
As projeções, no entanto, apontam para uma desaceleração influenciada por questões macroeconômicas. Para avançar, o setor precisa se adequar às demandas atuais e buscar soluções para superar pressões de preço, regulamentação e competitividade intensa. Nesse contexto, a tecnologia surge como um imperativo estratégico, mas não simples.
“Um grande desafio está em unir crescimento acelerado com eficiência e integração de dados”, diz Vanusa Magela, CRO da MáximaTech, sobre a implementação de soluções digitais e automações para empresas do setor pet. “Boa parte das empresas ainda enfrenta sistemas desconectados, processos manuais e baixa visibilidade da cadeia, especialmente entre indústria, distribuidores e canais de venda.”
No entanto, o principal obstáculo para a implementação de novas tecnologias no setor é cultural. De acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES), 72% das empresas brasileiras que falham em implementar fluxos digitais o fazem por barreiras culturais, não tecnológicas.
Por isso, “empresas que entenderam que ‘digitalizar é redesenhar o negócio’, e não apenas informatizar processos, estão colhendo ganhos expressivos em produtividade e margem”, afirma Magela.
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Por que a transformação digital é benéfica para o setor pet
De acordo com a especialista, um grande exemplo de como a transformação digital para as empresas pet pode ser benéfica está em soluções para superar a ineficiência logística e a falta de visibilidade do ciclo de pedido e entrega.
“O maior gargalo está em distribuidores que ainda operam com baixa digitalização de rotas, o que resulta em custos logísticos que chegam a 12% do faturamento, um percentual alto para margens tão estreitas”, aponta Magela, citando dados da Associação Brasileira de Logística (Abralog).
Diante desse cenário, a transformação digital oferece soluções diretas para desafios como a fragmentação dos canais de venda e a falta de integração entre áreas. Com o uso de tecnologias que conectam comercial, estoque e financeiro em uma única plataforma, é possível eliminar a duplicação de esforços, garantir consistência de preços e melhorar o controle do giro de capital.
Além disso, ferramentas de análise de dados permitem medir com precisão a rentabilidade por cliente ou rota, viabilizando estratégias de precificação mais inteligentes e alinhadas à realidade do negócio.
Para Magela, a transição para uma operação baseada em inteligência de dados e tecnológica tem a capacidade de transformar um setor pressionado por custos e competição por preço em um que valorize a diferenciação de serviço e eficiência.
A transformação digital pet é organizacional e cultural
A transição tecnológica é profundamente desafiadora porque vai além do operacional. “Exige mudança de cultura”, opina Halton Leal, gerente de Merchandising na PremieR Pet.
Para ele, é preciso adotar uma mentalidade orientada por dados, colaboração e foco no ecossistema de valor que envolve indústria, distribuidores, varejo, tutores e pets: tarefa que pede novas competências analíticas, integração entre áreas e capacidade de transformar dados em decisão no ponto de venda.
“Historicamente, a indústria pet é orientada pela gestão empírica, lógica industrial e pela força de vendas presencial e relações de confiança”, explica Leal. “Agora, ela precisa incorporar práticas baseadas em dados, automação e integração digital do desenvolvimento de produto ao ponto de venda, o que implica requalificar equipes, revisar processos, integrar sistemas que antes operavam de forma isolada e adotar uma mentalidade de experimentação contínua.”
Outro obstáculo, segundo Magela, é a capacitação digital. “O setor carece de profissionais com domínio de ferramentas de automação, analytics e inteligência de mercado.”
Além disso, para os especialistas, a tecnologia só gera valor quando aplicada com propósito. “É preciso entender como as ferramentas podem aprimorar a experiência do tutor, otimizar o sortimento e fortalecer o relacionamento com o varejo”, ressalta Leal.
Portanto, em um mercado cada vez mais competitivo e sensível a preço, o verdadeiro desafio não é tecnológico, mas humano, em que a cultura da organização deve pivotar para traduzir inovação em prática e dados em decisão.

















