Classe social, geração e tecnologia definem o consumo online de pet food

E-commerce de pet food se reorganiza em nichos conforme localização e faixa etária dos consumidores, fugindo de padrões de compras online como um todo.

Compras Online

Os gastos online com alimentos e cuidados para pets dispararam durante a pandemia e não voltaram atrás. Trata-se de um fenômeno global: os varejistas digitais já respondem por 50,6% do mercado mundial de pet food, impulsionados pelo comportamento de reposição automática, maior visibilidade do sortimento e acesso facilitado a formulações premium e especializadas, segundo relatório da Future Market Insights (FMI).

Nos Estados Unidos, 39% das vendas de pet food ocorrem online. No entanto, ao considerar o comportamento dos consumidores “omnichannel”, grupo em crescimento constante que compra tanto em lojas físicas quanto online, a participação sobe para 44,8% dos compradores e 64,2% do valor total gasto com alimentos para pets, segundo dados de março de 2025 da NielsenIQ (NIQ). Um ano depois, é possível supor que esses percentuais tenham aumentado ao menos um pouco desde então.

O cenário fica mais interessante ao analisar o comportamento de compra online de alimentos e cuidados para pets segmentado por região, faixa etária e renda. Especialmente quando comparado ao e-commerce de todas as categorias de produtos.

Brasil lidera compras online na América Latina

O relatório “Beyond Borders 2026”, publicado pela EBANX em parceria com a World Data Lab, destaca uma trajetória ascendente e consistente do comércio online nas nações emergentes. Na América Latina, o Brasil lidera com 11,5% do total dos gastos dos consumidores online, taxa que supera países como a França (6,9%) e a Alemanha (6,4%).

O cenário reflete uma base de consumidores centrada em dispositivos móveis que está normalizando rapidamente os pagamentos digitais. Com os smartphones atuando como a principal interface para compras, tendência potencializada pelo PIX, o comércio eletrônico deve sustentar uma expansão constante de longo prazo. 

Segundo Klea Ibrahimi, cientista de dados no World Data Lab, o mercado de países emergentes, como o Brasil, é caracterizado por consumidores mais jovens que adotaram tecnologias digitais logo no início de seu ciclo de vida de consumo. “Isso fez com que desenvolvessem comportamentos de compra online sem hábitos de longa data ligados a formatos de varejo tradicionais, permitindo uma adoção mais rápida de canais de comércio eletrônico à medida que a renda aumenta”, diz. 

Consumo online muda com a faixa etária

Em mercados desenvolvidos, o perfil de consumo online fica mais maduro. Os Estados Unidos, que são o maior mercado pet global, têm um dos perfis de consumo mais envelhecidos no comércio digital do mundo, afirma o relatório.

Consumidores americanos com mais de 45 anos representam 50% do valor total de todas as compras online no país. Essa proporção tende a crescer, já que o único grupo etário projetado para ampliar sua participação na próxima década é o de 65+, que deve passar de 19% para 23%. Até 2035, pessoas com mais de 45 anos responderão por 54% de todas as transações digitais.

Outras economias desenvolvidas, como Japão, Itália, Coreia do Sul, Alemanha, França, Holanda, Canadá e Reino Unido, apresentam perfis semelhantes. Já em países em desenvolvimento na África, Ásia e Oriente Médio, o consumo online é impulsionado por gerações mais jovens, com cenários mais próximos ao do Brasil. 

No entanto, quando se trata de gastos online com produtos pet — especialmente em formatos como vendas diretas ao consumidor (DTC) e serviços de assinatura/autoship, que ajudam a construir e manter a fidelidade — o padrão se inverte. Nos Estados Unidos, apenas 18% dos tutores da geração baby boomer (nascidos entre 1945 e 1964) compram produtos pet via DTC. Entre a geração X (1965-1980) esse número é de 34%, segundo dados da Packaged Facts apresentados em webinar de março de 2026. 

Em contraste, 69% da geração Z (1997 e 2010) e 58% dos millennials (1981 e 1996) utilizam esse modelo. No total, 41% dos tutores nos EUA compram via DTC, sendo alimentos para pets a categoria mais adquirida nesse formato, com 15%.

A geração Z (67%) e os millennials (61%) continuam na liderança em termos de adesão a serviços de assinatura ou reposição automática de alimentos para pets. No entanto, o engajamento também é notável entre os boomers (29%) e a geração X (46%), embora este último grupo esteja um pouco abaixo da média geral (48%) dos tutores americanos.

Dados da NIQ de 2025 mostram o impacto das assinaturas por outro ângulo: as vendas online de pet food via assinatura superaram as compras sem assinatura em cerca de US$ 160 milhões (R$ 840 milhões) no início de 2025, com esse modelo ultrapassando US$ 800 milhões (R$ 4,2 bilhões) em faturamento.

Consumidores digitais de pet food têm renda mais alta

Os dados de comércio eletrônico geral do EBANX se mostram mais alinhados ao padrão de consumo online de produtos para pets quando segmentados por nível de renda.

Segundo a empresa, 84% dos gastos online nos Estados Unidos são impulsionados por consumidores ricos e da classe média alta, que gastam mais de US$ 90 (R$ 472,50) por dia. Esse é o maior nível de concentração entre os 184 países analisados e deve chegar a 88% até 2035.

Esse cenário contrasta com mercados emergentes onde, em média, 53 centavos de cada dólar gasto em e-commerce vêm de consumidores das classes média e média-baixa.

No segmento de pet food, o padrão se repete: 47% dos gastos em e-commerce nos Estados Unidos vêm de tutores com renda familiar superior a US$ 150 mil anuais (R$ 787.500), segundo a Packaged Facts.

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