantamento.
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O relatório destaca o aumento da população de gatos, preocupação com o bem-estar e maior inclusão dos pets na rotina dos lares como as principais tendências para o setor. Veja:
1. A ascensão dos “pais de gato”: posse de gatos cresce 23%
A primeira grande tendência é o aumento expressivo da população de gatos nos lares americanos. Ao fim de 2024, os bichanos estavam presentem em 49 milhões de casas, um aumento de 23% com relação à 2023 e o maior número desde 2010.
Segundo o relatório, essa tendência é impulsionada pelo aumento da adoção de gatos por homens das gerações Z e Millennial, desafiando estereótipos antigos e consolidando a figura do “pai de gato”. Segundo Ingrid Chu, vice-presidente de Pesquisa e Insights da APPA, esses tutores mais jovens estão redefinindo a relação com os felinos, saindo do modelo tradicional do gato independente para relações mais engajadas e afetuosas.
Ela também observou que lares com apenas um gato estão diminuindo, enquanto as casas com múltiplos animais, especialmente com três ou mais, estão em alta. Isso representa uma oportunidade para marcas de pet food ampliarem o ticket médio por domicílio.
O fortalecimento do vínculo entre humanos e gatos também impacta diretamente a demanda por produtos. Hoje, 48% dos tutores dizem treinar seus gatos, um aumento de 41% nos últimos seis anos. Esse aumento impulsiona um crescimento nas vendas de coleiras, guias e peitorais observado desde 2018, evidenciando que os gatos estão participando de estilos de vida mais ativos, antes reservados apenas aos cães.
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Outro dado marcante é o aumento de celebrações voltadas aos felinos: festas de aniversário para gatos cresceram 250% desde 2018, e a compra de produtos temáticos com estampas de gatos subiu quase 90%. “Tudo isso mostra uma transformação na relação entre gato e tutor, que vai além da visão ultrapassada dos felinos como animais solitários”, resume Chu.
2. Para os cães, experiências compartilhadas fortalecem vínculos
No caso dos cães, o relatório aponta uma tendência igualmente forte de integração à rotina dos tutores. Os donos de cães estão priorizando cada vez mais atividades que estreitam a conexão com seus pets, incorporando-os em praticamente todos os aspectos da vida diária.
Segundo os dados, 59% dos tutores levam seus cães para fazer tarefas à pé pelo menos uma vez por semana, uma alta de 6% em relação a 2023. Essa rotina ativa e compartilhada abre espaço para soluções de alimentação portátil e produtos nutricionais práticos.
A presença de pets no ambiente de trabalho é outra fronteira em expansão: 49% dos tutores afirmam que levariam seus cães ao trabalho caso existissem políticas pet-friendly. Essa tendência reflete a percepção, por parte das empresas, de que ambientes pet-friendly ajudam na atração e retenção de talentos, além de estimular o retorno aos escritórios em modelos híbridos.
O relatório também destaca que viajar com cães se tornou algo comum. Nove em cada dez tutores viajam de carro com seus pets, e três em cada quatro realizam pelo menos uma viagem de avião por ano. “A frequência das viagens está aumentando, com mais tutores fazendo três ou mais viagens anuais com seus cães”, afirma Chu.
3. Nutrição premium volta a crescer com foco no bem-estar
Depois de um período de retração causado pelas pressões econômicas, a busca por alimentação premium para pets voltou a crescer de forma expressiva em 2024. Em contrapartida, as vendas de alimentos mais básicos seguem em queda.
O maior crescimento se deu nos complementos funcionais e nos mixers (misturas e coberturas para ração), cuja popularidade disparou. Desde 2018, o uso de toppers e mixers para cães cresceu 129%, e 138% para gatos. “Isso mostra que os tutores estão muito atentos a formas de alimentar seus pets de forma mais nutritiva”, afirmou Chu.
As dietas funcionais com ingredientes como prebióticos e probióticos também registraram crescimento significativo: 18% para cães e 9% para gatos apenas em 2024.
4. Procura por suplementos em alta
Por fim, o relatório destaca o crescimento contínuo no uso de vitaminas e suplementos. Em 2024, o segmento teve crescimento de 6% em relação a 2023, mas os números de longo prazo são ainda mais expressivos: desde 2018, o uso de suplementos cresceu 56% entre tutores de cães e 70% entre tutores de gatos.
Segundo Chu, há uma mudança de mentalidade em curso: “Mais tutores estão adotando uma abordagem preventiva, tratando os pets como membros da família que também precisam de cuidados antecipados com a saúde.”
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Para cães, os suplementos mais consumidos são os voltados à saúde das articulações, seguidos de multivitamínicos e produtos para pele, pelos e unhas. Entre os gatos, os multivitamínicos lideram, seguidos por prebióticos e produtos para saúde digestiva.
Essa visão preventiva reforça o posicionamento dos pets como integrantes plenos da família, com direito a cuidados similares aos dos humanos, incluindo o investimento em longevidade e qualidade de vida.
O que isso significa para a indústria pet food
As quatro tendências apontadas pelo relatório sugerem que a indústria de pet food está sendo moldada por três grandes forças: conexão emocional, otimização da saúde e integração dos pets ao estilo de vida dos tutores.
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Para os fabricantes de alimentos para animais de estimação, isso representa oportunidades claras em produtos premium, ingredientes funcionais e embalagens práticas que acompanhem um cotidiano mais ativo.
“Os dados deste ano mostram mudanças claras no comportamento e nas prioridades dos tutores. Vimos aumentos de dois ou até três dígitos em categorias como peitorais para gatos, festas de aniversário, produtos temáticos e complementos funcionais, todos sinais de um cuidado mais intencional e personalizado com os pets”, disse Chu.
O crescimento da posse de gatos, especialmente entre homens jovens, desafia abordagens tradicionais de desenvolvimento de produtos e marketing. Lares com múltiplos gatos e a busca por uma relação mais ativa com os felinos indicam uma demanda crescente por produtos voltados ao adestramento, viagens e celebrações.
Já a ênfase em experiências compartilhadas e em ambientes de trabalho que aceitam animais cria espaço para produtos on-the-go, embalagens para viagem e conteúdo educativo que fortaleça o vínculo entre humanos e pets.
Para Peter Scort, mesmo em um cenário de inflação e preocupação com preços, a premiumização se mantém forte. “Estamos vendo uma tendência em que o que é bom para mim também precisa ser bom para meu pet. Isso vale para suplementos, para a busca por longevidade e saúde de longo prazo. Esse movimento fortalece ainda mais o vínculo humano-animal.”
A American Pet Products Association (APPA) é uma organização que representa a indústria pet nos Estados Unidos, oferecendo serviços e programas para apoiar seus associados. Desde 1988, ela publica o National Pet Owners Survey, referência em dados de comportamento do consumidor. Seus relatórios trimestrais — State of the Industry, Dog & Cat, Fish & Reptiles e Horse, Birds & Small Animals — monitoram hábitos de consumo, identificam tendências e mapeiam oportunidades no setor pet.


















