Proteínas de insetos são seguras e beneficiam saúde intestinal de gatos

Estudo brasileiro avaliou digestibilidade, parâmetros fisiológicos e microbiota intestinal de dietas com três tipos de insetos.

Ração Insetos Gatos
Zhang Yilong|Unsplash

O uso de farinhas de insetos, um setor em rápida expansão que promete alta eficiência produtiva e menor impacto ambiental, vem ganhando espaço no mercado. Diante do crescimento da indústria de alimentos para pets e a busca por proteínas de alta qualidade para as formulações, insetos surgem como solução para atender a alta demanda e as exigências crescentes por sustentabilidade. 

As vantagens ecológicas envolvem o uso reduzido de recursos, como água, terra e energia, e menos emissões de gases de efeito estufa com relação às proteínas convencionais. Entretanto, o conhecimento sobre os efeitos nutricionais desses ingredientes na dieta dos pets ainda está em desenvolvimento. 

Um estudo conduzido na Universidade Federal de Lavras (UFLA), em Minas Gerais, buscou preencher parte dessa lacuna, avaliando o impacto da inclusão de farinha de insetos na dieta de gatos adultos. O estudo, publicado na revista científica Frontiers in Veterinary Science,  sobre a digestibilidade de nutrientes, nos marcadores fisiológicos e na microbiota intestinal dos animais. 

Insetos são uma boa opção para a alimentação de gatos? 

O experimento, conduzido no Centro de Estudos em Nutrição de Animais de Companhia (CENAC), em Lavras, testou a inclusão de três tipos de farinha de insetos na dieta de gatos: de barata cinérea (Nauphoeta cinerea), de barata de Madagascar (Gromphadorhina portentosa) e de larva de tenébrio gigante (Zophobas morio). 

Para coletar e comparar dados, o estudo estabeleceu uma referência inicial com seis gatos alimentados por 15 dias com uma dieta convencional de ração seca e úmida. Durante esse período, foram coletados fezes e sangue e coeficientes de digestibilidade aparente (CDA), medidas que indicam a proporção de um nutriente que é digerida e absorvida pelo trato gastrointestinal de um animal, usados para avaliar o valor nutricional de dietas animais. 

Posteriormente, os mesmos gatos receberam seis dietas distintas, cada uma contendo um dos tipos de farinha de inseto nas concentrações de 7,5% e 15%, e as coletas para avaliação dos CDA, fezes e sangue foram repetidas. 

Proteína de insetos para gatos: segurança digestiva e potencial prebiótico

De forma geral, a inclusão de farinhas de insetos, mesmo em níveis mais elevados (15%), não apresentou efeitos adversos na saúde dos gatos, demonstrando segurança digestiva em todas as dietas. Não foram encontradas diferenças significativas nos CDA entre os grupos, com exceção da quitina, presente no exoesqueleto dos insetos, cuja digestibilidade foi maior na dieta com baratas de Madagascar. 

A análise também indica um potencial prebiótico da proteína de inseto, constatando concentrações relevantes de ácidos graxos benéficos à saúde dos felinos. Por exemplo, a concentração de propionato, ácido graxo de cadeia curta que serve como fonte de energia para as células do intestino, foi maior em todas as dietas com insetos quando comparadas ao grupo controle. 

Além disso, a dieta com barata cinérea gerou maior produção de butirato nas fezes, ácido graxo relacionado com a modulação da inflamação intestinal, bom funcionamento do sistema imunológico, além de efeitos benéficos na saúde metabólica e hormonal. 

As dietas com barata de Madagascar e tenébrio gigante registraram níveis mais elevados de 4-metilfenol, substância relacionada à infecções gastrointestinais quando em grandes quantidades. Ainda assim, o pH e a qualidade das fezes dos gatos não apresentaram variações significativas entre os tratamentos, indicando níveis metabólicos normais. 

Por fim, a análise da microbiota fecal não mostrou alterações relevantes na diversidade de bactérias com relação à quantidade e variedade de organismos, sugerindo que a inclusão de até 15% de farinha de insetos não interfere na composição da comunidade microbiana intestinal dos felinos.

Oportunidade para o setor de pet food

O estudo brasileiro aponta que farinhas de insetos representam uma alternativa promissora às proteínas tradicionais na alimentação de gatos adultos. 

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Com desempenho digestivo compatível, estabilidade fisiológica e manutenção da microbiota intestinal, esses ingredientes se destacam como candidatos ideais para futuras formulações no mercado de pet food. A presença de quitina nessas dietas também sugere possíveis efeitos prebióticos, que podem beneficiar a saúde gastrointestinal dos felinos. 

Segundo o estudo, essa inovação não só atende às necessidades de segurança nutricional, como pode suprir a demanda por sustentabilidade no setor.

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