Uso de IA no marketing de pet food avança, mas implementação é limitada

Nova pesquisa revela como marcas de ração para pets estão utilizando inteligência artificial para segmentar públicos e personalizar mensagens.

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Os profissionais de marketing estão explorando a IA para obter insights sobre os clientes e criar conteúdo. Mas a transformação digital acontece em passos lentos, com muitas empresas ainda em fases de planejamento.
Os profissionais de marketing estão explorando a IA para obter insights sobre os clientes e criar conteúdo. Mas a transformação digital acontece em passos lentos, com muitas empresas ainda em fases de planejamento.
Ron_Hoekstra | PIxabay.com

Fabricantes de pet food recorrem cada vez mais à inteligência artificial (IA) para aumentar a eficácia de suas ações de marketing. A inovação, no entanto, ainda engatinha no setor. A constatação é de nova pesquisa da Petfood Industry. Os dados reúnem respostas de 119 profissionais de pet food coletados entre 4 e 18 de setembro de 2025. 

A tecnologia, capaz de processar grandes volumes de dados de clientes, permite a criação de campanhas mais direcionadas, alinhadas a perfis específicos de tutores com base em comportamentos, preferências e histórico de compras. O levantamento mostra, no entanto, que a adoção ainda está em estágios iniciais: mais da metade dos entrevistados afirmaram estar apenas explorando ou planejando estratégias de marketing com IA, e não aplicando-as de fato. 

Os novos dados corroboram os resultados da pesquisa de agosto da Petfood Industry, que já indicava que quase metade das empresas do setor ainda não havia integrado a tecnologia.

IA para aplicações baseadas em dados, não funções criativas

Segundo o novo levantamento, mais da metade dos profissionais da indústria de pet food (56%) ainda não utiliza IA em campanhas de marketing, revelando um descompasso entre o debate sobre o potencial da tecnologia e sua efetiva implementação.

Entre as empresas que já aplicam soluções de IA, o uso principal está na geração de insights sobre clientes e análise de dados (21%), indicando foco em aplicações orientadas por dados em vez de funções criativas. A criação de conteúdo aparece em segundo lugar (11%), seguida de personalização de e-mails (6%) e desenvolvimento de conteúdo visual (5%).

Esses números mostram que, apesar do uso restrito, os primeiros adotantes estão priorizando recursos analíticos que impactam diretamente a inteligência de negócios e o entendimento do consumidor, em detrimento da automação da criação de conteúdo.

  • Não utilizam IA atualmente: 56,06%
  • Insights de clientes e análise de dados: 21,21%
  • Criação de conteúdo: 11,36%
  • Personalização de e-mail: 6,06%
  • Conteúdo visual e design: 5,30%

Leia mais: Três perguntas para saber aplicar IA no setor pet

Velocidade na produção de conteúdo é principal benefício mensurável

Entre os profissionais que já utilizam IA, a aceleração na produção de conteúdo é apontada como o benefício mais relevante, com 15% destacando esse impacto. Contudo, o levantamento também expõe uma lacuna: dois terços (67%) dos usuários ainda não mensuraram seus resultados, o que sugere que muitas iniciativas permanecem em fase experimental, sem acompanhamento claro de ROI.

Melhor segmentação e engajamento de público, assim como ganhos em métricas de desempenho das campanhas, apareceram apenas em 5% das respostas, sugerindo impacto limitado ou falta de sistemas de medição adequados. 

A consistência da marca apresentou resultados um pouco melhores (8%), indicando que as ferramentas de IA podem estar ajudando a manter mensagens mais alinhadas entre campanhas.

  • Não mensuraram resultados: 66,67%
  • Aumento da velocidade de produção de conteúdo: 15,38%
  • Mensagens de marca mais consistentes: 7,69%
  • Melhor segmentação e engajamento: 5,13%
  • Melhoria nas métricas de campanhas: 5,13%

Equipes de marketing adotam cautela na implementação

Os departamentos de marketing de pet food seguem uma postura conservadora quanto à adoção da IA: 56% ainda estão em fase de planejamento ou pesquisa, enquanto 25% limitam testes a um ou dois membros da equipe. Essa estratégia de experimentação controlada mostra que as empresas estão priorizando a gestão de riscos em vez de uma implantação acelerada.

O levantamento também indica baixo investimento em programas formais de treinamento: apenas 9% das organizações implementaram capacitação em toda a área de marketing. Outros 9% estão testando múltiplas ferramentas antes de decidir, reforçando a preocupação em avaliar cuidadosamente cada recurso, ainda que isso torne a adoção mais lenta.

As parcerias externas também são raras: somente 3% das empresas recorrem a especialistas ou agências de IA, sugerindo que a maioria prefere desenvolver capacidades internas em vez de terceirizar funções de marketing baseadas na tecnologia.

  • Em fase de planejamento/pesquisa: 56,25%
  • Um ou dois membros testando de forma independente: 25%
  • Treinamento e implementação em toda a equipe: 9,38%
  • Testes com múltiplas ferramentas: 9,38%
  • Parcerias externas com especialistas/agências: 3,13%

O que a IA fará pelo setor de pet food nos próximos 12 meses?

Olhando para o futuro, 63% dos profissionais de marketing afirmam estar satisfeitos com as ferramentas atuais e não demonstram interesse em novas capacidades. Os dados sugerem que muitas marcas de pet food ainda estão em fase de avaliação e testes com IA, e que novos benefícios podem ser reconhecidos conforme as empresas avancem no aprendizado sobre as possibilidades da tecnologia.

Entre os que buscam novas aplicações, o interesse se divide entre usos analíticos e criativos: 13% querem investir em análises preditivas de comportamento do consumidor, 13% em geração de conteúdo de voz/vídeo e 10% em recomendações personalizadas de produtos.

  • Satisfeitos com as ferramentas atuais: 63,33%
  • Análises preditivas de comportamento do consumidor: 13,33%
  • Geração de conteúdo em voz e vídeo: 13,33%
  • Recomendações personalizadas de produtos: 10%
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