
A humanização dos animais de estimação é o principal motor de transformação para a indústria pet. Conforme tutores enxergam seus pets cada vez mais como parte da família e, portanto, merecedores de cuidado e nutrição de qualidade, o mercado responde com crescimento contínuo, com estimativas de atingir a marca de R$ 1 trilhão até 2034.
Segundo relatório de outubro de 2025 da Mordor Intelligence sobre o mercado pet global, apenas a humanização impacta a taxa de crescimento anual composta (CAGR) em 1,2%, se consolidando como a tendência de maior relevância para o crescimento do setor. Para efeito de comparação, em segundo lugar o relatório aponta a expansão do e-commerce em países emergentes, com um impacto de 0,9%.
Considerando que mais de 70% do mercado pet global é composto pela alimentação, entender o que os novos núcleos familiares “multiespécie” buscam é essencial. “Os tutores estão cada vez mais atentos ao que oferecem aos seus pets. Se antes buscavam alimentos que apenas saciassem a fome e nutrissem o animal de estimação, hoje procuram alimentos que expressem o mesmo cuidado e atenção que dedicam à própria saúde, priorizando ingredientes naturais, alta qualidade nutricional e benefícios extras para promover o bem-estar”, destaca Amanda Arsoli, médica-veterinária da Adimax, fabricante de alimentos para cães e gatos.
O cuidado com a nutrição pet é tanta, que muitos tutores escolhem economizar em suas próprias compras ao invés de reduzir o padrão de qualidade do que vai para o prato de seus companheiros peludos.
Humanização: o que tutores buscam na alimentação pet
Segundo a Adimax, entre as principais demandas dos tutores que buscam uma alimentação com olhar mais humanizado para seus pets estão:
- Ingredientes de qualidade humana: preferem alimentos feitos com ingredientes naturais, funcionais e com padrão semelhante ao de produtos para consumo humano;
- Saúde e bem-estar: valorizam opções saudáveis, que promovam longevidade, vitalidade e previnam problemas de saúde;
- Personalização: procuram alimentos adaptados à idade, raça, porte e condições específicas de saúde dos animais.
Esse movimento tem transformado a indústria. Linhas de alimentos e snacks com apelo natural, sem a inclusão de conservantes artificiais, corantes e ingredientes transgênicos, ganham cada vez mais espaço nas prateleiras e no coração dos tutores.
Afeto de risco: os desafios da humanização
Ainda que os tutores tenham as melhores intenções, Arsoli alerta para um ponto importante que pode trazer prejuízos à saúde dos pets. A humanização dos animais de companhia sem considerar que são de espécies com necessidades físicas, biológicas e comportamentais diferentes das humanas, pode levar a erros nutricionais significativos.
Suplementação desnecessária; deficiência nutricional causada por dietas caseiras desbalanceadas; oferta excessiva de petiscos; manejo alimentar inadequado, como deixar alimento à vontade; veganismo; oferta de alimentos crus; superalimentação, sobrepeso e obesidade são alguns dos desafios causados pela humanização apontados pela especialista. “Por isso, é importante trabalhar a educação dos tutores para que forneçam alimentos de qualidade, completos e balanceados, na quantidade recomendada nas embalagens ou orientada por um médico-veterinário de confiança”.
A obesidade, inclusive, vem se tornando cada vez mais comum entre cães e gatos. Apesar de haver uma predisposição genética em algumas raças, além de fatores endocrinológicos (como o hipotireoidismo), a doença tem como principal causa o desequilíbrio provocado pelo excesso de calorias oferecidas. Os quilos a mais podem comprometer gravemente a saúde dos pets e têm potencial de reduzir sua expectativa de vida.
No caso de pets com sobrepeso ou obesidade, Arsoli explica que apenas diminuir a quantidade diária de alimento não é a solução correta, pois junto com as calorias, seriam reduzidos os nutrientes essenciais, comprometendo a saúde do cão ou gato. “O ideal é ajustar a dieta com alimentos formulados especificamente para o controle de peso, que apresentam densidade energética reduzida, mas mantêm o equilíbrio de todos os nutrientes necessários.”
Além disso, a veterinária também ressalta que o tratamento nutricional da obesidade em pets deve ser contínuo. “Após o emagrecimento, é recomendado migrar para uma dieta de manutenção com menor densidade calórica, associada a hábitos saudáveis, como passeios regulares, estímulo a brincadeiras e controle de petiscos, o que deve ser orientado aos tutores por profissionais qualificados”.
Para a indústria, além de entender a tendência de mercado, é importante investir na educação do consumidor e responsabilidade. Nesse contexto, fabricantes têm um papel central no desenvolvimento e promoção de alimentos que atendam às demandas das famílias multiespécie enquanto priorizam a saúde e nutrição adequada dos pets.

















