Mercado europeu de pet care: 3 tendências e 4 movimentos estratégicos

Europa representa quase um terço do mercado global de pet care e reproduz tendências globais de maneiras específicas, segundo a Euromonitor International

Sahiba Puri, gerente global de pet care da Euromonitor International, na abertura do Petfood Forum Europa 2026.
Sahiba Puri, gerente global de pet care da Euromonitor International, na abertura do Petfood Forum Europa 2026.
Thomas Geiger

Com a notável exceção do pet mais popular, em que gatos tomam a liderança em vez de cães, o mercado europeu de pet care replica muitas das tendências e características observadas no restante do mundo. Entre elas estão a mudança no conceito de premiumização, o crescimento em formato “K”, a expansão contínua dos cuidados preventivos à saúde e um cenário dinâmico nos canais de varejo.

Dados mais recentes da Euromonitor International projetam que o mercado global de pet care alcance quase US$ 225 bilhões (R$ 1,13 trilhão) em 2026. O relatório foi apresentado por Sahiba Puri, gerente global de pet care da consultoria, na abertura do Petfood Forum Europa 2026, realizado em conjunto com a Interzoo 2026, na Alemanha.

A Europa representa pouco menos de um terço do mercado global pet, impulsionada por duas regiões: a Europa Ocidental, composta por mercados maiores, mais maduros e com crescimento moderado; e a Europa Oriental, com mercados menores, porém com maior potencial de crescimento, explicou Puri ao apresentar dados de abril de 2026 pela primeira vez.

Ainda assim, os números trazem nuances importantes. Por exemplo, segmentos premium estão crescendo tanto na Europa Ocidental quanto na Oriental, enquanto o segmento econômico/value começa a incorporar muitos atributos premium. Na Europa Oriental, especialmente, isso significa que o segmento intermediário vem sendo pressionado, levando ao padrão de crescimento em “K”, impulsionado pela pressão financeira sobre muitos consumidores e pelo forte investimento em marcas próprias. 

Ao mesmo tempo, o crescimento em volume enfrenta pressão negativa à medida que a posse de pets migra para animais menores, com necessidades calóricas mais baixas.

3 principais tendências na Europa

O cenário econômico ajuda a moldar uma das três principais tendências de pet care apresentadas por Puri:

1. Premiumização e volumes moderados

Marcas do segmento value, especialmente private label, estão incorporando elementos premium, como alto teor de proteína e ingredientes de maior qualidade. Em resposta, marcas premium tradicionais estão se tornando mais nichadas, apostando em proteínas alternativas, saúde intestinal e ingredientes ligados ao microbioma. Redes de desconto estão entre os canais de varejo que mais crescem, impulsionadas pela sensibilidade dos consumidores ao preço.

Esse movimento também é influenciado pela demografia da posse de pets. Além de os gatos serem os pets preferidos na Europa, a posse de cães pequenos continua crescendo, enquanto a participação de cães grandes diminui.

“Pets menores são mais fáceis e menos caros de manter, e a vida urbana e os estilos de vida modernos estão levando os consumidores nessa direção”, afirmou Puri. Essa mudança cria pressão negativa sobre o crescimento em volume. “Embora a população pet esteja crescendo, as necessidades calóricas gerais estão diminuindo, porque pets menores simplesmente precisam de menos calorias do que cães grandes”, diz. 

O efeito líquido é que, apesar do crescimento populacional, o crescimento em volume enfrentará desafios ao longo do período projetado.

2. Gestão preventiva da saúde pet

A categoria de cuidados com a saúde pet cresceu a uma taxa composta anual de 12% entre 2015 e 2025, afirmou Puri, com os suplementos alimentares liderando o avanço, registrando crescimento anual composto de 14%. Alegações baseadas em evidências e comprovadas clinicamente estão se tornando um diferencial importante, com contínua expansão de soluções voltadas à saúde intestinal e ao microbioma, incluindo cepas probióticas específicas para cães.

Envelhecimento saudável e longevidade também surgem como motores de crescimento, impulsionados pelos pets adotados durante a pandemia de covid-19, que agora começam a entrar na fase sênior.

3. Dinâmica dos novos canais de venda

O e-commerce continua crescendo de forma robusta. Em resposta, varejistas especializados em produtos pet estão expandindo estrategicamente por meio de formatos urbanos, operações integradas a supermercados e shopping centers pet. Quick commerce e social commerce estão encurtando a jornada entre descoberta do produto e compra.

O omnichannel agora funciona em duas vias, com marcas nativas digitais migrando também para o varejo físico. “A maioria dos consumidores existe simultaneamente em dois lugares: fisicamente em uma loja e no celular”, explicou Puri. “Canal não é mais uma escolha entre um e outro; cada canal atende a um propósito distinto”, acrescentou. 

Segundo ela, pesquisas com consumidores mostram que o online é preferido para preços e promoções, enquanto lojas físicas possuem maior fator de confiança e oferecem uma experiência tátil e presencial que o digital não consegue replicar. Essas motivações complementares explicam por que as marcas estão adotando estratégias omnichannel.

4 principais conclusões estratégicas

Em resposta a essas tendências e movimentos de mercado, Puri sugeriu alguns direcionamentos estratégicos para marcas de pet food e pet care:

  • Definir a percepção de valor — e não apenas o preço — em todas as faixas de posicionamento;
  • Desenvolver soluções direcionadas com benefícios comprovados e demonstráveis;
  • Investir em evidências científicas para sustentar alegações de saúde;
  • Refinar a estratégia de canais, alinhando as capacidades específicas de cada canal aos objetivos de negócio, como teste, aquisição e conversão.
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