
A inteligência artificial (IA) já faz parte do cotidiano, muitas vezes sem ser percebida. Essa é uma afirmação de Hana Bieliauskas, vice-presidente sênior e sócia da Inspire PR Group, feita durante sua palestra no Petfood Forum 2025. Durante o evento, realizado entre 28 e 30 de abril, em Kansas, nos Estados Unidos, ela destacou como algoritmos de IA moldam a experiência do consumidor, desde as sugestões personalizadas da Netflix até às recomendações de compra no Instacart.
No marketing para o setor pet, a IA também traz inovações, podendo melhorar a segmentação do público, aumentar o engajamento dos tutores e refinar estratégias de desenvolvimento de produtos.
“O que nós, como profissionais de marketing, podemos fazer com essa IA?”, questionou Bieliauskas. “Ela é capaz de processar grandes volumes de dados, pode organizar informações de clientes e segmentá-las com base em comportamentos, preferências ou histórico de compras. Assim, conseguimos criar campanhas mais eficazes, que realmente ressoam com perfis específicos de consumidores.”
Segundo a especialista, a IA é excelente para análises preditivas, pois sistemas inteligentes podem antecipar se certos produtos tendem a ter mais saída em determinadas épocas do ano ou que um novo sabor está ganhando popularidade. “Isso ajuda as empresas tanto no desenvolvimento de novos produtos quanto na gestão de estoques.”
Mas nem tudo é possível com IA. Para avaliar se uma tarefa pode ou deve ser automatizada com a ferramenta, Bieliauskas recomenda que profissionais de marketing no setor pet façam três perguntas-chave:
- A tarefa é orientada por dados?
- É uma atividade repetitiva?
- Envolve algum tipo de previsão?
Como empresas de pet food estão usando IA
Se a resposta para alguma dessas perguntas for “sim”, a IA pode ser uma boa aliada. Bieliauskas apresentou três casos que ilustram como grandes marcas estão aproveitando o potencial da tecnologia.
A Mars Petcare, por exemplo, anunciou um investimento de US$ 1 bilhão ao longo de três anos em inovação digital com forte foco em inteligência artificial. Um dos projetos é o Greenies Dog Interpreter. Criado em parceria com a Amazon, o projeto permite aos tutores enviar fotos de seus cães e receber comentários simulando o que o cão “acha” sobre os produtos da linha Greenies. “É uma ação divertida que incentiva o compartilhamento nas redes, mas, ao mesmo tempo, permite que a empresa colete dados e estreite o relacionamento com os clientes”, explicou Bieliauskas.
A Mars também utiliza uma ferramenta de IA chamada Vizit para analisar o desempenho visual de embalagens em plataformas de e-commerce no mundo todo. A partir dos insights obtidos, a empresa conseguiu aumentar em 30% suas conversões na Amazon apenas ajustando as imagens dos produtos para os diferentes mercados locais.
Já a Purina (Nestlé) desenvolveu o Pet Food Finder (Buscador de Alimentos Pet, na tradução live), uma experiência de recomendação personalizada disponível em seu site. A marca utiliza ferramentas digitais interativas e dados de comportamento do consumidor para melhorar a segmentação e aumentar a fidelidade dos clientes.
A Ollie, marca DTC (direto ao consumidor) de alimentos para pets, foi ainda mais longe. Após adquirir a startup Dig Labs, a empresa passou a oferecer triagens de saúde com IA para questões como digestão e problemas de pele. Seu sistema Food Feedback Loop analisa mais de 20 milhões de pontos de dados para ajustar porções, refinar receitas e orientar o desenvolvimento de novos produtos.
Para Bieliauskas, a IA oferece aplicações em muitos setores, mas no marketing, especificamente, há um grande potencial. “Pense em formas de integrá-la ao seu dia a dia, nos fluxos de trabalho. Se você ainda não começou, minha recomendação é: experimente. A IA já está se tornando parte da nossa rotina.”


















