Proteína de inseto: associação de criadores contesta estudo de sustentabilidade por metodologia falha

Uma associação comercial do Reino Unido criticou uma recente avaliação de ciclo de vida (AVC) que concluiu que a proteína de inseto não é universalmente mais sustentável em comparação às farinhas tradicionais.

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Associação de criadores alega que a consultoria não considerou práticas industriais atuais na avaliação.
Associação de criadores alega que a consultoria não considerou práticas industriais atuais na avaliação.
Divulgação|UFSM

Uma associação comercial do Reino Unido contesta um estudo recente sobre a sustentabilidade da proteína de inseto para alimentação animal encomendado pelo próprio país. A organização argumenta que a pesquisa apresenta metodologia falha e suposições desatualizadas, pondo em risco a representação das capacidades e o potencial do setor de insetos, além de “desviar a política britânica do rumo correto”.

A Insect Bioconversion Association (INBIA), uma organização para criadores de insetos, produtores e empresas de tecnologia do setor no Reino Unido, emitiu uma carta aberta ao Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais (DEFRA, na sigla em inglês) da nação, questionando os resultados de uma Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) que comparou a farinha de larvas da mosca-soldado-negra (BSF, na sigla em inglês) com fontes tradicionais de proteína, incluindo a farinha de soja oriunda do Brasil e a farinha de peixe da espécie verdinho (blue whiting) da Escócia. A AVC é um método para avaliar os impactos ambientais de um produto, serviço ou processo ao longo de todo o seu ciclo de vida, desde a extração das matérias-primas até o descarte final.

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O estudo do DEFRA, conduzido pela consultoria de sustentabilidade Ricardo plc, examinou 16 categorias de impacto ambiental e concluiu que, embora a farinha de insetos ofereça benefícios potenciais sob condições específicas, ela não é universalmente mais sustentável do que as alternativas convencionais. A pesquisa constatou que o desempenho ambiental da proteína de inseto depende fortemente de variáveis de produção como o tipo de substrato, a eficiência do processamento e as fontes de energia.

Resposta da INBIA

A resposta da INBIA, no entanto, destaca preocupações metodológicas significativas que profissionais das áreas de pet food e rações animais devem considerar ao avaliar as implicações do estudo. Em sua carta ao DEFRA, a INBIA observou que a pesquisa se baseou em dados laboratoriais desatualizados ao invés de práticas industriais atuais, o que pode podendo representar o desempenho ambiental real do setor de forma equivocada.

O grupo também criticou o modelo comparativo do estudo, alegando que as suposições adotadas favoreceram as proteínas convencionais enquanto exageraram o impacto ambiental das alternativas à base de insetos. Segundo a INBIA, um problema particularmente grave foi a falha em considerar a capacidade de valorização de resíduos da criação de insetos, já que a ACV assumiu que os insetos consomem “ração tradicional” de trigo, ignorando o uso resíduos alimentares para a criação.

A controvérsia também se estende às práticas de engajamento com o setor. A INBIA destacou que os produtores britânicos de insetos não foram consultados durante o processo de pesquisa, o que pode ter resultado na perda de percepções críticas sobre as condições reais de produção e as melhores práticas emergentes.

A associação pediu que o DEFRA colabore com as partes interessadas da indústria em uma avaliação revisada que reflita as condições reais, em conjunto com o setor.

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