
Se há algo que a indústria de embalagens domina, é a sustentabilidade. Na linha de frente das campanhas de reduzir-reutilizar-reciclar e de exigências ecológicas mais complexas, a inovação em embalagens vem sendo guiada pelo conceito em constante evolução de um recipiente sustentável e funcional. O setor de pet food, em especial, lida com essa ideia há anos, sendo um dos alvos mais visíveis de mudanças, passando por uma produção mais consciente por parte das empresas e compras mais intencionais por parte dos tutores.
“A sustentabilidade continua sendo a tendência mais proeminente nas embalagens de pet food”, afirma Oksana Lylak, diretora de engenharia de embalagens da BSM Partners, consultoria de serviços empresariais que atua no setor pet.
Para ela, seja impulsionada por valores de marca, demanda do consumidor ou por regulamentações mais rígidas, como a responsabilidade estendida do produtor (EPR, na sigla em inglês), a busca por soluções sustentáveis está moldando decisões de embalagem em todos os níveis. “As marcas estão ativamente buscando materiais e designs que minimizem o impacto ambiental sem comprometer o desempenho, seja por meio da reciclabilidade, compostabilidade ou uso reduzido de material.”
Tendência que veio para ficar, a sustentabilidade aplicada ao negócio impulsiona mudanças tanto na forma como o pet food é embalado quanto na maneira como ela é comunicada.
“A sustentabilidade ganhou protagonismo, com marcas adotando cada vez mais embalagens à base de polietileno com rótulos que comunicam claramente as instruções de descarte e princípios que priorizam tornar produtos e embalagens facilmente recicláveis no final de sua vida útil desde o design, além de incorporar conteúdo circular certificado ISCC+ (International Sustainability and Carbon Certification) e materiais reciclados pós-consumo”, explica William J. Barlow Jr., gerente sênior de desenvolvimento de mercado da Printpack, fornecedora de soluções de embalagens.
Essa mudança, segundo ele, reflete uma crescente consciência ambiental, especialmente entre os consumidores mais jovens, que buscam ativamente marcas que demonstrem responsabilidade ambiental.
Custo, o principal desafio da sustentabilidade
A sustentabilidade, como conceito, é admirável, e partes dela já estão sendo implementadas no setor de embalagens. Mas tudo tem um custo. Embora novas tecnologias estejam sendo desenvolvidas, ainda pode ser caro trabalhar dentro dos limites do que é viável atualmente.
“Os consumidores estão bem informados. Tutores e seus cães querem embalagens ecológicas, compostáveis, recicláveis, biodegradáveis, reutilizáveis, mas materiais sustentáveis são caros”, comenta Anthony Testa, diretor criativo da Testa Concepts, empresa de design. “Quer sacos com zíper de fibra vegetal compostáveis? Prepare-se para perder 30% de margem.”
É uma linha tênue, especialmente quando o consumidor exige soluções sustentáveis sem compreender completamente as implicações de custo.
“A sustentabilidade com bom custo-benefício continua sendo fundamental nas embalagens de pet food”, diz Kristin Oyler, diretora de marketing e comunicação da Mondi Jackson, empresa de embalagens flexíveis e sustentáveis. Os consumidores querem embalagens sustentáveis, mas ao mesmo tempo estão preocupados com o aumento dos custos de ter um animal de estimação. Sendo assim, ela afirma que os fornecedores precisam continuar desenvolvendo soluções acessíveis e marcas precisam trabalhar com parceiros capazes de ajudá-las a atingir seus objetivos.
Como, então, a indústria de embalagens pode colaborar com os fabricantes de pet food para alcançar essa meta, especialmente quando o custo entra em jogo?
O custo continua sendo um obstáculo significativo para marcas que buscam formatos sustentáveis. “Esses materiais costumam ter preços mais altos. Marcas pequenas e médias, em especial, podem ter dificuldade em absorver ou repassar esses custos”, afirma Lylak. Se o resultado for preços mais altos nas prateleiras, alguns consumidores podem se afastar.
Por isso, a educação do consumidor é essencial, “não apenas para informar, mas para mudar percepções”, diz Oyler. Para ela, as marcas têm a oportunidade de liderar essa transformação, educando os consumidores e apresentando a embalagem sustentável como um investimento compartilhado no futuro. “Embalagens recicláveis podem elevar o preço de um produto hoje, mas o retorno ambiental a longo prazo é muito mais valioso.”
E quanto às embalagens de papel?
Se fosse apenas uma questão de trocar um material atual por uma opção mais sustentável, talvez a discussão já estivesse encerrada — pelo menos em relação às embalagens de pet food. Mas, claro, há vários fatores além do custo que influenciam essa equação.
As embalagens que atenderão bem aos consumidores no futuro precisam ser fáceis de usar, armazenar e reciclar. Mas precisam ir além, afirma Lauryn Lueken, gerente sênior de marketing da Tetra Pak. “Ao mesmo tempo, elas devem preservar a integridade do produto como foi produzido, protegendo nutrientes, sabor, textura e aparência”, afirma.
Além disso, naturalmente os consumidores buscam conveniência para comprar seus alimentos pet preferidos em diferentes canais de varejo, portanto, “uma oferta omnichannel é essencial”, complementa Lueken.
Como exemplo, é possível apontar as soluções da Tetra Pak, que vem trabalhando com iniciativas sustentáveis, com destaque para o Tetra Recart, uma embalagem em cartonado com até 71% de conteúdo à base de papel, capaz de suportar o processo de retorta e oferecer conveniência ao consumidor final, além de benefícios ambientais.
“O principal foco é oferecer soluções que atendam às necessidades em constante evolução dos consumidores, de forma inovadora e econômica”, diz Lueken. Ela afirma que os cartuchos Tetra Recart são um ótimo exemplo de como aprimorar a experiência do usuário por meio de recursos como armazenamento compacto, embalagem sustentável e proteção do produto. “No cenário dinâmico atual, é essencial garantir que os avanços nas embalagens não impactem significativamente os preços de varejo nem os custos operacionais.”
Outro exemplo está na Phoenix Bark, uma fabricante irlandesa de pet food que adotou totalmente o conceito de sustentabilidade — inclusive nas embalagens — e demonstra até que ponto esse compromisso pode ir com os recursos disponíveis.
“A maioria das decisões ainda é feita priorizando o orçamento e, se sobrar espaço, o meio ambiente ganha um aceno”, dizem Duncan e Kathy Randall, cofundadores da empresa irlandesa de alimentos frescos para pets. “Para nós, é o contrário. Começamos com o que é melhor para o planeta, e então trabalhamos incansavelmente para tornar isso viável comercialmente.”
Foi assim, dizem, que a empresa se tornou a primeira do mundo a embalar comida úmida para cães em papel. “Usamos o papel ‘If You Care’. Ele cumpre todos os requisitos e, em alguns casos, acreditamos que ajudou a defini-los.”
If You Care é uma empresa voltada à sustentabilidade que produz produtos projetados para reduzir a quantidade de resíduos em fluxos comerciais, buscando que nada reste como resíduo após o uso e descarte.
O futuro da sustentabilidade nas embalagens de pet food
As embalagens, naturalmente, são apenas uma parte do panorama da sustentabilidade, mas tudo o que os tutores pedem dentro desse conceito contribui para impulsionar a tendência.
Para Oyler, a mudança mais ampla em direção à alimentação “limpa” transformou para sempre o marketing, as vendas e até o espaço nas prateleiras e o e-commerce do setor alimentício. Da mesma forma, a sustentabilidade tornou-se prioridade máxima. “Para os consumidores, comprar alimentos e produtos sustentáveis é um investimento em seus valores essenciais. Eles gastam com marcas que têm estratégias circulares de sustentabilidade em todas as etapas, desde o fornecimento e a produção até o transporte, a embalagem e o descarte. O sucesso requer uma abordagem holística e bem orquestrada, envolvendo partes internas e externas.”
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Convencer todos os elos da cadeia pode ser o maior desafio quando se trata de embalagens sustentáveis.“No curto prazo, acredito que estamos no caminho certo e vejo a indústria avançando significativamente para produzir embalagens tão funcionais quanto sustentáveis, minimizando o impacto no desempenho e no meio ambiente”, afirma Barlow, que reforça a necessidade de dedicação à melhoria contínua, ajudando a reduzir custos de embalagem, uso de plásticos e geração de resíduos.
Já no longo prazo, Barlow prevê um futuro em que as embalagens de pet food — talvez compostas por uma combinação de materiais à base de poliolefinas — serão coletadas na calçada e processadas por múltiplos sistemas de reciclagem avançada.
Para ele, a chave para concretizar essa visão está na colaboração entre setores. Fabricantes de pet food, empresas de embalagem e recicladores precisam trabalhar juntos para desenvolver a infraestrutura e os processos necessários para que esses materiais se tornem matéria-prima viável para reciclagem. “Ao criar essas parcerias e sistemas, poderemos desviar quantidades substanciais de embalagens de pet food dos aterros e inseri-las na economia circular.”







