Tutores de pets valorizam rações sustentáveis. É suficiente para gastar mais?

Uma pesquisa com donos de pets norte-americanos mostra que há um crescente interesse em rações com atributos sustentáveis. Mas o interesse nem sempre se converte em compra.

Sustentabilidade Consumo Pet

Embora muitos consumidores, incluindo tutores de pets, demonstrem interesse em sustentabilidade e produtos alinhados a ela, suas decisões de compra nem sempre espelham essa preocupação. Essa discrepância se acentua particularmente quando fatores financeiros impõem escolhas de gastos e prioridades.

Novos dados podem indicar um caminho para marcas de rações e petiscos que incluem seus atributos sustentáveis como estratégia de venda: vincular a sustentabilidade aos atributos que os donos de pets realmente valorizam, como nutrição, saúde, segurança e qualidade. 

É o que diz uma pesquisa com mil tutores dos Estados Unidos conduzida por Lonnie Hobbs Jr., Ph.D., professor assistente do Departamento de Economia Agrícola da Universidade Estadual do Kansas, nos Estados Unidos. Os dados foram apresentados durante o Pet Food Collab, evento sediado em setembro na universidade voltado à indústria de alimentos pet.

Além de linkar a sustentabilidade a valores consolidados, o trabalho aponta que a mensagem é outro ponto importante ao tentar atrair donos de pets. A palavra “sustentabilidade” significa coisas diferentes para pessoas diferentes. 

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O que sustentabilidade significa para os donos de pets?

A apresentação de Hobbs, intitulada “Perspectivas sobre ração: explorando percepções e valor de sustentabilidade e outros atributos do produto”, destacou a dinâmica da sustentabilidade nas decisões de compra de ração. Isoladamente, a sustentabilidade representou apenas 8% das compras reais de ração pelos entrevistados, ficando atrás de atributos como alto teor de proteína, naturalidade e ausência de aditivos, corantes ou aromatizantes artificiais. 

No entanto, quando considerado um conjunto de atributos ligados à sustentabilidade, 28% dos tutores disseram que isso influenciou suas compras. O número fica próximo aos 30% que priorizam o preço, mas ainda atrás da maioria, de 42%, que aponta o tipo de proteína como o fator mais decisivo na escolha da ração.

Ao analisar esses atributos de sustentabilidade, a pesquisa de Hobbs mostrou que o bem-estar animal é considerado mais importante do que o impacto ambiental, com notas de 8,29 a 7,02 em uma escala de 1 a 10. Isso foi especialmente verdadeiro para a geração X, com nota 8,55, ligeiramente acima das gerações mais jovens (Geração Y e millennials), com 8,28, e das gerações mais velhas (principalmente boomers), com 8,06.

Curiosamente, uma pergunta da pesquisa que pedia aos entrevistados para indicar em que grau concordavam com determinadas afirmações mostrou que eles não veem necessariamente uma distinção clara entre bem-estar animal e impacto ambiental como aspectos da sustentabilidade, e, de fato, parecem considerá-los sobrepostos. Por exemplo, 76% dos entrevistados concordaram parcialmente ou totalmente com a afirmação: “É possível priorizar igualmente o bem-estar animal e a sustentabilidade ambiental ao escolher a ração para pets.”

Da mesma forma, 69% concordam que produtos com altos padrões de bem-estar animal também são melhores para o meio ambiente; 63% concordam que ração “ecologicamente correta” geralmente significa que os animais foram tratados humanamente; e 61% afirmam que melhorar o bem-estar animal na produção de ração aumenta o impacto ambiental.

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Menos de um quarto dos entrevistados tinha ideias específicas sobre o que “bem-estar animal” poderia significar, variando de 15% para cuidados veterinários regulares/monitoramento da saúde de animais de produção até 21% para métodos humanizados de abate como primeira associação ao bem-estar animal. O uso de hormônios de crescimento em animais de produção e condições adequadas de alojamento foram algumas das ações associadas.

Os entrevistados pareciam ter maior familiaridade com conceitos de sustentabilidade ambiental. A redução do desperdício foi a principal preocupação para a maioria dos entrevistados, variando de 26% a 30% conforme a faixa etária. Outras considerações incluíram a utilização reduzida de produtos químicos (23% a 30%), a implementação de sistemas de reciclagem, a conservação de recursos hídricos e a diminuição das emissões de carbono.

“Os donos de pets não estão cientes dos trade-offs entre bem-estar animal e sustentabilidade ambiental”, concluiu Hobbs. 

Há disposição para pagar mais por sustentabilidade?

Essa falta de consciência indica a necessidade de educação do consumidor, o que também poderia ajudar a abordar o “elefante na sala” quando se trata de sustentabilidade: os donos de pets não estão dispostos a pagar mais por isso — pelo menos, ainda não. 

A pesquisa de Hobbs indica que, comparado a outros atributos como alto teor de proteína e cuidado com pele e pelagem, a sustentabilidade é menos valorizada por tutores de pets. No entanto, tutores mais jovens mostram uma leve inclinação maior. Quando a pesquisa abordou a "disposição a pagar" por atributos sustentáveis específicos, a receptividade aumentou, especialmente para produtos relacionados ao bem-estar animal.

Quando questionados sobre o valor que estariam dispostos a pagar a mais por um saco de 6,8 kg de ração seca para cães, os entrevistados indicaram uma média de US$ 20,10 (R$ 107,33) para um produto certificado que segue práticas de bem-estar animal. Para afirmações relacionadas, tutores estariam dispostos a pagar US$ 15,40 (R$ 82,24) a mais para alegações como “criado de forma ética”; US$ 15,10 (R$ 80,63) para “criado em pastagem” e US$ 12,50 (R$ 66,75) para “sem gaiola”.

Já para as alegações relacionadas à sustentabilidade ambiental, os participantes disseram que pagariam US$ 11,20 (R$ 59,81) a mais para produtos “ecologicamente corretos”; US$ 5,40 (R$ 28,84) para “pegada de carbono reduzida”; e US$ 1,30 (R$ 6,94) para “pró-planeta”.

É claro que declarar disposição para pagar por um produto e, de fato, efetuar a compra são duas situações distintas. Mas os dados mostram que os atributos de sustentabilidade podem, sim, influenciar a escolha da ração, mas é fundamental entender quais atributos têm impacto e em que intensidade. Quanto mais esses atributos estiverem associados a fatores pelos quais os donos de pets já demonstraram disposição a pagar, maiores serão as chances de sucesso da marca.

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