Mercado de petiscos aponta para US$ 125 bi até 2034

Humanização dos animais, novas exigências nutricionais e expansão para mercados emergentes são os principais motores de crescimento do segmento.

Mercado Global De Petiscos
Nicole Calmet|Unsplash

O mercado de snacks e petiscos para animais de estimação vem se consolidando como um dos segmentos mais prósperos dentro da indústria de pet food. Segundo relatório da Market.us, o mercado global desses alimentos complementares deve saltar de US$ 40,7 bilhões (R$ 224, 8 bilhões) em 2024 para US$ 125,3 bilhões (R$ 692 bilhões) em 2034, com uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 11,9%. 

Impulsionado pelos números crescentes de animais de estimação, pela humanização dos pets e preferências por ingredientes funcionais e nutrição premium, o setor se expande à medida que tutores tratam seus animais como membros da família e estão dispostos a gastar mais com afeto e saúde.

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Petiscos e snacks: mercado global e brasileiro

Embora sejam tradicionalmente associados a agrados ou adestramento, esses produtos vêm sendo formulados com funções específicas, como suporte à saúde bucal, alívio da ansiedade e suplementação nutricional. Essa combinação entre prazer e funcionalidade abriu caminho para a expansão do setor, observada tanto em mercados desenvolvidos quanto emergentes.

A América do Norte lidera o setor, com 52,7% de participação em 2024 e um mercado estimado em US$ 21,1 bilhões (R$ 116,5 bilhões). Só os Estados Unidos respondem por 36% das vendas globais. 

Na Europa, o relatório observa que 45% das unidades vendidas na categoria de petiscos refletem um apetite por produtos premium, movimento reforçado pelo avanço da regulamentação em bem-estar animal e nutrição pet em países da União Europeia. Como exemplo, é possível destacar a Regulação 2419 de 2023 do Conselho da UE que estende ao pet food os mesmos padrões para alimentos categorizados como orgânicos do que os aplicados aos alimentos humanos. A regulamentação dita que produtos pré-embalados com pelo menos 95% de ingredientes agrícolas orgânicos devem carregar o selo da UE de produção orgânica.

De acordo com o levantamento, tais diretrizes favorecem investimentos em ingredientes mais seguros e acessíveis, fórmulas limpas e rotulagens mais transparentes. “O resultado é o fortalecimento de marcas premium e maior confiança do consumidor”, afirma o relatório. 

Entre os emergentes, os mercados da América Latina e Ásia-Pacífico surgem como novas fronteiras para o crescimento. Com o Brasil como o principal mercado da região, a América Latina apresenta um crescimento moderado, mas sustentado por fatores estruturais como o aumento da classe média tutora de pets e a maior disponibilidade de snacks nas prateleiras do varejo.

A região é influenciada tanto pelas tendências globais quanto por particularidades econômicas e culturais locais. Por isso, fabricantes têm investido em sabores regionais, embalagens menores e posicionamento por faixa de preço, buscando adaptar-se ao poder aquisitivo desses novos públicos.

Tendências no mercado de petiscos para pets

A consolidação do mercado de snacks e petiscos para pets aponta para a consolidação de tendências de consumo em que os tutores estão mais atentos à produtos que priorizam a saúde dos pets, a sustentabilidade e a conveniência da rotina. 

Entre as principais tendências apontadas pelo relatório, os petiscos comestíveis (eatable treats) dominaram a categoria, representando 67,5% dos produtos vendidos em 2024. Palatabilidade, facilidade de porcionamento e compatibilidade com rotinas de adestramento e alimentação são alguns dos atributos que impulsionam essa preferência. Além disso, muitos tutores usam esses snacks como forma de suplementação funcional, incorporando vitaminas, ômega 3 e probióticos diretamente na rotina alimentar dos pets.

Embora com menor fatia do mercado, petiscos mastigáveis (chewables) continuam relevantes por seus benefícios à saúde bucal. A menor diversidade de formatos e aplicações em comparação aos comestíveis explicam o segundo lugar. 

A inovação também impulsiona o setor. O relatório aponta que marcas estão investindo em produtos assados, liofilizados (freeze-dried) e com fórmulas específicas por raça. Essa diversificação contribui para a rotatividade nas prateleiras e fortalece o vínculo emocional com os tutores, fator-chave num mercado de petiscos, que tem forte apelo afetivo. 

Preferência por petiscos naturais, personalizados e entregues à domicílio

Snacks naturais e orgânicos estão crescendo entre as preferências dos tutores, em consonância com o aumento da preocupação com a saúde e bem-estar dos pets e da desconfiança dos consumidores quanto a ingredientes artificiais, como corantes, sabores sintéticos ou conservantes.

No entanto, esses produtos enfrentam desafios para ganhar mercado. Sua menor vida útil, por ausência de conservantes, limita o alcance em canais de varejo e exige maior controle de estoque por parte dos lojistas. Já as altas tarifas de importação sobre produtos premium também elevam os custos em mercados sensíveis a preço, o que pode frear a frequência de compra, aponta o relatório. 

Por outro lado, a busca por nutrição personalizada, com petiscos formulados de acordo com porte, idade ou necessidades específicas dos animais está em alta. Nesse contexto, empresas que investem em customização têm mais chances de se destacar num mercado cada vez mais segmentado.

Com relação à conveniência, o levantamento aponta que serviços de entrega por assinatura têm conquistado espaço rapidamente. A facilitação da rotina, a oferta personalizada e a reposição automática são fatores que estimulam a fidelização do cliente.

Humanização dos pets influencia o consumo

Assim como em outros segmentos da indústria pet food, a humanização dos animais de estimação continua a ser uma força motriz para o aumento do consumo de petiscos e snacks. Ao tratar seus pets como membros da família, os tutores buscam produtos que se assemelham, em sabor, textura e valor nutricional, aos alimentos consumidos por humanos, o que favorece as opções premium de acordo com os dados de mercado.

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A chamada “premiumização” tornou-se um fator decisivo de compra. Muitos tutores estão dispostos a pagar mais por snacks com benefícios funcionais claros. Ingredientes como probióticos, ácidos graxos, ômega-3 e vitaminas são valorizados por sua contribuição à digestão, saúde articular e bem-estar geral.

A urbanização e o crescimento de lares unipessoais também contribuem para a expansão da base de consumidores. Com maior renda disponível, esses tutores tratam seus animais como companheiros — ou como filhos — e demandam conveniência e qualidade nos produtos que oferecem à eles. 

O mercado também começa a abraçar proteínas alternativas nos petiscos, como insetos, pato e peixe. Além de atender a pets com alergias ou restrições alimentares, esses ingredientes atraem consumidores com preocupações ambientais, ampliando o espectro de inovação e sustentabilidade no setor.

Outros insights para o mercado pet food

O relatório da Market.us também traz dados sobre os canais de comercialização. Em 2024, as lojas especializadas em produtos pet (pet shops) lideraram em vendas de petiscos e snacks, com 42,3% de participação. A busca por atendimento personalizado, grande variedade e a oferta de marcas exclusivas reforçam a confiança do consumidor e a diferenciação nos pontos de venda.

Entre as vantagens desses estabelecimentos está a concentração de marcas premium e de nicho, muitas vezes ausentes em supermercados. O atendimento consultivo e a experiência de compra também são apontados como atributos que reforçam a lealdade dos tutores e aumentam o ticket médio.

Já supermercados e hipermercados oferecem conveniência e preços competitivos, enquanto as plataformas online vêm crescendo com força devido à entrega em domicílio e aos serviços por assinatura.

No recorte por tipo de animal, o hábito de recompensar com petiscos durante treinos, interações ou suplementação de saúde torna os tutores de cães os principais consumidores da categoria. Em 2024, tutores de cães concentraram 67,3% da participação. Tutores de gatos representam uma fatia menor, o que pode ser explicado pela alta seletividade alimentar dos felinos.

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