
A oferta global de vitaminas e aminoácidos essenciais está cada vez mais concentrada, gerando preocupações tanto para a produção pecuária quanto para a indústria de alimentos para animais de estimação, alertou Lara Moody, diretora executiva do Institute for Feed Education and Research (iFeeder).
O alerta foi dado durante o Petfood Forum 2026, em que a palestrante apresentou resultados exclusivos de um relatório do iFeeder sobre a estabilidade da cadeia de suprimentos. “Vitaminas e aminoácidos foram identificados desde o início como áreas-chave de preocupação”, afirmou Moody.
Forte dependência de importações
Uma das conclusões mais preocupantes do relatório é a falta de diversidade geográfica na produção. Segundo o estudo, alguns mercados, em especial os Estados Unidos, dependem fortemente de importações da China para diversos nutrientes essenciais. Em alguns casos, a dependência é quase total. Moody destacou, por exemplo, que a indústria norte-americana importa 100% da lisina e grande parte da vitamina D da China.
Vantagens de custo e políticas industriais permitiram que o país asiático dominasse a produção global de vitaminas. As diferenças de preços impulsionam essa concentração, explicou Moody. Entre 2023 e 2024, por exemplo, a metionina importada da China tornou-se aproximadamente 55% mais barata do que a oferecida por fornecedores alternativos.
O relatório também apontou que a capacidade global de produção de vitaminas e aminoácidos está subutilizada. A produção de aminoácidos opera abaixo do limite estimado de 80% de utilização necessária para rentabilidade ideal, enquanto a produção de vitaminas apresenta índices ainda menores, entre 40% e 60%.
Esse desequilíbrio reflete problemas estruturais do mercado, incluindo produção subsidiada em determinadas regiões, o que pode distorcer preços e desestimular investimentos em outros países.
Poucas opções de substituição aumentam os riscos
Embora algumas lacunas nutricionais possam ser parcialmente compensadas com ingredientes alternativos, essa substituição costuma ser cara e pouco prática, disse Moody. Reformular dietas para substituir aminoácidos sintéticos, por exemplo, pode elevar os custos entre 25% e 70% por tonelada devido à necessidade de utilizar ingredientes de origem animal, como farinha de peixe ou farinha de sangue.
Além disso, nem todos os nutrientes podem ser facilmente substituídos. “Para vitamina B e, especialmente, vitamina D, não temos muitas outras opções”, afirmou Moody.
Mudanças no fornecimento de ingredientes podem exigir atualização de rótulos, impactar formulações patenteadas e alterar a palatabilidade dos produtos. Além disso, dietas especiais frequentemente dependem de suplementação nutricional precisa, reduzindo a flexibilidade para reformulações.
Atenção das autoridades e possíveis soluções
As conclusões do relatório já atraíram a atenção do governo federal dos Estados Unidos. Segundo Moody, vitaminas e aminoácidos passaram a ser identificados como vulnerabilidades estratégicas, o que levou a discussões entre os departamentos norte-americanos de Agricultura e Defesa, além de outras agências governamentais.
Entre as possíveis respostas em análise estão investimentos em produção doméstica, pesquisas em tecnologias de fermentação e ajustes em processos regulatórios para estimular novas capacidades de manufatura.
À medida que a competição global por nutrientes essenciais se intensifica entre países e indústrias, garantir acesso estável a ingredientes estratégicos pode exigir planejamento cada vez mais cuidadoso por parte dos fabricantes de pet food.


















