Ração seca contaminada é apontada como causa de morte de cachorros no Paraná

Um criador de Lulus da Pomerânia, em Foz do Iguaçu, relatou a morte de três cães por intoxicação alimentar. Ele suspeita de ração da Royal Canin, que, por sua vez, afirma não ter identificado falhas ou contaminação no lote analisado.

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Arquivo pessoal/Fábio Grando

No dia 5 de maio, Fábio Grando, criador responsável pelo canil especializado em Lulus da Pomerânia Reino dos Pom’s, em Foz do Iguaçu (PR), postou em suas redes sociais um vídeo alegando que três de seus filhotes morreram por intoxicação alimentar. A fonte da contaminação, segundo o criador, seria da ração seca ofertada aos animais, da marca Royal Canin. Após testes, a empresa diz não ter identificado falhas ou contaminação no lote analisado.

No vídeo, o criador — que é parceiro da Royal Canin — conta que um dos filhotes de lulu apresentou vômitos intensos e veio a falecer no caminho para o veterinário após broncoaspirar parte do vômito. Além desse animal, outros filhotes apresentaram sintomas, dois não resistiram e um se recuperou após internação. 

Para verificar o que pode ter causado as fatalidades, o criador realizou uma necrópsia nos cães, constatando a intoxicação alimentar. “Eu não acreditei porque aqui na criação temos muito cuidado com a alimentação dos cães e não oferecemos nada além da ração”, afirmou Grando ao Petfood Forum Brasil. “Então eu fui checar os sacos de ração, foi quando encontrei farelos e massas brancas no meio dos grãos, indicando algum tipo de contaminação”. O criador diz que só percebeu essas alterações depois que os cachorros apresentaram os sintomas e que as massas estavam no fundo dos pacotes.

O criador encontrou massas brancas nos sacos de ração após a morte de um de seus cães por intoxicação alimentar.O criador encontrou massas brancas nos sacos de ração após a morte de um de seus cães por intoxicação alimentar.Fábio Grando/Reino dos Pom's

Grando conta que usa rações da Royal Canin em toda a sua criação há mais de dois anos e segue todas as orientações do fabricante para armazenamento. “Minha escolha pela Royal é porque a marca conta com linhas que trazem benefícios para uma criação, com especificidades para filhotes, procriação e amamentação. Mas acabei trocando para uma marca que nunca tinha usado e estou com pacotes fechados da Royal aqui e sem coragem de dar (alimentar os cães).”

Procurada, a Royal Canin diz estar ciente da situação, lamenta o ocorrido e está dando prioridade para o caso. “A empresa conduziu as devidas investigações no lote do produto mencionado por ele, incluindo a rastreabilidade e a verificação de todas as etapas do processo produtivo, as quais mostraram que não houve desvios nas especificações e na segurança do alimento produzido”, informou em nota. 

Além disso, a empresa também realizou análises de qualidade na amostra de retenção e em produto acabado do mesmo lote reclamado pelo criador e afirma que os testes comprovaram que o lote do produto cumpre com todas as especificações de atributos de qualidade e segurança de alimentos.

O que é feito para evitar a contaminação alimentar em rações extrusadas

Rações extrusadas passam por um processo que envolve o cozimento rápido, contínuo e homogêneo dos ingredientes através de uma máquina que utiliza alta pressão e temperatura. Essa técnica garante a homogeneização e esterilização do alimento, além de melhorar a digestibilidade, palatabilidade e conservação. 

De acordo com a Royal Canin, o produto usado no Reino dos Pom’s passa por temperatura acima de 110ºC para a eliminação de contaminantes microbiológicos. Depois, passa por controle rigoroso no resfriamento por meio de monitoramento online da atividade de água e umidade para garantir que não haja condições de crescimento de bactérias e bolores no empacotamento.

Além desse processo, de acordo com o Instituto de Embalagens, a embalagem desempenha um papel fundamental na preservação da qualidade e segurança do pet food, sendo a barreira um dos principais requisitos para garantir a proteção contra contaminações externas. “A função barreira é responsável por impedir a entrada de oxigênio, umidade, luz e agentes contaminantes, preservando as características sensoriais, nutricionais e funcionais do alimento durante todo o shelf-life”, disse o Instituto em nota para a Petfood Forum Brasil.

No caso da Royal Canin, a tecnologia de embalagem, provida de três camadas, faz sua parte para evitar contaminações, contando com duas camadas de barreira contra luz, umidade, oxigênio e garantindo o fechamento hermético. “Todos os lotes de produto acabado passam por testes de resistência (drop test), que garantem que a embalagem seja resistente a adversidades logísticas e climáticas desde de que sejam seguidas todas as recomendações que constam no rótulo para conservação do produto”, informa a empresa. 

“Sempre segui todas as orientações de armazenamento e uso do produto. Por isso, acredito que algo possa ter ocorrido em alguma etapa, desde a fabricação até a chegada das rações aqui. É justamente isso que precisa ser investigado com cuidado”, ressalta Fábio Grando. 

Em nota, a Royal Canin reforça que está à disposição do criador e continua as investigações para entender o ocorrido, mantendo vivo o seu compromisso com a qualidade do processo produtivo e a rigorosa seleção de ingredientes e fornecedores.

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