
A carne de bodes e cabras ainda ocupa um nicho pequeno no mercado de alimentos para cães e gatos. No entanto, com o avanço das mudanças climáticas e a degradação das áreas de produção agropecuária, os caprinos podem se tornar a melhor escolha entre as fontes de proteína animal.
Em comparação com os bovinos, os caprinos geralmente apresentam uma pegada ambiental menor, pois necessitam de menos alimento, menos água e menos área por animal, de acordo com estudo publicado na revista científica Pastoralism. Porém, assim como bovinos e ovinos, os caprinos são ruminantes e seu microbioma intestinal produz metano durante a digestão. Esse gás é liberado naturalmente pelo organismo, o que significa que os caprinos não são animais de emissão zero.
Ainda assim, eles emitem menos metano por unidade de peso corporal do que bois e ovelhas, embora os níveis variem significativamente entre os diferentes sistemas de produção. Vale ressaltar que proteínas provenientes de animais de duas patas (frango), de seis patas (como insetos) e até mesmo de organismos sem patas (peixes) costumam ter impacto ambiental ainda menor do que as derivadas de mamíferos.
Além de contribuírem relativamente menos para as emissões de gases de efeito estufa, os caprinos podem ganhar importância porque são naturalmente adaptados a ambientes quentes e secos, nos quais a criação de bovinos se torna cada vez mais difícil.
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) concluiu que a crise climática já está intensificando os processos de desertificação em diversas regiões do planeta.
Com isso, muitos sistemas de produção, especialmente na África e na Ásia, já vêm aumentando seus rebanhos caprinos. Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Alimentação e a Agricultura (FAO) mostram que os rebanhos de caprinos cresceram continuamente nas últimas décadas e, atualmente, somam cerca de 1,1 bilhão de animais em todo o mundo, frente a aproximadamente 1,5 bilhão de bovinos.
Carne caprina em alimentos para cães e gatos
Parte desse bilhão de caprinos já abastece a indústria de alimentos para pets.
A marca norte-americana Zignature utiliza carne de cabra como primeiro ingrediente em sua ração seca Original Goat Formula para cães. Em sua versão úmida, os principais ingredientes incluem carne, pulmão e fígado caprino.
Outra companhia norte-americana, a Green Juju, oferece uma receita liofilizada composta por partes de cabra como coração, carne com osso, fígado e rim.
Potencial para dietas hipoalergênicas e sustentáveis
Para cães e gatos com alergias alimentares, a carne caprina pode representar uma alternativa interessante em dietas de eliminação. No entanto, ainda existem poucos estudos específicos sobre alimentos para pets formulados com essa proteína, o que limita a possibilidade de alegações relacionadas à digestibilidade, manejo de alergias ou outros benefícios funcionais.
Segundo um estudo publicado na revista Foods, a gordura caprina contém principalmente ácidos oleico, palmítico e esteárico, além de apresentar níveis mais elevados de ácidos graxos poli-insaturados quando comparada às carnes ovina e bovina.
Por outro lado, a qualidade da carne caprina pode variar significativamente em função da raça, idade, alimentação e sistema de produção dos animais.
Diante desse cenário, a carne caprina pode encontrar espaço em formulações de alimentos para pets focadas em proteínas alternativas ou inovadoras, especialmente aquelas com posicionamento voltado à sustentabilidade. Ainda assim, os pesquisadores ressaltam que as evidências científicas sobre seu uso na nutrição de cães e gatos permanecem limitadas, indicando a necessidade de novos estudos sobre essa fonte proteica.

















