O que está por trás da humanização dos pets?

Ideia de “pets como membros da família” está amplamente difundida entre novos tutores, mas fatores sociais podem ter mais peso do que outros aspectos demográficos

Humanização Dos Pets
Syda Productions | Shutterstock.com

A humanização tornou-se tão fundamental para os mercados de alimentos e cuidados para pets que, em pesquisas com tutores em regiões desenvolvidas, chega a ser surpreendente se os resultados mostram que menos de 100% dos entrevistados consideram seus animais como membros da família. Quer dizer: quem são esses “ranzinzas” que ainda vêem cães e gatos como meros utilitários?

Só que agora, o que já é amplamente observado em pesquisas e análises de mercado, ganhou um novo entendimento e respaldo da ciência, ainda que de forma um pouco limitada. Um estudo recente da Universidade de Vilnius, na Lituânia, revelou que o nível de profundidade do vínculo entre humanos e seus animais de companhia está significativamente mais ligado a fatores sociais, como a existência de relacionamentos ou de filhos, do que outras características demográficas, como renda, escolaridade ou local de moradia.

Uma ressalva: o estudo incluiu apenas tutores de pets na Lituânia (a maioria com cães), o que pode não ser representativo de outros países. Ainda assim, contou com 571 respondentes, e as descrições que eles fizeram de seus relacionamentos com os animais parecem refletir a realidade de tutores em muitas outras regiões do mundo.

Pets são filhos

66,7% dos entrevistados pela pesquisa se referem aos seus pets como seus filhos. “Um resultado que acompanha tendências semelhantes internacionalmente”, afirma o comunicado da Universidade de Vilnius, citando a professora associada Evandželina Petukienė, uma das autoras do estudo e supervisora da pesquisa. Outros achados incluem:

Com relação ao vínculo familiar, mulheres tendem a humanizar seus pets mais do que os homens. “Mulheres formam vínculos emocionais mais fortes com os pets, são mais propensas a comemorar aniversários, dar presentes e desejar itens associados aos seus animais”, segundo Petukienė. Pessoas que vivem sozinhas também têm maior probabilidade de desenvolver fortes laços emocionais com seus pets.

Com relação à idade dos tutores, os respondentes entre 19 e 25 anos são os mais propensos a atribuir características humanas aos seus pets, considerá-los membros da família, formar vínculos emocionais intensos e chamá-los de filhos. “Isso pode estar relacionado à crescente tendência de não ter filhos entre as gerações mais jovens”, afirmou Petukienė.

Mercados emergentes já observam a humanização

Os pesquisadores lituanos afirmam que os resultados da pesquisa foram inesperados. Ainda que possa ser verdade no contexto da Lituânia, qualquer especialista de mercados pet em regiões mais desenvolvidas pode dizer que esse tipo de achado já não é mais novidade. 

Pesquisas com tutores de pets nos Estados Unidos, na Europa Ocidental e em outras regiões desenvolvidas do mundo confirmam o grande impacto da humanização no consumo. À medida que a posse de animais cresce em regiões em desenvolvimento, o nível de humanização também deve crescer. 

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