
Tensões geopolíticas, incertezas econômicas persistentes, impactos das mudanças climáticas, sobrecarga de informações e algoritmos… A lista de preocupações e desafios que as pessoas enfrentam diariamente em todo o mundo só cresce ( ou, no mínimo, nunca diminui). No entanto, os tutores de pets podem ter uma vantagem: segundo dados da Mintel, 76% afirmam recorrer a seus pets em busca de apoio emocional.
Esse dado foi coletado no Canadá e apresentado por Diana Kelter, diretora de tendências de consumo da América do Norte na Mintel, durante um webinar realizado em outubro de 2025 sobre previsões globais de comportamento do consumidor. As análises se alinham às apresentadas pela Innova Market Insights em um webinar realizado em setembro de 2025, que destacou as grandes tendências globais de consumo para 2026.
Os eventos indicados assinalam o começo da "temporada de tendências", conforme a Innova. Além disso, tanto a Innova quanto a Mintel têm agendados novos webinars para novembro de 2025, com foco nas tendências de alimentos e bebidas para 2026. Ainda que esses materiais se apliquem mais diretamente ao setor de pet food, os encontros mais recentes, focados nas tendências de consumo em geral, fornecem insights valiosos sobre o estado mental e emocional atual dos consumidores. Uma dica? Não é um dos mais otimistas.
Déficit de atenção e afeto: 3 previsões e 3 caminhos
Kelter apresentou três previsões principais para 2026:
1. Anti-algoritmo
Está crescendo a tensão entre consumidores e os algoritmos, especialmente nas redes sociais. As pessoas começam a reagir contra o excesso de automação e recomendações, em busca de mais controle e menos consumo passivo de conteúdo.
Alguns chegam a usar aplicativos criados para ajudá-los a passar menos tempo nas redes, como o app Touch Grass, que incentiva a literalmente “tocar grama”, em uma apologia para sair de frente das telas e ter contato com algo real.
2. O novo jovem
As etapas tradicionais da vida estão se desfazendo, e as pessoas estão redefinindo o que significa ser adulto ou estar na meia-idade. Segundo Kelter, até o conceito de “crise de meia-idade” está sendo ressignificado como uma oportunidade de transformação, tanto pessoal quanto para as marcas.
3. Déficit de atenção
Relacionado ao primeiro ponto, reflete a perda dos grandes momentos coletivos de engajamento, que costumavam gerar interesse instantâneo nas pessoas. Para as marcas, há uma oportunidade de reacender conexões e criar experiências mais significativas.
Essas tendências, segundo Kelter, também podem levar a um “déficit de afeto”, caracterizado pela perda de conexões humanas genuínas. Ela propõe três respostas possíveis:
- Economia do afeto: “quando o afeto é escasso, ele passa a ter valor, podendo se tornar algo pelo qual as pessoas escolhem pagar, medir e trocar”, afirmou. A observação pode soar um tanto fria, mas é fiel ao que foi dito no webinar.
- Automação do afeto: o afeto “simulado”, ou seja, mediado por tecnologia, se torna instantâneo e disponível sob demanda, levando as pessoas a questionarem a autenticidade, a confiança e o controle. Esse dilema pode orientar como as marcas devem se comunicar e se posicionar.
- Reflexão sobre o afeto: quando o afeto humano não está disponível, para onde as pessoas recorrem? É aqui que Kelter menciona a importância da companhia dos pets, citando o dado dos tutores canadenses como exemplo.
Estresse e ansiedade moldam 5 tendências-chave para 2026
Segundo Sara Marshall e Sarah Nash, integrantes da equipe de tendências da Innova Market Insights, metade dos consumidores no mundo se sente muito ou um pouco ansioso em relação ao futuro. O principal fator por trás desse estresse é a situação financeira, apontada por 48% dos entrevistados em 11 países. Além disso, um em cada três mencionou saúde ou trabalho/estudos como fontes de preocupação.
Diante disso, os consumidores estão buscando maneiras de recuperar o controle sobre suas vidas e encontrar alívio. Curiosamente, cerca de 25% dos entrevistados disseram se sentir muito positivos, com boomers e geração X mais ansiosos e millennials mais otimistas.
Essa busca por controle se traduz em mudanças de estilo de vida, como uma abordagem mais proativa da saúde e do bem-estar, consumo consciente, uso da IA (inteligência artificial) para aprendizado e arranjos mais flexíveis de trabalho e moradia. Essas mudanças impulsionam cinco tendências principais previstas pela Innova para 2026:
Sociabilidade relaxada
A vida mais flexível está transformando as interações sociais. As pessoas buscam momentos mais leves e informais, muitas vezes durante o dia ou próximos de casa. No campo alimentar, isso se reflete na expansão dos restaurantes “fast casual” e brewpubs (bares que fabricam a própria cerveja), talvez até daqueles que aceitam cães.
Tempo para mim
Cada vez mais, os consumidores escolhem passar tempo sozinhos para se recompor e praticar autocuidado. Um em cada três acredita que estar sozinho ajuda a reduzir o estresse. A tendência é mais forte especialmente entre millennials e jovens adultos.
Em muitos casos, “sozinho” pode significar “apenas eu e meu pet”.
Vitalidade e longevidade
Pessoas de todas as idades estão focadas em ações imediatas para garantir saúde a longo prazo, um tema que ganha relevância com o envelhecimento das populações globais.
Meu parceiro tecnológico
Consumidores estão usando IA e outras tecnologias para promover saúde e bem-estar, embora nem todos se sintam confortáveis com isso. Gerações mais jovens mostram maior abertura globalmente. Norte-americanos e europeus tendem a ser mais cautelosos.
Vida simplificada
Em busca de um estilo de vida mais equilibrado e saudável, as pessoas tentam reduzir a complexidade e o excesso em suas rotinas.
A resposta para tudo: adote um pet
É verdade que ter um animal de estimação não simplifica exatamente a vida, afinal, cuidar de um pet exige tempo, envolvimento e responsabilidade. Mas, considerando os benefícios comprovados de bem-estar, companhia e alegria que eles proporcionam, os pets parecem ser a receita ideal para muitos dos males e ansiedades do mundo moderno.


















