Estudo clínico: ingrediente pós-biótico reduz 20% da coceira em cães

Novo pós-biótico rico em indóis oferece uma solução cientificamente comprovada para a saúde da pele canina, superando alternativas probióticas em 2,5 vezes.

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Cães Coceira Pró Biótico
birgl | Pixabay

O estudo clínico da Kingdom Superculture, desenvolvedora e fabricante de ingredientes funcionais, indicou que um novo ingrediente pós-biótico rico em indol ajuda a reduzir o comportamento de coceira em cães, além de promover a saúde geral da pele e pelagem. O ingrediente é disponibilizado comercialmente como Superculture® Pet Immune.

O ensaio, publicado na revista Animals, demonstrou que um pós-biótico para a saúde imunológica canina, rico em indóis, reduziu em 20% o comportamento de coçar em cães e melhorou em 27% os escores de coceira percebidos por humanos. Essas melhorias foram observadas em apenas 14 dias em cães que receberam o pós-biótico, em comparação com o grupo placebo no estudo randomizado, duplo-cego e controlado por placebo.

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Pós-biótico reduz coceira canina em 14 dias

Para o ensaio, trinta cães foram divididos em dois grupos, levando em consideração a frequência basal de coceira. Cada grupo recebeu um suplemento alimentar diário, contendo ou o pós-biótico ou um placebo, ao longo de 28 dias. Os resultados mostram que o grupo que recebeu o pós-biótico apresentou redução de 20% no comportamento de coçar na comparação com o início do estudo. Além disso, houve diminuição de 27% na coceira percebida pelos tutores, conforme a Escala Visual Analógica de Prurido, quando comparado ao grupo placebo no 28º dia.

Adicionalmente, a qualidade da pele e da pelagem demonstrou melhora já no 14º dia, e a diversidade da microbiota intestinal aumentou após o período completo.

O ensaio defende que o pós-biótico é significativamente mais eficaz quando comparado com outros ingredientes bióticos para coceira, testados em cinco estudos que analisaram o impacto de probióticos e pós-bióticos na microbiota. Dos testes, apenas dois probióticos mostraram uma modesta redução de 10% na percepção de coceira pelos tutores após 14 ou 28 dias de intervenção. “O que nos indica que pós-biótico rico em indóis supera outros bióticos para pets em mais de 2,5 vezes na redução da coceira”, disseram os pesquisadores.

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Benefícios do pós-biótico para a microbiota

Além de suas propriedades contra a coceira, o pós-biótico demonstrou efeitos positivos significativos sobre a saúde da microbiota intestinal. Os cães que receberam o ingrediente apresentaram um aumento de 4,6% na diversidade de Shannon, uma medida-chave de saúde da microbiota, no 28º dia. Isso é especialmente relevante, pois cães saudáveis normalmente têm maior diversidade microbiana do que aqueles com condições inflamatórias.

O ingrediente também aumentou a abundância de bactérias benéficas associadas à produção de indóis, incluindo Clostridium e Romboutsia. Essas bactérias promovem a saúde intestinal ao produzir compostos anti-inflamatórios e melhorar a integridade da barreira intestinal.

“As evidências sugerem que pós-bióticos ricos em indóis são capazes de modular o eixo intestino-pele ao promover uma microbiota saudável e podem ser mais eficazes do que outras soluções microbianas”, concluíram os pesquisadores.

Embora este estudo tenha se concentrado especificamente em cães com comportamento de coceira subclínico, mas elevado, os pesquisadores sugerem que o ingrediente pode ter aplicações mais amplas. O mecanismo de ação, baseado no suporte ao eixo intestino-pele por meio de compostos indólicos, pode beneficiar cães com dermatite atópica diagnosticada ou outras condições relacionadas ao sistema imunológico.

Pós-biótico rico em indóis: o diferencial

O que diferencia este pós-biótico específico é sua alta concentração de indóis, compostos bioativos produzidos por bactérias benéficas do intestino a partir do metabolismo do triptofano, um aminoácido essencial presente em diversos alimentos. Um dos principais alvos desses compostos é o receptor de hidrocarboneto arila (AhR), uma proteína presente em várias células do sistema imunológico e das mucosas. A ativação do AhR regula a resposta imune, o equilíbrio da microbiota intestinal e processos inflamatórios, mecanismos diretamente relacionados ao controle da coceira e à saúde da pele.

“A ativação do AhR por indóis mostra grande potencial terapêutico para condições inflamatórias da pele”, afirmam os pesquisadores. 

O êxito de medicamentos dermatológicos humanos, como o tapinarof, que visam o AhR e comprovadamente diminuem a coceira em pacientes com doenças inflamatórias da pele, fortaleceu a associação entre indóis e a saúde cutânea.

O desafio da coceira em cães

Segundo o estudo, a coceira afeta milhões de cães no mundo todo e é uma das principais razões pelas quais os tutores buscam atendimento veterinário. A condição é causada, principalmente, pela dermatite atópica, uma doença inflamatória crônica da pele que impacta significativamente a qualidade de vida dos cães e de suas famílias.

“Os tratamentos atuais costumam ser complexos, demorados e individualizados. Em situações mais graves, exigem o uso de medicamentos imunomoduladores, o que representa um desafio considerável para muitos tutores”, observou a equipe de pesquisa no artigo publicado. Tratamentos tradicionais são caros e exigem acompanhamento veterinário contínuo, o que torna soluções nutricionais preventivas cada vez mais atraentes para tutores e profissionais do setor.

A conexão entre intestino e pele

O estudo foi desenvolvido com base em um nova linha de pesquisa que investiga a relação crítica entre a saúde intestinal e condições cutâneas, conhecida como eixo intestino-pele. Cães com dermatite atópica apresentam, consistentemente, menor diversidade da microbiota intestinal e maior permeabilidade intestinal, o que pode desencadear respostas inflamatórias que se manifestam na pele.

“A microbiota intestinal influencia tanto as respostas imunológicas quanto a função de barreira da pele. Apoiar uma microbiota saudável em cães com coceira pode ajudar a prevenir a progressão da dermatite atópica”, observaram os pesquisadores.

Esse entendimento tem levado a um maior interesse por ingredientes derivados de microrganismos, embora estudos anteriores com probióticos e outros pós-bióticos tenham mostrado sucesso limitado no tratamento da coceira canina.

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