Marketing assume papel de inteligência competitiva na transformação digital da indústria pet

Especialistas apontam que marketing orientado por dados aceleram crescimento e aumentam a retenção no setor; uso de IA e a integração da cadeia de suprimentos são eixos centrais para converter tecnologia em valor real e previsibilidade de demanda.

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A indústria pet atravessa um período de sofisticação tecnológica que não é mais sobre a implementação isolada de ferramentas, e sim sobre a integração de eficiência operacional e a experiência do consumidor para a geração de valor.

O setor agora foca na integração total da cadeia de abastecimento e no uso inteligente de dados para prever comportamentos, garantindo que a inovação tecnológica se traduza em resultados financeiros e fidelização. 

Para Vanusa Magela, CRO da Máxima Tech, o futuro do setor é moldado pela busca por conectividade e pela digitalização da execução de campo e trade marketing. A executiva ressalta que a automação de promotores e o monitoramento digital de PDVs (pontos de venda) oferecem a visibilidade necessária para mensurar com precisão o retorno de campanhas.

"Inteligência artificial (IA) aplicada à previsão de demanda e comportamento de compra é um diferencial competitivo. Empresas que utilizam a ferramenta em previsão de vendas e preço têm ganhos médios de 3% a 5% de margem bruta", afirma Magela.

A aplicação de IA e de machine learning na indústria pet também redefine os processos internos, desde a formulação preditiva até a personalização da comunicação no varejo. Helton Leal, gerente de Merchandising na PremieRpet, pontua que a tecnologia para o segmento, hoje, engloba nutrição personalizada e o uso de recursos como blockchain e IoT (Internet das Coisas) para garantir a rastreabilidade e a transparência da cadeia produtiva. O avanço das operações comerciais é impulsionado pelo uso de retail media e analytics omnichannel, tornando o relacionamento com o varejo mais dinâmico.

"Essas frentes sintetizam o movimento de uma indústria que aprende a transformar tecnologia em valor percebido por meio de dados precisos e estratégias orientadas por analytics", destaca Leal.

Marketing como guia da transformação digital pet

Nesse contexto de transformação digital na indústria pet, o marketing assume o papel de eixo central na estratégia de negócios ao conectar o comportamento de consumo à inteligência de dados. Esta transição de uma área puramente voltada à comunicação para uma fonte de inteligência competitiva é o que define o estágio atual das empresas, aponta Magela. 

Ao operar com base em evidências e não apenas em campanhas, o setor direciona investimentos para onde o retorno é maximizado, servindo como um guia para as áreas de produto, preço e presença de mercado.

A eficácia dessa abordagem é sustentada por indicadores de mercado. Segundo Magela, estudos apontam que organizações com marketing orientado por dados apresentam um crescimento até 30% mais acelerado e alcançam 23% mais retenção de clientes. Para ela, o departamento atua como o "norte digital" da organização e a integração de dados e experiência permite um modelo de negócio mais rentável e previsível em toda a cadeia de abastecimento. "O marketing é hoje o setor estratégico da transformação, porque ele conecta dados, clientes e experiência. Quando passa a operar com base em dados, ele consegue apoiar as áreas comercial e de trade na priorização de oportunidades", afirma.

Na prática das distribuidoras de pet food, o marketing na indústria pet focado em dados se manifesta por meio da segmentação preditiva de clientes, que identifica oportunidades de cross-sell e upsell com base no histórico de compras. A estratégia inclui ações comerciais automatizadas e a mensuração de resultados em tempo real via dashboards que cruzam investimento e margem. Esse ecossistema digital reduz o churn e potencializa a expansão do mix de produtos nos clientes ativos.

A tecnologia também promove uma reestruturação profunda no trade marketing. O uso de IA permite o planejamento de campanhas fundamentado em dados reais de sell-out, substituindo percepções subjetivas de campo. Ferramentas de automação possibilitam a roteirização inteligente de promotores e o monitoramento da execução, incluindo a detecção automática de ruptura via visão computacional. "O trade marketing passa a ser cientificamente orientado por dados, com maior previsibilidade e accountability sobre cada real investido no ponto de venda", explica Magela.

Leal acrescenta que a modernização dos elos da cadeia permite que distribuidores transcendam o papel logístico para se tornarem consultores estratégicos. Com o uso de IA, é possível ajustar estoques e rotas conforme o comportamento real de compra, entregando soluções baseadas em valor e cuidado, e não apenas em custo. Essa abordagem fortalece a premiumização do mercado e consolida o relacionamento entre indústria, varejo e o tutor final.

Sinergia e cultura: o próximo passo da transformação digital na indústria pet

Embora o marketing atue como o catalisador da transformação digital no setor pet, sua eficácia depende da integração com as demais verticais do negócio. A digitalização de fluxos no supply chain, a aplicação de ciência em pesquisa e desenvolvimento e a infraestrutura de TI formam o ecossistema necessário para que os dados se traduzam em vantagem competitiva. 

De acordo com Leal, o desafio central das organizações ainda reside em converter a tecnologia em valor percebido, superando barreiras como a ausência de integração omnichannel, que ainda deixa o setor vulnerável à guerra de preços frente a grandes marketplaces.

Ele diz que a tecnologia deve ser encarada como um braço estratégico que conecta execução e inteligência. "A transformação tecnológica no pet food não é sobre ferramentas, é sobre pessoas, cultura e propósito compartilhado. O impacto do marketing é potencializado quando atua em sinergia com frentes que traduzem dados em execução e experiência no ponto de venda", pontua Leal.

Dessa forma, o uso das novas tecnologias na indústria pet se consolida como um movimento de amadurecimento setorial. Ao unir eficiência operacional com o entendimento profundo das práticas de consumo, a indústria deixa de focar apenas na otimização de processos para priorizar a criação de conexões relevantes. O resultado é um modelo de negócio mais resiliente, onde a inteligência de dados se transforma em empatia e fidelização em toda a jornada de compra.

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